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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A música das palavras



“Agora não há outra música
senão a das palavras”. (SARAMAGO, 1995, p.290)        


            Não se pode falar em vida, sem falar em literatura. Entender o poder das palavras, através do poder do amor pela educação e pelos estudos da sua língua materna é uma belíssima forma de relacionar a importância de cuidarmos da vida com a necessidade insaciável de conhecer e descobrir, que é inerente a nós, seres humanos.
As palavras, junto aos sons e aos silêncios que emitem, são ferramenta da abstração humana, da capacidade de poder ver com olhos livres, o que não é o mesmo que olhar as obviedades da vida. Rubem Alves já dizia isto, quando colocava que o que mata um jardim são estes olhares de indiferença de gente sem sensibilidade. Assim, são estes emaranhados de letras, agrupados em sílabas e com unidades fonéticas que marcam sua sonoridade, que a literatura existe. A arte de tocar o lado mais humano e metafórico de cada pessoa através da graça que o ato de escrever proporciona àqueles que enfrentam o medo de jogar no papel a sua alma e nos brindam com textos sensíveis e lindíssimos é uma capacidade digna, apenas, de todos. Sim, de todos, pois tendo consciência, ou não, disso, somos pautados em sentimentos e emoções, bons e ruins. E o que é a literatura, senão a transcrição do que sentimos para pedras, pergaminhos, folhas de papel perfumadas e, com o advento das tecnologias, para as páginas da internet?
Abrir os olhos de uma criança para a beleza do mundo que a cerca é tarefa árdua em nossa vã contemporaneidade. A superficialidade das relações humanas vem crescendo e dificultando o “enxergar” das pessoas. Porém, as crianças me soam diferente de tudo isso. Elas carregam um fascínio próprio pelo que é belo, pelo que é literatura por si só. Dessa forma, ver com seus próprios olhos, que as crianças, adolescentes ou jovens respondem positivamente aos seus ensinamentos não tem preço, é impagável. Um sorriso, uma pergunta excitada, a vontade de descobrir mais junto a você, tudo configura um prazer quase divino no simples ato de estar na sala de aula.
A vida é um bem precioso e que deve ser cuidado. O problema, geralmente, é que muitos não sabem como cuidar, como cativar. Talvez, deixar-se cair no infinito universo de mundos que a leitura e os livros podem proporcionar, diante da vida superdenotativa que vivemos, seja um jeito profano e espiritual, sublime e revolucionário, de cuidar da vida. Tu te tornas responsável por aquilo que cativas, ensinou-me um pequeno principezinho dos livros. Usar a arte das palavras para gracejar a vida é cativar este bem.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Um ensino de língua materna sem as cortinas do passado.



A ideia de que as aulas de Língua Portuguesa devem ser centradas no ensino de regras gramaticais é antiga, tradicionalista e, de forma mais direta, ERRADA! Quando nos deparamos com índices baixíssimos do desenvolvimento do Brasil em exames nacionais que testam as competências de leitura e escrita dos nossos alunos (como a Prova Brasil, o ENEM e o SAEB) vamos direto ao grande problema: as escolas não têm ensinado aos seus estudantes as verdadeiras utilidades e usos que cabem a uma língua. Em vez de mostrar às crianças e adolescentes a relevância que um bom domínio da Língua Portuguesa pode ter em nossas vidas, a escola está presa (infelizmente!) ao pensamento de que só sabe bem Português aquele fulano que decorou a diferença básica entre um adjunto adnominal e um complemento nominal dentro de uma oração, por exemplo. Triste ilusão... 

Quando os professores de Língua Portuguesa entenderem que os alunos NÃO PRECISAM conhecer todas as regras que a gramática da norma culta deseja ensinar, eles passarão a voltar sua prática pedagógica para o ensino da leitura e da escrita – habilidades que os estudantes PRECISAM SIM para as mais variadas situações do dia a dia, que vão desde pedir uma informação na rua até redigir um artigo científico para apresentar num congresso de ciências internacional! A língua é viva e se nossos estudantes não souberem disso, jamais sairão das velhas, batidas, e rebatidas normas gramaticais sem sentido, sem contexto, sem texto!

Todas as aulas, principalmente as de Português, precisam apresentar aos alunos os mais variados gêneros de texto, porque é só através deles que os estudantes poderão entender REALMENTE a importância do estudo de sua língua. Que bom seria se todas as escolas parassem um pouco de deixar o Livro Didático dominar as aulas de seus professores e passassem a ensinar apenas duas coisas. Primeiro: ler por prazer! Segundo: Escrever e refletir, com base na leitura. Dessa forma, alunos que sempre acharam a leitura chata passarão a amá-la; alunos que odiavam as aulas de Português passarão a ver nelas uma forma de crescer nas outras disciplinas; alunos que não escreviam se tornarão escritores melhores, com emoção e sensibilidade. Que professor não deseja isto?  Ver algo encantador: A MUDANÇA DO DISCURSO DOS SEUS ALUNOS!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Desenvolvendo o hábito da Leitura no Ensino Fundamental - Anos Iniciais



Um dos requisitos fundamentais da atividade pedagógica consiste em fazer com que a criança adquira capacidade de leitura e tenha acesso às informações disponíveis em meios escritos. A iniciação à leitura faz a criança compreender a imagem gráfica, seja ela em linguagem verbal ou não-verbal, representada em qualquer tipo de suporte, a fim de que ela possa aperfeiçoar os conhecimentos acerca da língua materna e desenvolver sua coordenação motora e habilidades cognitivas. Daí, a relevância e necessidade de propostas e trabalhos de melhoramento da leitura, haja vista a deficiência nessa área configurar um problema que atinge muitas crianças nas séries iniciais do ensino fundamental.

A questão é: Como despertar o desejo pela leitura nas crianças do Ensino Fundamental - Anos Iniciais? Essa discussão deve ser feita com cautela e sensibilidade. Deve-se repensar a forma de trabalhar a língua, com ênfase nas práticas de leitura, em sala de aula. Desapegar-se das técnicas e métodos pejorativos para atualizar-se e propor mudança. Sem essa percepção, por parte do professor, as alterações tão desejadas por todos, no tocante à leitura, jamais serão observadas. As crianças necessitam de novos estímulos e os educadores, de novas metodologias. O primeiro passo é extinguir a ideia de que a escola resume-se aos muros ou paredes que a cercam. É necessário aprender e ensinar que a escola é a segunda casa dos educandos. Lá, eles devem ser preparados para o mundo.

O ensino de leitura no Brasil está empatado pela consciência daqueles que são responsáveis pela educação, como um todo, no país. Assim, o prazer pela leitura, a interpretação de aventuras escritas e a magia de ler e compreende livro lido, só serão, de fato, parte do perfil das crianças brasileiras, quando os representantes governamentais e os gestores da educação de nossa pátria entenderem a importância de se investir na educação de nossas crianças e, ainda, que investimentos desse gênero não podem ser tidos como "prejuízos" e sim como "lucros", até porque a riqueza de um país é o reflexo do nível educacional dele.

Assim, incentivar e desenvolver o hábito nos educandos, neste caso do Ensino Fundamental - Anos Iniciais, é algo essencial à formação deles, e esse tipo de informação focalizando a relevância da leitura na vida deles deve ser mostrada e discutida pelo docente. Esse trabalho de encaminhamento à leitura e aperfeiçoamento das habilidades de escrita deve ser feito com seriedade, onde deve ser levada em conta a realidade dos alunos. Vale aqui a essência do ato de ler (Salve, Paulo Freire!), independente do gênero da leitura: clássico da literatura universal ou anúncio publicitário de lojas de brinquedos expostos em vias públicas. O que vale é ler!

domingo, 5 de junho de 2011

Você tem cuidado do meio ambiente?



Ser professor, em minha opinião, é mais alegria que tristeza! Por isso, meus meninos me fazem um teacher super feliz e realizado a cada dia que passo junto deles. Leiam o texto abaixo e digam vocês se ser professor é mais doloroso que prazeroso.

 Hoje em dia, todas as florestas estão sendo desmatadas pelo homem. Ele parece uma máquina de destruição e o pior é que está destruindo a si mesmo e sabe o que está fazendo. Ele não tem pena da natureza e não poupa sua vida e a Mãe Natureza sofre muito com tudo isso. É por isso que acontecem tantos problemas, atualmente. A natureza está se revoltando contra nós - os seres humanos. Ela se revolta com tsunamis, terremotos, deslizamentos de terra e com enchentes, que cada vez ficam mais fortes. Sem o meio ambiente não podemos viver!

Nós temos que aprender com a natureza e não destruí-la. Temos que preservá-la com mais cuidado e compreensão, pois só assim poderemos entendê-la! Será que é tão difícil proteger a Mãe Natureza? Hoje, qualquer um pode ajudar a preservar o meio ambiente e evitar a poluição de rios, florestas e ar. As pessoas jogam papel, garrafas plásticas e outras coisas nas ruas e vias públicas e isso não está certo, porque lixo é pra ser jogado no lixo ou reciclado. Se todos soubessem disso, acho que a situação da natureza melhoraria um pouquinho, bem mais do que hoje. Preserve a natureza! Preserve a vida na terra, que cada vez mais fica mais curta.

Hoje, a natureza geme em dores de parto. Por isso, preserve a vida, preserve o planeta!

Texto produzido por Laryza Rodrigues de Siqueira
Aluna do 7º ano da Escola Municipal Adalberto Nobre de Siqueira
Assentamento Tabuleiro Alto, Ipanguaçu, RN. 

domingo, 29 de maio de 2011

Blog: um gênero textual digital


Blog vem da abreviação de weblog: web (tecido, teia, também usado para designar o ambiente da Internet) e log (diário de bordo). É uma ferramenta do mundo virtual que permite aos usuários colocar conteúdo na rede e interagir com outros internautas. Os blogs surgiram em agosto de 1999, com a utilização do software “Blogger”. A facilidade para a edição, atualização e manutenção dos textos em rede foram, e são, os principais atributos para o sucesso e a difusão dessa chamada ferramenta de auto-expressão. Em relação ao gênero blog, percebemos que o seu plano geral (estrutura) se apresenta, de acordo com Marcuschi (2010), da seguinte forma:
a)      No cabeçalho é apresentado o nome e um resumo do tema do diário (blog);
b)      As laterais são usadas, em geral, para mostrar o perfil do dono do blog e seus contatos, e ainda, arquivos de textos e fotos já publicados, além de endereços e comentários recomendados pelo blogueiro;
c)      O texto que se apresenta vem acompanhado de assinatura, data e horário em que foi escrito. O dono do blog coloca também atalhos para que o leitor possa encontrar outros textos com o mesmo tema, ou aos quais o texto principal faça alusão (os chamados “marcadores”);
d)     Há um espaço para que o leitor do blog deixe seu comentário.

Depreendemos, no que concerne ao gênero blog, que é possível localizar todas as sequências textuais existentes nos campos de estudo da Língua Portuguesa, já que a abrangência discursiva do gênero em questão permite ao redator produzir incontáveis  e variados textos, sejam eles, predominantemente, narrativos, descritivos, argumentativos, expositivos, dialogais ou injuntivos, segundo Jean Michel Adam (2010).
No tocante à esfera discursiva, podemos classificar o blog como “um gênero emergente digital” (Marcuschi, 2010). Sendo assim, o segmento social que faz uso desse gênero como ferramenta eficaz de comunicação é, necessariamente, ligado ao acesso à Internet e, na maioria dos casos, formado por indivíduos de faixa etária entre 15 e 25 anos, já em relação ao lugar social em que a interação o texto é produzida, podemos destacar a escola, família, mídia, igreja, interação comercial, interação do cotidiano, etc. Os blogs são produzidos tanto em casa, quanto na escola, num cybercafé ou em lanhouses. Podendo ser modificado diariamente ou conforme o blogger achar melhor. É válido ressaltar que o blog, assim como outros gêneros digitais como o e-mail, não permite a existência da democratização total do discurso, pois “para que haja verdadeira democratização das ideias, não basta que elas estejam depositadas na grande rede. É necessário que circulem e entrem na ordem do discurso” (Teixeira, 2010).

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Paulinho, o menino que escreveu uma nova história.

 Será que um menino nascido no Recife, órfão de pai aos 13 anos, poderia ler a própria história e escrevê-la de um jeito diferente? Pois foi isso o que Paulinho fez.

Ao tornar-se professor, procurou ler de modo compreensivo não só os livros, mas também as questões do mundo e os olhos das pessoas, dialogando com todos para aprenderem em comunhão. Paulo Freire olhou as dificuldades do povo oprimido e enxergou novas possibilidades, ajudando com seu trabalho a alfabetizar milhões de jovens e adultos do Brasil e de muitos lugares do mundo que não tiveram oportunidade de frequentar uma escola.

No mais novo título de publicação da Cortez Editora no segmento de Literatura Infantojuvenil,  "Paulinho: o menino que escreveu uma nova história", de Mere Abramowicz e Silmara Rascalha Casadei" é uma história belíssima voltada para o público infantil, em que é contada a história de vida de um dos mais sublimes e iconográficos educadores dos últimos tempos, que por sinal é brasileiríssimo e nordestino, muito bem e obrigado!, o Sr. Freire. Com um texto leve e encantador, a obra é capaz de informar muito bem os nossos leitores mirins, juntamente com os não-mirins, além de apresentar os principais aspectos da trajetória marcante do educador idealista, sonhador e transformador de realidades. Obviamente, as ilustrações de Marco Antonio Godoy são deliciosas de ver e enchem os olhos pela qualidade e expressividade que denotam as imagens. É uma obra completa, digo, já que funde o verbal e o não-verbal de forma lógica, instigante e atrativa

Apesar de ser indicada ao público etário infantil, "Paulinho" é uma história que pode agradar qualquer pessoas, principalmente, se falamos de pessoas que trabalham com educação. Aliás, "trabalham" é um pouco limitador demais - vejamos outro termo... Opa! Encontrei: O livro é indicadíssimo para pessoas que AMAM trabalhar com educação, porque para essas o ato de educar e ensinar a aprender não se restringe a uma mera profissão que rende alguns dividendos, mas a uma missão árdua e difícil, que justamente por tais motivos é tão sublime, bela e reveladora. 

Meus amigos amantes do "educar", agradeço a Paulo Freire, em nome de todos vocês e do meu, certamente, pela oportunidade de conhecer e levar ao conhecimentos dos meus alunos a história de vida de um professor inspirador. Thanks, Paulinho!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O Ensino de Língua Materna no Brasil

Século XXI. O Brasil vem trabalhando e desenvolvendo cada vez mais a pesquisa científica com ênfase no campo dos Estudos Linguísticos e o conhecimento produzido nacionalmente também vem adquirindo seu espaço no contexto mundial. Rita Maria Diniz Zozolli, graduada em Letras pela UFAL (1973) com doutorado em Linguística e Ensino do Francês, através da Université de Franche Comté Besançon (1985), possui larga experiência na área de Linguística Aplicada, em especial na linha de Ensino e Aprendizagem de Línguas, atuando principalmente nos temas: leitura, produção, autonomia relativa, língua materna, língua estrangeira e produção escrita. Os projetos de pesquisa que desenvolve têm contribuído de forma profícua para a construção de uma conduta investigativa e inovadora no tocante ao Ensino de Língua Portuguesa e suas Literaturas no campo educacional brasileiro.      
Em Relações entre Produção de texto, Leitura e Gramática na sala de aula, artigo de sua autoria publicado no periódico norte-rio-grandense Odisseia, a pesquisadora procura tratar dos elos existentes entre os atos de ler e escrever e da influência dos preceitos normativos da gramática nesse conjunto, inserindo-os no contexto da sala de aula. A argumentação é quase sempre objetiva e de fácil compreensão, mas sem perder a fundamentação e o teor científico que amparam suas colocações.      
Neste artigo, a autora objetiva trabalhar sobre as relações entre produção textual, leitura e gramática na sala de aula de língua materna, amparando-se nas reflexões de Morin (2000), Bakthin (1977) e Marcuschi (1997) e na noção de complexidade linguística. Para isso, observou-se uma situação interativa em uma sala de aula de língua portuguesa para universitários de um curso com programa de leitura e produção de textos, onde foi avaliado o tratamento dado às competências de oralidade e escrita, além dos tópicos de gramática, nas construções textuais dos alunos por meio de gêneros de texto orais e escritos. Os resultados apontaram para a identificação de várias inadequações de cunho linguístico, tais como argumentação pouco fundamentada, clichês ou obviedades e paráfrase excessiva do texto. A autora conclui que eles são decorrentes de uma prática de ensino da LM centralizadora e fundamentalista, que tem na ideia de “língua” e “ensino” um modelo hierárquico, que foge à estrutura concreta de enunciação (BAKTHIN, 1997) e recomenda que o docente orientador em sala de aula contribua para a reformulação do texto, garantindo as qualidades textuais e discursivas sem impor um padrão de sua preferência particular. Zozolli ainda pondera a respeito da necessidade de se aderir à luta contra as ideologias quantitativas do mercado capitalista em detrimento de um comprometimento mais efetivo dos gestores da educação com os papéis que lhes são de direito executar.                
O texto de Zozolli é uma produção de grande relevância para os estudos na área de Linguagens em nosso país, tendo em vista que lança mão de visões arbitrárias, tendenciosas e hierárquicas sobre o ensino de LM e nos brinda com uma análise coerente, embasada nas teorias do cânone dos estudos da linguagem, acerca das competências de escrita e oralidade, bem como das habilidades de adequação à variedade linguística padrão, isto é, a norma culta, através do uso coerente dos conhecimentos gramáticos. Um conhecimento mais que útil nas aulas de LM.             
O artigo é indicado para iniciantes nos estudos linguísticos, professores de Língua Portuguesa e suas Literaturas, gestores administrativos das instituições escolares, bem como todos aqueles que possuírem interesse em conhecer um pouco mais das relações que ocorrem em nosso idioma e do funcionalismo básico da língua. O texto possui uma linguagem de entendimento relativamente fácil, mas em todo caso se obterá um maior aproveitamento das exposições da autora em relação às questões de escrita, leitura e gramática, se o leitor possuir alguma noção básica dos elementos mencionados e sua aplicação nas salas de aula brasileiras.          

domingo, 12 de dezembro de 2010

Livro da Semana: "Sete ossos e uma maldição", de Rosa Amanda Strausz

Dizem que a emoção mais forte e mais antiga do mundo é o medo, precisamente o medo do desconhecido. Rosa Amanda Strausz apostou nisso e escreveu 11 contos de terror de deixar o coração acelerado e a respiração entrecortada. Nada explícito ou de mau gosto, como sangue espirrando e miolos saltando. Pelo contrário, é tudo sugerido, e a imaginação de cada leitor é que se encarregue de formar as cenas macabras. Exemplo disso é o conto que abre o livro: "Crianças à venda. Tratar aqui". Nele, uma mãe miserável e oportunista resolve vender os filhos para, em primeiro plano, melhorar sua vida e, em segundo plano, a de sua prole. No entanto, quando vende o último filho, Fabiojunio, a felicidade esperada não vem, pelo menos para a criança. A irmã mais velha, Simara, desconfia dos compradores e depois, quando chegam as fotos de Fabiojunio na nova residência, ela acha muito estranha a expressão do menino. Convicta de que há algo de errado naquela história, resolve investigar e o que descobre é bastante aterrorizante. Rosa A. Strausz é jornalista, formada pela UFRJ. Além dos livros que escreve, produz textos e roteiros para diversos meios (jornais, publicidade, rádio, multimídia, hipertexto, etc.). Também edita o portal Doce de Letra, que é o maior em língua portuguesa sobre literatura infantil. Segundo ela própria: "Estou sempre procurando um novo jeito de olhar, e escrever para crianças e adolescentes é quase consequência natural de viver procurando pontos de vista diferentes. Dar oficinas e palestras para professores e crianças é outro jeito de buscar esse olhar glutão: é no contato com o meu público que troco as lentes e encontro novos jeitos de ver." 

Medo. Um medo avassalador, sutilmente construído. É isso que vocês irão sentir quando penetrarem na atmosfera de terror deste livro. Sem escapatória, completamente seduzidos, irão entender que não haverá mais volta. Para sempre. Maldição? Talvez redenção. A escolha é de vocês!

domingo, 28 de novembro de 2010

Livro da Semana: "A hora da estrela", de Clarice Lispector



Clarice Lispector foi uma mulher intimista, ela não escrevia por fora, mas por dentro. Era essa sua principal característica e marca primordial dos seus textos. Lançada um pouco antes de sua morte em 1977, "A hora da estrela" é uma obra que trata, dentre outros tantos assuntos, da ideia de existencialismo, trabalhada em cima da personagem Macabéa, uma nordestina que sofre retaliações por parte de uma tia durante toda a infância e juventude e, após a morte dessa, parte para a cidade do Rio de Janeiro em busca da vida (será?). Além de apresentar em pouquíssimas páginas mensagens que nos põem diante de reflexões necessárias sobre vida, morte e nossa posição em relação a tudo isso, Clarice toca em um tema de interesse público, ao menos em nossa região, que é a questão das relações discriminativas e preconceituosas voltadas para homens e mulheres sertanejos, nascidos e criados no campo, e que em algum momento de suas vidas decidem enfrentar a cidade grande. 

Macabéa não possui pensamento, dissernimento ou amor próprio aparentes. Em vida. Mas alguém abre os olhos dela, assim como uma infinitude de pessoas que passam pelas nossas vidas com suas verdades. Não é bom negar, não é bom repudiar. Cada um é cada um e o que nos torna alguém são nossas escolhas e jamais nossos bens. Macabéa, mesmo inconsciente disso, escolheu o melhor. Escolheu acreditar. E foi nessa escolha que a vida atravessou o véu da imortalidade e a infelicidade fez-se felicidade, a ignorância fez-se conhecimento e o existir passou realmente a existir.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Persona non grata



"Os perfis de texto que mais afugentam o leitor"


1. O AFETADO

Quer passar a imagem de que está em sintonia com as ideias da moda, daí sobrecarregar o discurso com frases de efeito, mas que o conectem a uma certa identidade ou tendência. Assume o risco de tornar o texto difícil, com termos extravagantes, estrangeirismos, cifrados, além de expressões vazias de sentido.

2. O ARROGANTE

É o texto de quem banca o sabe-tudo. Não importa a eficácia da mensagem, mas a construção de uma imagem de domínio do assunto, qualquer que seja ele. Daí textos ao mesmo tempo prolixos (a transpirar sapiência técnica) e simplificadores (para tratar o leitor como um ser inferior).

3. BACHARELESCO

Estilo academicista, diz o simples de modo complicado. Confunde clareza com falta de precisão. Trata tudo com formalidade, mesmo o insignificante e o senso comum. Imagina um leitor informado, e por isso evita ser minucioso demais e adianta conclusões. Mas como o leitor nem sempre é outro acadêmico, deveria esclarecer cada ponto.

4. O CONFUSO

Texto truncado, sem encadeamento lógico de ideias, revela alguém a ignorar que o modo de apresentar os fatos já é, em si, um argumento. Repetições e raciocínios truncados ocorrem quando, por exemplo, uma observação particular é seguida por uma geral e depois dá lugar a outros aspectos particulares.

5. O PICARETA

Falso criativo, não entrega o que promete. Trabalha com valores consagrados, criando uma espécie de positivo absoluto, um texto "curinga" repleto de valores inquestionáveis que se adaptam a qualquer tipo de redação, ainda que não digam a que vieram. Sábio o bastante para dizer coisas que significam tudo e nada.

6. O SUBALTERNO

A linguagem aqui não é só burocrática como vaga, pois não assume compromissos nem responsabilidade, pois teme a hierarquia e as instâncias de poder superior. Evita correr riscos pelo leitor, por isso não o surpreende.

7. O TÍMIDO

Texto burocrático, cheio de clichês, que mostra falta de familiaridade com outras soluções de escrita: tende a moldar a mensagem a fórmulas conhecidas. O texto traz um redator hesitante, de raciocínio sequencial, pouco criativo, crítico consigo mesmo ao escrever, talvez por ter sido muito reprimido no processo escolar.

8. O VERBORRÁGICO

Com frases longas, empoladas e enfileiradas, acredita que do contrário seria tomado por simplório. A erudição forçada e a preocupação excessiva com a estruturação das fases trazem a fragilidade de conteúdo. A linguagem se torna pouco clara, inclusive a um leitor técnico.

E aí, pessoas? Vocês se encaixam em qual dos estilos citados acima? 

À primeira vista, parece ser um texto "preconceituoso" e "discriminatório". Mas, na verdade, não o é. As 8 classificações acima mostram alguns dos "tipos" de inadequações presentes nos textos que escrevemos diariamente com diversificados fins, desde um bilhete para a mãe até um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Discordo muito de que qualquer pessoa se encaixe em um dos grupos referidos, até porque o estilo em relação à escrita é algo que não pode ser resumido a tão pouco. 

Cada um, a partir de agora, poderá avaliar melhor o que escreve e tentar se distanciar dos 8 excessos (e não "erros) mostrados anteriormente. Até porque, utilizar um vocabulário padrão formal, utilizar termos tecnicistas, mostrar domínio sobre assuntos da atualidade e atribuir, em certos casos, algum clichê ao seu texto é normal e útil, dependendo de que mensagem (ns) você deseja transmitir. Em doses coerentes, as inadequações textuais e linguísticas podem dar um tom criativo e ajudá-los a construir e consolidar uma personalidade redatora!

Pensem nisso! E não se deixem influenciar por críticas destrutivas em relação ao "jeito" como escrevem. Parta, inicialmente, do princípio de que só por estar lendo este texto, vocês já estão anos luz, em termos de conhecimento dos mecanismos da língua, do que quem apresentou a "notória" crítica contra um vocabulário "muito exibicionista" ou "muito pobre", exemplificando.

Escrever com personalidade


Todo texto, por mais impessoal que seja, projeta uma imagem de seu autor. Para especialistas da linguagem, no entanto, controlar essa imagem deixou de ser sonho exclusivo dos escritores profissionais e virou objeto  de desejo generalizado pelas necessidades de comunicação numa economia cada vez mais global, digitalizada e despersonalizante.  Para Moacyr Scliar, autor do romance "Manual da Paixão Solitária", livro do ano no prêmio Jabuti 2009, a formação de um caráter por escrito resulta de uma combinação de fatores.
- Autores e autoras não decidem que espécie de estilo terão. Isto não é o fruto de uma decisão consciente, vai brotando espontaneamente, como resultado de um background psicológico e cultural, do gênero escolhido e de outros fatores.

Na literatura, avalia Scliar, são mais evidentes as condições de formação de um estilo.

- A consolidação do estilo é o resultado da maturidade do escritor, que a partir daí pode ser reconhecido à vezes num único parágrafo. Guimarães Rosa, por exemplo, é único, e o mesmo podemos dizer de um Kafka, de um Drummond, da Bíblia - pondera Scliar.

Mapear os elementos que compõem a "personalidade" de um texto não só na literatura, no entanto, é tarefa complexa, tal o número de variáveis envolvidas. Mas a impressão que se tem do conjunto, seja ele uma mensagem a um amigo ou um relatório de trabalho, é o que conta. Para Alerte Salvador, que junto com Dad Squasiri publicou "A Arte de Escrever Bem" (editora Contexto), a extensão das frases, bem como a escolha de palavras, é um dos aspectos que mais salta aos olhos na definição de uma voz própria por escrito. 

Dentro do que fora dito, principalmente, pelo Moacyr Scliar, é muito importante reconhecer alguns pontos bem relevantes no que diz respeito à construção da personalidade no ato de escrever. São eles: a "Impessoalidade", a "Apropriação", a "Imitação" e/ou o "Afeto investido".


domingo, 14 de novembro de 2010

2ª SEMANA DE LÍNGUAS - EMANS




Secretaria de Educação de Ipanguaçu
Escola Municipal Adalberto Nobre de Siqueira
Assentamento Tabuleiro Alto/Ipanguaçu, RN

CONVITE

            “A literatura salva!”, já dizia Clarice Lispector. E é por total reconhecimento ao prazer de ler e à sua importância em diversos contextos, que os alunos de 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental II da Escola Municipal Adalberto Nobre de Siqueira (Tabuleiro Alto) estarão realizando a 2ª edição do projeto “Semana de Línguas”, tendo como tema nessa nova apresentação “A magia da palavra no limiar da Literatura Fantástica”. Com base nas leituras de textos de fantasia como “O Pequeno Príncipe” (6º ano), “Harry Potter e a Pedra Filosofal” (7º ano), “Alice no País das Maravilhas” (8º ano) e “As Crônicas de Nárnia” (9º ano) a 2ª exposição literária guarda surpresas belíssimas que exalam por si só os aromas da boa leitura, da leitura prazerosa. Sua participação é muito importante dentro desse evento das letras! Por isso, temos a honra de convidá-los (las) a vir prestigiar os trabalhos dos (as) alunos (as) durante as atividades a serem realizadas nos os dias 24, 25 e 26 de novembro/2010

Atenciosamente,
André Magri Ribeiro de Melo
(Professor de Língua Portuguesa e suas literaturas & Cultura do RN)
Andréia Laureano
(Supervisora Escolar do Ensino Fundamental - Anos Finais)

PROGRAMAÇÃO DO EVENTO:
24/11 – Quarta Feira
25/11 – Quinta Feira
26/11 – Sexta Feira
13h30min – Abertura Oficial
13h30min – Sessão de Comunicação Oral
13h30min – Abertura da 1ª Gincana Literária da EMANS.
14h00min – Exposições e visitação da comunidade escolar.
14h30min – Palestra: “Usos e sentidos da Literatura Fantástica em sala de aula”
16h30min – Cerimônia de premiação da gincana literária, Olimpíada de Língua Portuguesa 2010 e Concurso de Redação.
16h00min – Apresentações Culturais (6º, 7º, 8º e 9º anos – EF II).
15h30min – Oficina: “A Fantástica Fábrica de Jogos no ensino de Línguas”
17h15min – Baile Fantástico (apenas para alunos do EF II e equipe escolar).

Por que ler um clássico?

Amigos (as) leitores (as)

Creio que muitos de vocês devem saber o que é um clássico da literatura universal!

É um livro que foi muito apreciado desde sua primeira publicação e, ao longo do tempo, traduzido para vários idiomas, continuou sendo lido e apreciado no mundo todo. Ultrapassou as barreiras do tempo e do espaço, tornando-se universal, isto é, uma obra consagrada por toda a humanidade. Os livros e os autores clássicos marcam a história da literatura. Além da emoção da história, a leitura de um clássico pode nos trazer muitas informações interessantes. Pense bem, nosso jeito de viver não surgiu do nada. As maneiras de pensar de cada época, a maneira de escrever dos autores, o jeito de ser das pessoas não são sempre os mesmos. Uma época influencia a outra, um país influencia o outro, e os costumes vão se transformando. Mas suas marcas não desaparecem. E essas transformações vão sempre continuar acontecendo. É assim que se faz a História, com H maiúsculo. Lendo os clássicos, podemos conhecer um pouco da nossa História, reconhecer muitas dessas maneiras de ser e de pensar que nos influenciaram e que deram origem ao nosso modo de viver e de pensar. Muitos livros escritos hoje acabarão se tornando clássicos. Mas só o passar do tempo mostra quais são as obras clássicas, aquelas que vieram para ficar, que sempre continuarão sendo lidas com interesse.

Filme da semana: "Ratatouille"



"Qualquer um pode cozinhar!"

A fantástica animação "Ratatouille" é um filme aparentemente indicado às crianças, mas que é mais um daqueles casos em que obras infantis apaixonam e têm muito a ensinar aos próprios pais das crianças, por exemplo. "Qualquer um pode cozinhar" é o lema do aclamado cozinheiro francês, Chef Gusteau, e toda a história é centrada nesta pequena frase de 4 palavrinhas.

Em um dos restaurantes mais refinados de Paris (O Gusteau's), Remy, um ratinho que adora cozinhar, sonha em se tornar um renomado chef. Contrário aos desejos da família, ele segue sua vocação e, junto com o atrapalhado Linguini, se envolve em uma hilária sequência de acontecimentos que vão deixar a cidade-luz de cabeça para baixo. Ratatouille é tão divertido que vocês irão querer repetir várias vezes.

Por favor, não deixem de prestigiar essa obra-prima da fantasia e da culinária! É um filme com muitas lições a dar. E o melhor! As lições não são para um grupo de pessoas e sim para todas!

Aos profes de plantão, é uma ótima indicação para trabalho em sala de aula, digo em Língua Portuguesa, minha área, já que é se trata de um texto audiovisual e em forma de desenho, o que atrairá certamente a atenção dos pequenos. Utilizei-o com minhas turmas de 6º e 7º ano, seguindo o seguinte processo:

1. Exibição do filme;
2. Comentários sobre o filme: alunos e orientador;
3. Produção de Comentário escrito sobre o filme (opinião);
4. Correção ortográfica/sintática/textual em sala, por meio da apresentação em quadro das palavras com grafia inadequada à norma padrão da língua e da forma adequada, sem citar o nome de ninguém que as tenha escrito!;
5. Oficina de Produção: trabalho com gêneros textuais instrucionais - o caso da "receita".

Adquira o filme da semana, "Ratatouille", através deste link: http://www.siciliano.com.br/produto/2579449/ratatouille-ra-ta-tui-dvd4/2579449?ID=BD7FBE6B7DA0B0C1329200331&FIL_ID=102

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