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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Identidade

Preciso ser um outro
Para ser eu mesmo
Sou grão de rocha
Sou vento que a desgasta.

sábado, 20 de novembro de 2010

20 de Novembro - Dia da Consciência Negra


Comemorado no dia 20 de novembro aqui no Brasil, o dia da consciência negra é mais uma oportunidade de por em xeque a questão do negro, sua inserção social e representação histórico-cultural. A data foi escolhida no intuito de coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1965. Mais do que uma simples "data comemorativa", este dia tem uma carga de necessidade e responsabilidade social por si só, pois pressupõe-se aqui que todos os dias 20 de novembro deveriam ser dedicados a homenagear a figura negra, suas identidades. No entanto, ainda estamos no momento de debater sobre a real situação dos negros e afrodescendentes em nosso país e mundo. E não de simplesmente comemorar.

Todos os anos, todos os dias, todas as horas renovo minhas esperanças de que a educação é o caminho mais eficaz e seguro na busca do respeito mútuo à diversidade étnico-racial e às identidades culturais, principalmente. O primeiro passo para que a educação étnica possa realmente ser algo real em nosso país é promover a implementação da Lei 11.645/08 nas escolas brasileiras. O seu texto é bem claro quanto à OBRIGATORIEDADE do ensino da história e cultura africana, afrobrasileira e indígena nas turmas de ensino básico e tecnológico público do Brasil. 

O principal desafio a que todos devem se propor vencer é estudar/ensinar as relações de diversidade cultural e étnica sem hierarquizá-las. Não há como falar de educação libertária com imposição de condutas pessoais em sala de aula ou em qualquer outro contexto. Exemplificando... o professor curte muito o forró de Luiz Gonzaga e não gosta nada de Aviões do Forró. Em sala, ele destrói o forró  de um e só fala do outro. A ideia não é bem essa, entendem? É óbvio que há muitas letras de Luiz Gonzaga que tratam de questões sociais, denúncia, vida pessoal e tal. Enquanto que nas letrinhas de Aviões isso não é tão efetivo. Trocando em miúdos, o papel do professor neste caso é apresentar ao aluno as origens do que ele escuta e gosta e, então, propor comparações e paralelos. É bem mais útil e libertário, digamos, pois o aluno não vai se sentir oprimido pelo seu profe. Uma saída interessante é mostrar o que há do forró de Luiz Gonzaga no forró de Xandinho e Solange, por exemplo. Ritmo? Instrumentos? Temática? 

A questão é que vivemos em uma sociedade em que a cultura de massa é sempre muito bem vinda para  maioria, no caso, a massa. E temos que ter jogo de cintura em sala de aula para lidar com isso sem menosprezar os conhecimentos prévios do aluno. Ele sabe, mas não sabe que sabe (na maioria das vezes). Una o útil ao agradável e promova o respeito à diversidade cultura, étnica e identitária!

sábado, 30 de outubro de 2010

A literatura negra no Brasil


Você já ouviu falar em literatura negra? E em literatura afro-brasileira? Sendo a resposta positiva ou negativa, seja bem-vindo ao universo daqueles que revelam, por meio de seus livros, o mundo de negros, negras, pretos e pretas afro – por mais redundante que isso possa parecer – existente no Brasil.

Brincadeiras à parte, quando se conversa com escritores negros de ontem e de hoje fica difícil nomear a arte que eles produzem. Como nomear essa vertente da literatura brasileira? O debate dá pano pra manga. Alguns defendem a ideia da nomenclatura “literatura afrobrasileira”, outros, a de “literatura negra”. Márcio Barbosa, coordenador do Quilombhoje, grupo de escritores paulistanos fundado em 1980, dá a sua versão sobre o assunto: “para mim, literatura afrobrasileira e negra são equivalentes, mas o termo ‘afrobrasileira’ é mais cultural, demonstra ter a preocupação de retratar a cultura brasileira como um todo”. Ser escritor no Brasil nunca foi fácil. De acordo com Oubi Inaiê Kibuko, que começou a escrever nos anos 80 e, atualmente, é editor do site Cabeças Falantes Online, “escrever sobre a negritude incomoda. O tema é contrário a uma ditadura cujo porão não deve ser aberto”. Mas, segundo ele, o movimento negro está crescendo cada vez mais e tendo continuidade com a juventude que permanece lutando pela identidade do povo negro. “Ver artistas como Akins Kinte e Elizandra Souza produzindo livros é como uma passagem de bastão”.

Uma prova deste crescimento da literatura em prol do Movimento Negro é a atual produção literária que enfoca as classes oprimidas pelas sociedade e que aborda o preconceito, em suas mil e uma faces, do ponto de vista do oprimido e não mais do opressor. São bons exemplos desta produção as obras “Cidade de Deus” (1997), de Paulo Lins, “Capão Pecado” (2005), de Ferréz, “Ninguém é inocente em São Paulo” (2006), de Ferréz, além de um vasto e rico acervo africano, que fica por conta de ícones da prosa fantástica africana como Mia Couto, Nelson Saúte, Abdulai Sila, Pepetela e Ondjaki.

Para Márcio Barbosa, o papel do escritor negro é dar testemunho da sua história e da sua cultura. “Tem que incomodar e provocar a reflexão. Tem que contribuir para um mundo melhor”, incita. Nesse sentido, o Quilombhoje, do qual Márcio faz parte, lançou, em 2008, a trigésima edição da antologia Cadernos Negros, criados em 1978 para dar visibilidade à produção de autores que não conseguiam espaço no mercado editorial. Inicialmente, a ideia da organização era resgatar a história de escritores do passado, porém, o projeto tomou forma e, ao longo de todos esses anos, conquistou espaço em lugares inusitados, como salões de baile e escolas de samba. A importância dos Cadernos para a cultura brasileira e, principalmente, para a cultura negra, é tão grande que o próprio poeta Akins Kinte começou a escrever depois que teve o primeiro contato com a publicação. “Os cadernos negros têm uma importância muito grande na minha vida”, relata ele.