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sábado, 11 de junho de 2011

Palavreando

Muda! Concerta-te! Subjuga-se!
Diante de tantas exigências, prefiro o calor
O calor da tua companhia, da tua palavra
Singela, simples, inexata
A vaguear por entre as suas, minhas, nossas ruas...

Muda! Concerta-te! Subjuga-se!
E se não quiser mudar? 
Se não preferir ser bom, adequado e cordial
Optar, então, pelo banal, radical, o que não é convencional?
Oh, todos dirão: 
"Cortem-lhe a cabeça! Joguem-no aos leões!
Egocêntrico, prepotente, revolucionário, um grande vão!"

Ao que reponderei:
Sim, irei! Sim, eu quero! 
Antes uma morte pela negação ao que não sou
A uma vida de fingimentos, um carnaval eterno
Onde a igualdade, os padrões, a moral e o convencional
Nada mais são que alegorias de tristeza, dor e decepção
Meros brinquedos na mão daqueles
Que insistem sem cessar 

Matam, Concertam, Subjugam
Querendo a todos mudar
E eu, em meu reduto de individualidade e sagacidade,
[aos olhos dos demais]
Caminharei sorridente junto à morte
Triunfante por saber,
Que apesar de você,
Amanhã há de ser
Não um outro
Mas um novo dia!

No meu quarto, ao silêncio da madrugada que aproxima-se.
Só escuto o silêncio das minhas palavras e da minha gatinha esparramada 
nos meus cadernos com a cabeça recostada em um querido exemplar
de "A Revolução dos Bichos", de Orwell.


terça-feira, 31 de maio de 2011

Professores apaixonados



Professores professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo. Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato. Apaixonar-se sai caro!
 Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista,dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria. Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.

Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito,das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão.
 Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
 Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro. Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança. Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração. Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.

Os professores apaixonados querem tudo.Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade.Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.

As canções que você fez pra mim

Hoje eu ouço as canções que você fez ora mim
Não sei porque razão tudo mudou assim
Ficaram as canções e você não ficou
Esqueceu de tanta coisa que um dia me falou
Tanta coisa que somente entre nós dois ficou
Eu acho que você já nem se lembra mais

É tão difícil olhar o mundo e ver o que ainda existe
Pois sem você, meu mundo é diferente, minha alegria é triste
Quantas vezes você disse que me amava tanto tanto
Tantas vezes eu enxuguei o seu pranto
Agora, eu choro só sem ter você aqui.

[...]

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Livro da Semana: "O Leitor", de Bernard Schlink





COMOVENTE, SUGESTIVO E ESPERANÇOSO

Michael Berg tem 15 anos quando inicia um obsessivo caso amoroso com Hanna, uma mulher enigmática, vinte anos mais velha. Os encontros entre os dois seguem um ritual: primeiro banham-se, depois ele lê fragmentos de Goethe, Dickens, Tolstói e Schiller, e só então fazem amor. Michael nunca chega a saber muito sobre a amante. Assim, quando ela desaparece de repente dando um fim abrupto àquele período de felicidade, ele se convence de que jamais a verá de novo.

Anos mais tarde, entretanto, ele a reencontra. Hanna é uma das acusadas por crimes de guerra e por várias mortes em um campo de concentração nazista. Michael, como estudante de Direito, acompanha o caso indeciso entre as lembranças da antiga amante e a indignação pelos crimes. Na tentativa de descobrir quem é a mulher que amou, ele gradualmente percebe que Hanna pode guardar um segredo que considera mais vergonhoso que homicídio. 

As páginas do romance trazem a lúcida pergunta: Como amar alguém que cometeu a maior atrocidade que o mundo já conheceu? O estilo de Schlink é limpo e despido de imagens e diálogos desnecessários, resultando em uma bela e austera narrativa sobre o esforço para preencher o vazio entre as gerações pré e pós-guerra na Alemanha, entre culpados e inocentes, entre palavras e silêncio. 

"O Leitor" é, desde "O Perfume", o romance alemão mais aplaudido nacional e internacionalmente.

sábado, 25 de dezembro de 2010

É Tempo de Refletir!



Mais um ano que está chegando fim e com isso mais um dezembro que carrega o prelúdio de um Feliz Natal e um próspero ano novo. Com o título do post, não quero resumir a necessidade de pensar e refletir sobre nossos atos e escolhas apenas ao período natalino, até porque isso seria um tanto improvável partindo de mim, já que acredito que a mudança real mora dentro da análise cotidiana das nossas atitudes enquanto seres viventes desta Terra. Não vou usar de hipocrisia para falar da data. É um momento muito esperado por mim, desde criança até agora, enquanto adolescente. As decorações, canções, troca de presentes... toda essa atmosfera que anuncia o dia 25 de dezembro sempre foi extremamente persuasiva em relação a mim e a outras tantas pessoas por aí.

Tenho procurado, ultimamente, afastar, em parte, a ideia de Natal das religiões. Admiro tanto a data e sua importância, que vejo como inadequado ligá-la completamente às religiões humanas, tendo em vista que estas veem entrando em declínio e desgraça; resultado da ambição e ganância daqueles que se dizem "Messias" da palavra divina entre os homens. Algumas igrejas, inclusive, têm passado pelo enfrentamento de processos condizentes a desvio de dinheiro e similares. E onde isso se passa? Nas ditas "santas casas". 

Óbvio também, que ainda existem pessoas que seguem acreditando em alguma religião e que são seres maravilhosos, responsáveis pela "não queda" dos pilares religiosos até então. São pessoas que fazem a diferença em meio a tanta dor, indignação e ignorância. Elas continuam lutando arduamente dentro de suas doutrinas para que o mundo ao seu redor possa ser um pouquinho, ou muito, melhor do que é agora. Eu saí desse meio para dar minha contribuição em outro, o qual acho mais relevante: o da educação.

Como descrever o Natal? É a data onde comemoramos o nascimento do menino Jesus, o nosso Salvador! Ele salvou a humanidade sim! E o que hoje vemos de ruim e de sujo entre os homens é produto das nossas escolhas e falhas. Fomos salvos uma vez. Então, no mínimo, deveríamos ter sido mais agradecidos e não ter deixado os homens caírem em desgraça como nos tempos atuais. Essa é a época mais propícia do ano para refletir sobre as coisas ditas, as escolhas feitas, as atitudes tomadas. É um tempo onde todos estão se preparando para o novo, o esperado ano novo. Cabe, então, refletir sobre quem fomos e quem queremos ser daqui para a frente. Se deixar abater pelas coisas tristes do mundo não é o objetivo aqui - Quero transmitir a simples mensagem de que devemos ser a mudança que queremos ver. Somos poucos? Sim, somos! Mas nenhuma revolução jamais existiu sem resistência. 

Desejo a todos os amigos e amigas, leitores (as) do blog, orkuteiros de plantão, twitters, facebookers e outros, um Natal de muita reflexão. Que todos possam refletir sobre o que essa data representa em sua essência e que a partir daí possamos ver com olhos livres o mundo ao nosso redor, sem nos prender a banalidades ao ideais distorcidos sobre o Natal, essa data que pouco tem a ver com religiões humanas; mas muito tem de ligação com o amor, a benevolência e a liberdade, virtudes do Pai atribuídas aos filhos e filhas como semelhança. Tenham todos um excelente dia e não esqueçam jamais de refletir...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Amizade



Amizade. É bonita, sincera em sua gênese e dificílima de encontrar por aí. É uma coisa do tipo que não se acha em qualquer esquina. É um valor muito pregado e propagado, mesmo que demagogamente, em nossa sociedade. Mas muito disso tudo é uma ilusão, que é doce até certo momento, até enquanto durem as máscaras e a verdade tão imprevisível apareça e pronto. A verdade é que hoje fazer bons e verdadeiros amigos não é fácil, pois as pessoas estão corrompidas por outros "valores", como o dinheiro, o poder e a inveja. Porém, sempre há uma luz ao fim do túnel para aqueles que acreditam em sua real existência. Ainda existem boas pessoas em nosso mundo e são dessas que poderemos nos valer, porque mesmo que vivam em pequeno número aqui em nossa Terra, sua beleza, bondade e justiça são tão grandes e virtuosas que chegam a dar as esperanças que nós cultivamos, muitas das vezes diferentes, assumo, mas sempre findando no ideal de um mundo que veja bem além da necessidade de poder e dominação. O sentimento de amizade é complexo de se descrever, talvez impossível. Reconhecemos a amizade não só pelas palavras que a descrevem, mas muito mais pelas sensações e emoções que ela irradia.

Durante toda a nossa vida conhecemos pessoas, em grandes e pequenos números. Fazemos ótimos amigos e amigas, que com o passar dos tempos são separados da gente, seja pelas nossas escolhas, seja pelas deles. O que fica é o que foi construído antes de cada um seguir um lado da vida. A gente acha que nunca vai se afastar, que sempre vai estar ali do lado, que seremos os melhores amigos do mundo até que a morte nos separe. Ilusão, infelizmente. As coisas mudam e as pessoas também, feliz ou infelizmente, que o seja. 

Interessante isso, pois mesmo já tendo passado por essas transições, agora me ponho à frente de outra dessas e ainda me parece tão estranho e me faz sentir tão mal. Mas bem, ao menos já sei o "porque" de me sentir assim. Novidade é que: paralela à transição de "perda" cresce o "ganho", pois em uma viagem recente feita com pessoas interessantes pude conhecer melhor gente que não tinha tido a oportunidade de conviver mais tempo antes. Amizades novas nasceram, expectativas também. Já penso que durarão para sempre! Estranho, não? Mas é... O que seria do homem se ele não se desse ao luxo de sonhar?

domingo, 31 de outubro de 2010

Ser Professor



Difícil? Árduo? Humilhante? São tantos os adjetivos atemorizantes atribuídos à profissão de professor que, às vezes, me pergunto o que me leva a querer exercer tal tarefa. Já pensei, é claro, que a resposta poderia estar atrelada a algum distúrbio psicológico incurável ou a alguma desilusão momentânea que, certamente, passaria com o tempo. Não passou. Hoje já sei a resposta exata às minhas velhas perguntas. É amor.
É por ele, e com ele, que nenhum comentário do tipo: “Tanta inteligência dispersada...” ou “Você quer mesmo ser professor? Médico ganha mais!” nunca me desviaram do meu verdadeiro e real destino, o de ensinar. Pode ser muita pretensão, e peço perdão se o for, mas toda a beleza do ofício de salvar vidas dada aos médicos, a justa conduta de lidar com o certo e o errado dos advogados ou mesmo a destreza de centenas de pedreiros que constroem centenas de andares de luxuosos prédios, não carregam a beleza do ato de ensinar, de educar, de ser professor. Nada é mais belo que transmitir a outras pessoas tudo o que você aprendeu e vem aprendendo, pois isso faz de você alguém útil, além de comprovar as palavras de um velho ídolo literário, Oscar Wilde, que diz o seguinte acerca da vida: “Existir é fácil, por isso há tanta gente no mundo. Viver é que é difícil.”
Ver com seus próprios olhos, “olhos livres”, que as crianças, adolescentes ou jovens respondem positivamente aos seus ensinamentos não tem preço, é impagável. Um sorriso, uma pergunta excitada, a vontade de descobrir mais junto a você, tudo configura um prazer quase divino no simples ato de estar na sala de aula.
Um bom professor é também educador. Ele não se restringe à monotonia do quadro negro e do giz como únicos e intocáveis recursos de aprendizagem. No entanto, quando nos excitamos por demais podemos sofrer com a incompreensão, e às vezes inveja, dos colegas de trabalho ou pior: não ser compreendido pelos alunos. Se toda a beleza de ensinar já foi mencionada não se pode omitir o lado obscuro desta profissão, até porque todos somos feitos de luz e trevas. Noites a fio sem dormir em busca da aula especial e criativa para tornar o estudo de regras gramaticais velhas e chatas interessante e produtivo, horas de leitura no intuito de encontrar aquele texto que faz você gritar de euforia por saber que seus estudantes gostarão daquilo, acharão legal. Quem está fora deste universo não entende. Não pode entender. Não adianta. Só o educador que é responsável por salas de aula, alunos, pessoas com as quais ele se importa é que pode falar do que sente ao se deparar com a intolerância, libertinagem e desinteresse de um aluno. Se você, leitor, é aluno faça um esforço, reconhecendo os esforços dos seus verdadeiros mestres. Não o julgue pela sua euforia em sala, pelo monte de atividades que são direcionadas para sua própria formação pessoal ou pelos horários vagos que ele por vezes ocupa. Quer saber? Ele só é um pai solitário que quer estar com os filhos. É brega, sentimental, antiquado, meloso. É ser professor.
Eu, particularmente, já fui acometido por esta doença e morrerei em demasiada felicidade se nela estiver. Apesar dos pesares, das dificuldades, atribulações e desafios diários não vale a pena jogar tudo pela janela. Não sou fraco. De tudo, só o bom fica. Apenas os momentos da mais pura e verdadeira alegria, das conquistas, mudanças e revelações. Amo o que faço e amo as pessoas para as quais faço. Será eu algum herói por amar tanto isso tudo? Não, sou apenas um professor.