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quinta-feira, 23 de junho de 2011

O PROFESSAURO

Meu encanto pela educação e pelo ato de ensinar, aprender e "professar" renova-se diariamente junto aos meus meninos, mas esses dias o encantamento foi mais que aguçado, podendo dizer que foi reavivado! Uma das minha últimas aquisições, o livro "Seja o professor que você gostaria de ter", de Serrano Freire, é um balde de ânimo em cima de todas as injustiças e humilhações pelas quais passam os professores brasileiros. É, na verdade, o conjunto de textos que tratam da beleza e da magia da nossa profissão que tenho lido até então. Um capítulo, em particular, chamou minha atenção. Um que trata dos "professauros". Vamos à leitura, então:

"Costumamos chamar de PROFESSAUROS aqueles ainda chamados de professores, mas que já abandonaram seus ideais, seus sonhos e que estão em sala de aula apenas para cumprir uma programação, ou, como diríamos no futebol, apenas para cumprir a tabela. Não querem chegar a lugar algum, não querem mudar nada. Só servem para atrapalhar nossos ideais e fazer com que a nossa educação, não alcançando suas metas, seja desrespeitada e desvalorizada por tantos.

Mas eles existem.
Observem os sintomas a seguir e, se encontrar na sua escola alguém assim... cuidado!

O PROFESSAURO:
1. Reclama de Tudo - Está sempre insatisfeito, parece mal-amado. Reclama do calor, do salário, dos alunos, das férias que não chegam. Nunca está na turma do "vamos fazer". Gosta mais do grupo "não vale a pena".

2. Adora dar aula sentado - É só chegar na sala e se esparrama na cadeira. Já chega cansado. Desse jeito, não valoriza o seu trabalho, ignora seus alunos e demonstra desconhecer o mínimo sobre comunicação. Quando cansa da cadeira, senta na mesa. Pobres alunos...
3. Culpa os alunos pelos fracassos que são seus - O professor é o líder e o gerenciador de tudo que acontece em seu espaço e local de trabalho. Cabe a ele criar o ambiente de motivação, despertar entusiasmo e interesse dos seus alunos. Professores assim só querem ser responsáveis pelos resultados obtidos por alunos de sucesso. Quando encontram um ex-aluno, agora, professor, médico ou advogado, dizem cm natural orgulho: "Foi meu aluno". Mas, quando o aluno não obteve o mesmo êxito, apresam-se a dizer: "Não queria nada com os estudos".

Você é responsável, sim, pelo sucesso dos seus alunos, tanto quanto pelos seus fracassos. Pense nisso. Quando seu aluno é reprovado, todo o processo precisa ser reavaliado. Aliás, a ideia de avaliação escolar deve passar pela análise do processo e não do resultado isoladamente.
4. Detesta novidade - Ele fica louco quando alguém tem alguma ideia e o convida para colocá-la em prática. Quando você chega de um congresso cheio de ideias e novidades, ele é o primeiro a dizer: "Isso não vai dar certo. Estou na educação há muito tempo e nunca deu certo". Ele não consegue mais sonhar e, também, não quer ver ninguém sonhando perto dele. O sonho dele é puxar você para baixo, para sua imobilidade.

Resista!

5. Suas aulas são sempre iguais - Passa ano, entra ano e não muda nada na aula dele. É tudo igual. Sempre a mesma coisa, a mesma falta de criatividade, a mesma falta de interesse, repetindo até as mesmas palavras. Não aprendeu nada nos últimos anos, não leu nada, aliás, normalmente nem gosta de ler. É fácil encontrá-lo. Fala pouco e, aparentemente, concorda com tudo, para não chamar a atenção. Quando leciona em turmas de 1º ao 5º ano costuma ficar sempre na mesma série. Mudar de série implicar reaprender, e isso, para ele, é horrível.

6. Vive pensando na aposentadoria - É mais do que legítimo o direito de, depois de tantos anos de trabalho, encontrar o descanso merecido. Mas você deve sair de cena com dignidade, cumprindo até o último momento suas obrigações com entusiasmo e profissionalismo, deixando um gostinho de saudade. Aposente-se com orgulho pela história que você construiu e não como uma fuga.

Alguns profissionais quando estão perto da tão sonhada aposentadoria, na realidade, primeiro, aposentam seus espíritos, passam a andar na escola como zumbis, depois aposentam seus ideais, deixam de manifestar interesse pela profissão que elegeram para suas vidas. No mínimo, ingratidão.

7. Sofre da Síndrome de Gabriela - Quando convidado a mudar, a fazer coisas diferentes, a buscar novas estratégias, costuma dizer, atolado na sua zona de conforto: "Eu nasci assim, eu cresci assim, vou sempre assim, para sempre assim". É a própria Gabriela!

8. Adora atestado médico - Em algumas cidades, chega perto de 30% o percentual mensal de afastamento de professores com atestado médico. Apresentam atestados pelos mais variados motivos. Muitas vezes, problemas sérios e verdadeiros e outros nem tanto: dor de barriga, unha encravada, paixão recolhida etc. Provavelmente, essa profusão de atestados médicos deve-se também à existência de alguns medicossauro do sistema. 

Precisamos ter cuidado com o PROFESSAURO. Ele é perigoso, chega de mansinho, vai tomando espaço e, quando você se dá conta, não consegue andar sem tropeçar em algum. Previna sua escola, coloque avisos na sala dos professores e fique alerta. Em caso de suspeita, consulte a sua consciência.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Professores apaixonados



Professores professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo. Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato. Apaixonar-se sai caro!
 Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista,dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria. Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.

Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito,das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão.
 Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
 Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro. Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança. Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração. Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.

Os professores apaixonados querem tudo.Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade.Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Individualismo e falta de humildade?

Nosso destino é fruto, muitas vezes, das nossas próprias escolhas. Somos postos diante dessas desde cedo e o quanto mais rápido aprendermos o poder que elas têm sobre nós, menores, possivelmente, serão os desentendimentos futuros em relação ao que você julga "adequado" ou "inadequado" em qualquer assunto. Quando escolhemos o que é certo, ao invés do que é fácil, não estamos simplesmente sendo "bons samaritanos". Ao entender o valor das escolhas coerentes e da influência dessas sob a vida de muitas pessoas subjugadas à pobreza, à humilhação e à ignorância e, além disso, levá-las à prática, deve se ter em mente que existirão vários grupos de diferentes pessoas unidas através de um único objetivo: resistir à mudança, à boa mudança. As resistências variam de acordo com o "ethos" de cada indivíduo, o que na realidade se apresenta por meio da forma como este irá se mostrar contrário ao que está sendo proposto. As situações são variadas e inusitadas, e partem desde o simples desprezo silencioso a atitudes mais claras, como induzir outros indivíduos à alienação e ao conflito político em defesa de ideologias distorcidas e fundamentadas em banalidades. Definitivamente, não é fácil ser diferente. O diferente é chocante e vem, acima de tudo, quebrar algum paradigma, seja ele qual for! Quem intenta mesmo diante das advertências óbvias das forças resistentes tem, ou deveria ter, ideia dos obstáculos a serem criados com o objetivo de não acabar o império da estagnação e do mesmo de sempre de cada dia. As razões que podem levar alguém a ter esse tipo de comportamento são diversas e envolvem, principalmente, o contexto em que as mesmas receberam educação; isso gira em torno, na verdade, de um questionamento perturbador, que nem todos têm coragem para se propor - "Que educação eu aprendi" e "Que educação eu dou". No entanto, nas ideias de contexto e situação de ensino expostas, é necessário que também se entenda que as pessoas estão vivendo em pleno século XXI - a dita "era da comunicação". Não podemos simplesmente  fechar os olhos às alterações que os métodos arcaicos e ultrapassados de uma educação secular, por exemplo, vêm sofrendo. Não há nomeação mais útil nesse caso do que "negligência" - ato ou ação de fingir que o que está acontecendo não está acontecendo. Quando questionadas sobre tais posicionamentos, os indivíduos da cortina de ferro da resistência contrapõem argumentando em cima de um ponto que fere até os mais libertários possíveis em relação à sua posição e ideologias como um todo - "Será que você não está sendo egoísta, manipulador, egocêntrico, individualista ou até mesmo esteja agindo sem qualquer humildade ao implementar ideias revolucionárias?" Ora, o sentimento de culpa dá e passa, porque quando vemos com olhos mais racionais e menos emocionais é perceptível que é bem mais fácil culpar alguém pelo o que eu não me proponho a fazer. É bem mais fácil fazer as pessoas se sentirem mal por coisas que eu faço, ou desfaço, acontecer. É muito mais fácil alegar que as pessoas que se envolvem dos pés à cabeça com os ideais libertários em busca de uma educação, de fato, libertadora façam isso sem um resquício de humildade com o intuito de menosprezar todos ao seu redor e, além disso, de promover a imagem pessoal de profissional perfeito, sem falhas. A questão agora é: que caminho seguir? O caminho das palavras fáceis de serem ditas ou das ações corretas e árduas de serem realizadas?

sábado, 4 de dezembro de 2010

Livro da Semana: "A alegria de ensinar", de Rubem Alves.


Rubem Alves é um grande ídolo particular meu. Escreve sobre educação sem hipocrisia ou demagogia, pois é um verdadeiro educador. Em um dos seus livros que tratam de questões voltadas à educação, "A alegria de ensinar", podemos perceber o quanto somos por vezes incoerentes com nossos professores, enquanto alunos, e com nossos alunos, enquanto professores. A tarefa de ensinar, segundo Rubem, não é fácil e, aliás, tem de ser difícil e árdua mesmo. É assim que as pessoas valorizam as coisas, quando sofrem para obtê-las. No entanto, não é porque a tarefa é um veraddeiro desafio, que não possa ser executada com alegria e dinamismo.Alegria - é o que tem faltado nas nossas escolas, nos nossos docentes e alunos. Geralmente, não se vai mais à escola por prazer. As crianças e adolescente cumprem regras secas e ditatoriais em sala, como, por exemplo, não refutar a opinião do professor, ser todo poderoso e sagrado em sala. Muitos professores apenas vão cumprir horário, porque o que importa para eles é receber seu salário ao fim de cada mês. É preciso, segundo o autor, estabelecer nas instituições de ensino o sentimento de alegria, incitar as pessoas a estudarem e ensinarem por amor, prazer. Não é algo muito complexo. Imaginem se em todo as aulas, ou na maioria delas, cada professor entrasse em sala sorrindo, feliz, contente por estar ali? Como seria se todos os professores se colocassem em pé de igualdade cognitiva com seus alunos? Pensem como seria ver todos os professores se auto-avaliando e propondo que os seus alunos também o avaliassem? Nesse livro, Rubem Alves nos põe de frente para esses questionamentos e é isso que a alegria de ensinar propõe. Ele também fala dos heróis anônimos, os professores e professoras, que fazem o melhor todos os dias em suas salas, se preocupando com seus alunos e instigando-os a amar o conhecimento. São esses heróis e heroínas que merecem destaque, pois trabalham alegres, apesar de tantas atribulações que perpassam a atividade docente. "A alegria de ensinar" é uma obra indicada a todos que desejam saber como ser alegres, como seduzir os alunos na educação com a alegria e, fazem de tudo, para aqueles que partilham do sonho de uma educação cada vez mais inclusiva e alegre.

sábado, 20 de novembro de 2010

Filme da Semana: "Sociedade dos Poetas Mortos"


"Ele fez de suas vidas algo extraordinário"

O professor John Keating entra na sala de aula assobiando, é o primeiro dia do ano letivo, passa pelos alunos e desperta olhares curiosos, encaminha-se para uma outra porta, de saída para o corredor, todos seus pupilos ainda estão de sobreaviso, curiosos e sem saber o que fazer. Keating olha para eles e faz um sinal, pedindo que os estudantes o acompanhem. Todos chegam a uma sala de troféus da escola, onde ao fundo podem ser vistas fotos de alunos, remontando ao início do século, fazendo-nos voltar ao começo das atividades da escola. Pede-se silêncio e, que a atenção de todos volte-se para os rostos de todos aqueles garotos que freqüentaram aquela tradicional instituição de ensino em outros tempos.

O que aconteceu com eles? Para onde foram? O que fizeram de suas vidas? Suas vidas valeram a pena? Perguntas como essas são lançadas aos alunos. Muitos ainda sem saber o que estariam fazendo ali, afinal, não era para estarmos estudando literatura inglesa e norte-americana?

Desconforto e desconserto. O personagem do professor Keating, vivido pelo eclético e versátil (além de extremamente talentoso) Robin Williams, conseguiu o que queria. Deixou seus alunos em dúvida. Iniciou seu relacionamento com eles tentando demovê-los de sua passividade, provocando-os a uma reflexão sobre a vida. Afinal, será que estamos fazendo valer nossa existência? "Carpe Diem", ou seja, aproveitem suas vidas, passou a ser como uma regra de ouro a partir de então para alguns de seus alunos, afinal, vejam o exemplo daqueles que já estiveram por aqui (retratados nessas fotografias esmaecidas, amareladas) e pensem se vocês querem que o tempo passe e vocês venham a se tornar "comida de vermes" em seus caixões sem que nada do que tenham feito por aqui tenha repercutido (como, acreditem, muitos desses jovens das fotografias o fizeram, deixando passar a vida sem perceber a riqueza contida na mesma).

Para fazer com que suas existências tenham valor vocês devem viver com intensidade cada dia que lhes é dado, cada momento que lhes é concedido, cada experiência a qual tem acesso, diz com sabedoria inconteste o ilustre mestre Keating. Por isso, repete, "Carpe Diem".

"Sociedade dos Poetas Mortos" foi, em seu ano de lançamento (1989), candidato ao Oscar em várias categorias, levou para casa o prêmio de melhor roteiro (com enorme justiça dado a Tom Schulman) e, para a decepção de muitos (entre os quais me incluo), não foi agraciado como a melhor produção daquela temporada. Uma injustiça irreparável tendo em vista a qualidade do roteiro, a mão sensível do diretor Peter Weir, a atuação de Robin Williams e do jovem elenco que depois ganharia notoriedade em outras produções pelas suas grandes habilidades dramáticas (principalmente Robert Sean Leonard e Ethan Hawke) e a fotografia excepcional com locações lindíssimas.

Como já se viu, trata-se da história de um grupo de jovens alunos que tem o privilégio de trabalhar com um professor visionário, de atitudes inesperadas, que os instigou a pensar por conta própria (o que lhe rende críticas dos colegas e da instituição) e que arrebatou-lhes os corações. Por ter sido aluno dessa escola, Keating teve sua vida acadêmica retratada nos famosos "Year books" das "high schools" norte-americanas e, entre as informações sobre esse nobre aluno, consta uma a respeito de ter participado de uma tal "sociedade dos poetas mortos". Essa informação desperta a curiosidade dos alunos, que lhe pedem informações acerca das atividades desse grupo. Informados de que se tratava de uma turma de alunos que se reunia para ler poesias e aproveitar tudo aquilo que aqueles grandes escritores tinham produzido para seu próprio prazer e engrandecimento, resolvem fazer com que a "Sociedade" ressurja.

Não é só a sociedade que retoma suas atividades, todos os alunos envolvidos se vêem as voltas com uma verdadeira renovação em suas existências, todos encontram novos interesses e vocações, todos parecem ter despertado de um sono profundo, de uma letargia tão envolvente que parecia tragar-lhes a juventude sem possibilidade de volta.

O professor Keating deu a eles uma oportunidade sem igual e, ao mesmo tempo, fez com que os estudantes fossem se encantando com a literatura (que nos fala daquilo que é essencial, verdadeiramente fundamental em nossas vidas, o amor, a amizade, a paz, a dor e as desilusões; segundo Keating, estudar para que nos tornemos advogados, engenheiros ou médicos é importante, mas o que torna nossas existências válidas tem a ver com o espírito, com o prazer e, a poesia, a literatura, são fontes riquíssimas nesses quesitos).

Ao lidarmos com adolescentes muitas vezes, por conta do excesso de atividades, dos programas extensos que temos que cumprir, das avaliações ou do nosso próprio descaso, deixamos de vê-los como pessoas em formação, que alimentam sonhos e fantasias (que muitos de nós parecemos ter esquecido lá atrás, no tempo de nossas próprias juventudes), que planejam verdadeiras revoluções (dizem que quando temos 16 anos queremos incendiar o mundo e que, ao chegarmos a idade adulta, nos tornamos bombeiros; a maturidade é saudável, no entanto, devo dizer que preservar alguns focos de incêndio acesos em nossos corações e mentes também é fundamental. Sonhar é preciso!) e que, necessitam desesperadamente de nosso apoio e orientação, de nosso carinho e atenção.

Keating incorpora nosso idealismo, nossa pureza de princípios. Os alunos simbolizam a força e a vitalidade do novo, dos elementos de transformação que esperamos venham a transformar esse mundo num espaço muito mais justo, mais equilibrado. Há no entanto, os choques com as forças conservadoras, com a opressão da ordem que não aceita desequilíbrios (mesmo sabendo-se que eles trarão recompensas e melhorias). Nesses confrontos nem sempre o que está por vir é o que gostaríamos que acontecesse.

"Sociedade dos Poetas Mortos" é um filme imperdível para quem ama a educação, para quem alimenta ideais de reformular, para quem tem um profundo respeito e preocupação com essa juventude com que trabalhamos. Discutir esses temas todos, reformular as nossas práticas, alimentar nossos sonhos, rever posturas e condutas e, principalmente, olhar para nós mesmos e para nossos alunos em busca daquilo que nos faça sentir orgulho do que fizemos em nossas vidas, vale o ingresso. Boa diversão e "Carpe Diem"!

domingo, 31 de outubro de 2010

Ser Professor



Difícil? Árduo? Humilhante? São tantos os adjetivos atemorizantes atribuídos à profissão de professor que, às vezes, me pergunto o que me leva a querer exercer tal tarefa. Já pensei, é claro, que a resposta poderia estar atrelada a algum distúrbio psicológico incurável ou a alguma desilusão momentânea que, certamente, passaria com o tempo. Não passou. Hoje já sei a resposta exata às minhas velhas perguntas. É amor.
É por ele, e com ele, que nenhum comentário do tipo: “Tanta inteligência dispersada...” ou “Você quer mesmo ser professor? Médico ganha mais!” nunca me desviaram do meu verdadeiro e real destino, o de ensinar. Pode ser muita pretensão, e peço perdão se o for, mas toda a beleza do ofício de salvar vidas dada aos médicos, a justa conduta de lidar com o certo e o errado dos advogados ou mesmo a destreza de centenas de pedreiros que constroem centenas de andares de luxuosos prédios, não carregam a beleza do ato de ensinar, de educar, de ser professor. Nada é mais belo que transmitir a outras pessoas tudo o que você aprendeu e vem aprendendo, pois isso faz de você alguém útil, além de comprovar as palavras de um velho ídolo literário, Oscar Wilde, que diz o seguinte acerca da vida: “Existir é fácil, por isso há tanta gente no mundo. Viver é que é difícil.”
Ver com seus próprios olhos, “olhos livres”, que as crianças, adolescentes ou jovens respondem positivamente aos seus ensinamentos não tem preço, é impagável. Um sorriso, uma pergunta excitada, a vontade de descobrir mais junto a você, tudo configura um prazer quase divino no simples ato de estar na sala de aula.
Um bom professor é também educador. Ele não se restringe à monotonia do quadro negro e do giz como únicos e intocáveis recursos de aprendizagem. No entanto, quando nos excitamos por demais podemos sofrer com a incompreensão, e às vezes inveja, dos colegas de trabalho ou pior: não ser compreendido pelos alunos. Se toda a beleza de ensinar já foi mencionada não se pode omitir o lado obscuro desta profissão, até porque todos somos feitos de luz e trevas. Noites a fio sem dormir em busca da aula especial e criativa para tornar o estudo de regras gramaticais velhas e chatas interessante e produtivo, horas de leitura no intuito de encontrar aquele texto que faz você gritar de euforia por saber que seus estudantes gostarão daquilo, acharão legal. Quem está fora deste universo não entende. Não pode entender. Não adianta. Só o educador que é responsável por salas de aula, alunos, pessoas com as quais ele se importa é que pode falar do que sente ao se deparar com a intolerância, libertinagem e desinteresse de um aluno. Se você, leitor, é aluno faça um esforço, reconhecendo os esforços dos seus verdadeiros mestres. Não o julgue pela sua euforia em sala, pelo monte de atividades que são direcionadas para sua própria formação pessoal ou pelos horários vagos que ele por vezes ocupa. Quer saber? Ele só é um pai solitário que quer estar com os filhos. É brega, sentimental, antiquado, meloso. É ser professor.
Eu, particularmente, já fui acometido por esta doença e morrerei em demasiada felicidade se nela estiver. Apesar dos pesares, das dificuldades, atribulações e desafios diários não vale a pena jogar tudo pela janela. Não sou fraco. De tudo, só o bom fica. Apenas os momentos da mais pura e verdadeira alegria, das conquistas, mudanças e revelações. Amo o que faço e amo as pessoas para as quais faço. Será eu algum herói por amar tanto isso tudo? Não, sou apenas um professor.