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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A música das palavras



“Agora não há outra música
senão a das palavras”. (SARAMAGO, 1995, p.290)        


            Não se pode falar em vida, sem falar em literatura. Entender o poder das palavras, através do poder do amor pela educação e pelos estudos da sua língua materna é uma belíssima forma de relacionar a importância de cuidarmos da vida com a necessidade insaciável de conhecer e descobrir, que é inerente a nós, seres humanos.
As palavras, junto aos sons e aos silêncios que emitem, são ferramenta da abstração humana, da capacidade de poder ver com olhos livres, o que não é o mesmo que olhar as obviedades da vida. Rubem Alves já dizia isto, quando colocava que o que mata um jardim são estes olhares de indiferença de gente sem sensibilidade. Assim, são estes emaranhados de letras, agrupados em sílabas e com unidades fonéticas que marcam sua sonoridade, que a literatura existe. A arte de tocar o lado mais humano e metafórico de cada pessoa através da graça que o ato de escrever proporciona àqueles que enfrentam o medo de jogar no papel a sua alma e nos brindam com textos sensíveis e lindíssimos é uma capacidade digna, apenas, de todos. Sim, de todos, pois tendo consciência, ou não, disso, somos pautados em sentimentos e emoções, bons e ruins. E o que é a literatura, senão a transcrição do que sentimos para pedras, pergaminhos, folhas de papel perfumadas e, com o advento das tecnologias, para as páginas da internet?
Abrir os olhos de uma criança para a beleza do mundo que a cerca é tarefa árdua em nossa vã contemporaneidade. A superficialidade das relações humanas vem crescendo e dificultando o “enxergar” das pessoas. Porém, as crianças me soam diferente de tudo isso. Elas carregam um fascínio próprio pelo que é belo, pelo que é literatura por si só. Dessa forma, ver com seus próprios olhos, que as crianças, adolescentes ou jovens respondem positivamente aos seus ensinamentos não tem preço, é impagável. Um sorriso, uma pergunta excitada, a vontade de descobrir mais junto a você, tudo configura um prazer quase divino no simples ato de estar na sala de aula.
A vida é um bem precioso e que deve ser cuidado. O problema, geralmente, é que muitos não sabem como cuidar, como cativar. Talvez, deixar-se cair no infinito universo de mundos que a leitura e os livros podem proporcionar, diante da vida superdenotativa que vivemos, seja um jeito profano e espiritual, sublime e revolucionário, de cuidar da vida. Tu te tornas responsável por aquilo que cativas, ensinou-me um pequeno principezinho dos livros. Usar a arte das palavras para gracejar a vida é cativar este bem.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O PROFESSAURO

Meu encanto pela educação e pelo ato de ensinar, aprender e "professar" renova-se diariamente junto aos meus meninos, mas esses dias o encantamento foi mais que aguçado, podendo dizer que foi reavivado! Uma das minha últimas aquisições, o livro "Seja o professor que você gostaria de ter", de Serrano Freire, é um balde de ânimo em cima de todas as injustiças e humilhações pelas quais passam os professores brasileiros. É, na verdade, o conjunto de textos que tratam da beleza e da magia da nossa profissão que tenho lido até então. Um capítulo, em particular, chamou minha atenção. Um que trata dos "professauros". Vamos à leitura, então:

"Costumamos chamar de PROFESSAUROS aqueles ainda chamados de professores, mas que já abandonaram seus ideais, seus sonhos e que estão em sala de aula apenas para cumprir uma programação, ou, como diríamos no futebol, apenas para cumprir a tabela. Não querem chegar a lugar algum, não querem mudar nada. Só servem para atrapalhar nossos ideais e fazer com que a nossa educação, não alcançando suas metas, seja desrespeitada e desvalorizada por tantos.

Mas eles existem.
Observem os sintomas a seguir e, se encontrar na sua escola alguém assim... cuidado!

O PROFESSAURO:
1. Reclama de Tudo - Está sempre insatisfeito, parece mal-amado. Reclama do calor, do salário, dos alunos, das férias que não chegam. Nunca está na turma do "vamos fazer". Gosta mais do grupo "não vale a pena".

2. Adora dar aula sentado - É só chegar na sala e se esparrama na cadeira. Já chega cansado. Desse jeito, não valoriza o seu trabalho, ignora seus alunos e demonstra desconhecer o mínimo sobre comunicação. Quando cansa da cadeira, senta na mesa. Pobres alunos...
3. Culpa os alunos pelos fracassos que são seus - O professor é o líder e o gerenciador de tudo que acontece em seu espaço e local de trabalho. Cabe a ele criar o ambiente de motivação, despertar entusiasmo e interesse dos seus alunos. Professores assim só querem ser responsáveis pelos resultados obtidos por alunos de sucesso. Quando encontram um ex-aluno, agora, professor, médico ou advogado, dizem cm natural orgulho: "Foi meu aluno". Mas, quando o aluno não obteve o mesmo êxito, apresam-se a dizer: "Não queria nada com os estudos".

Você é responsável, sim, pelo sucesso dos seus alunos, tanto quanto pelos seus fracassos. Pense nisso. Quando seu aluno é reprovado, todo o processo precisa ser reavaliado. Aliás, a ideia de avaliação escolar deve passar pela análise do processo e não do resultado isoladamente.
4. Detesta novidade - Ele fica louco quando alguém tem alguma ideia e o convida para colocá-la em prática. Quando você chega de um congresso cheio de ideias e novidades, ele é o primeiro a dizer: "Isso não vai dar certo. Estou na educação há muito tempo e nunca deu certo". Ele não consegue mais sonhar e, também, não quer ver ninguém sonhando perto dele. O sonho dele é puxar você para baixo, para sua imobilidade.

Resista!

5. Suas aulas são sempre iguais - Passa ano, entra ano e não muda nada na aula dele. É tudo igual. Sempre a mesma coisa, a mesma falta de criatividade, a mesma falta de interesse, repetindo até as mesmas palavras. Não aprendeu nada nos últimos anos, não leu nada, aliás, normalmente nem gosta de ler. É fácil encontrá-lo. Fala pouco e, aparentemente, concorda com tudo, para não chamar a atenção. Quando leciona em turmas de 1º ao 5º ano costuma ficar sempre na mesma série. Mudar de série implicar reaprender, e isso, para ele, é horrível.

6. Vive pensando na aposentadoria - É mais do que legítimo o direito de, depois de tantos anos de trabalho, encontrar o descanso merecido. Mas você deve sair de cena com dignidade, cumprindo até o último momento suas obrigações com entusiasmo e profissionalismo, deixando um gostinho de saudade. Aposente-se com orgulho pela história que você construiu e não como uma fuga.

Alguns profissionais quando estão perto da tão sonhada aposentadoria, na realidade, primeiro, aposentam seus espíritos, passam a andar na escola como zumbis, depois aposentam seus ideais, deixam de manifestar interesse pela profissão que elegeram para suas vidas. No mínimo, ingratidão.

7. Sofre da Síndrome de Gabriela - Quando convidado a mudar, a fazer coisas diferentes, a buscar novas estratégias, costuma dizer, atolado na sua zona de conforto: "Eu nasci assim, eu cresci assim, vou sempre assim, para sempre assim". É a própria Gabriela!

8. Adora atestado médico - Em algumas cidades, chega perto de 30% o percentual mensal de afastamento de professores com atestado médico. Apresentam atestados pelos mais variados motivos. Muitas vezes, problemas sérios e verdadeiros e outros nem tanto: dor de barriga, unha encravada, paixão recolhida etc. Provavelmente, essa profusão de atestados médicos deve-se também à existência de alguns medicossauro do sistema. 

Precisamos ter cuidado com o PROFESSAURO. Ele é perigoso, chega de mansinho, vai tomando espaço e, quando você se dá conta, não consegue andar sem tropeçar em algum. Previna sua escola, coloque avisos na sala dos professores e fique alerta. Em caso de suspeita, consulte a sua consciência.

domingo, 5 de junho de 2011

Você tem cuidado do meio ambiente?



Ser professor, em minha opinião, é mais alegria que tristeza! Por isso, meus meninos me fazem um teacher super feliz e realizado a cada dia que passo junto deles. Leiam o texto abaixo e digam vocês se ser professor é mais doloroso que prazeroso.

 Hoje em dia, todas as florestas estão sendo desmatadas pelo homem. Ele parece uma máquina de destruição e o pior é que está destruindo a si mesmo e sabe o que está fazendo. Ele não tem pena da natureza e não poupa sua vida e a Mãe Natureza sofre muito com tudo isso. É por isso que acontecem tantos problemas, atualmente. A natureza está se revoltando contra nós - os seres humanos. Ela se revolta com tsunamis, terremotos, deslizamentos de terra e com enchentes, que cada vez ficam mais fortes. Sem o meio ambiente não podemos viver!

Nós temos que aprender com a natureza e não destruí-la. Temos que preservá-la com mais cuidado e compreensão, pois só assim poderemos entendê-la! Será que é tão difícil proteger a Mãe Natureza? Hoje, qualquer um pode ajudar a preservar o meio ambiente e evitar a poluição de rios, florestas e ar. As pessoas jogam papel, garrafas plásticas e outras coisas nas ruas e vias públicas e isso não está certo, porque lixo é pra ser jogado no lixo ou reciclado. Se todos soubessem disso, acho que a situação da natureza melhoraria um pouquinho, bem mais do que hoje. Preserve a natureza! Preserve a vida na terra, que cada vez mais fica mais curta.

Hoje, a natureza geme em dores de parto. Por isso, preserve a vida, preserve o planeta!

Texto produzido por Laryza Rodrigues de Siqueira
Aluna do 7º ano da Escola Municipal Adalberto Nobre de Siqueira
Assentamento Tabuleiro Alto, Ipanguaçu, RN. 

terça-feira, 31 de maio de 2011

Professores apaixonados



Professores professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa de que podem mover o mundo. Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltiplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato. Apaixonar-se sai caro!
 Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista,dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria. Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.

Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito,das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão.
 Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
 Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro. Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança. Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração. Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.

Os professores apaixonados querem tudo.Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade.Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.

domingo, 29 de maio de 2011

O fim do mundo que espere!




Que conversa é essa do mundo acabar em 2012? O fim tem até data marcada: 21/12/2012. É a terrível "Profecia Maia", que com o final do seu calendário prevê desastres e cataclismas naturais. Tem até filmeco em cartaz “ensaiando” o fim do mundo para daqui a três anos. Pode parar! Sem chance. Esqueçam. Minha agenda está lotada para 2012. Infelizmente não vai dar para estar presente nesse “fim do mundo”, podem mudar o ano. Não me interessa se o holocausto final é uma projeção dos Maias, ou dos cineastas bons-de-bilheteria, ou de astrólogos-mal-humorados, ou de qualquer outra pajelança planetária, aliviem, não vai dar para ser em 2012…
Imagine se vou perder a festança literária que vai rolar no circuito França-Argélia com os 100 anos de nascimento de Camus. Imagina! Olha se dá pra perder em 2012 o pá-daqui-pá-dali que vai acontecer em Salvador no centenário do nosso Jorge Amado! A Bahia vai fritar no 12. Sem falar no bicentenário de Charles Dickens,  talvez o mais popular romancistas inglês do século XIX, que tem festival sendo organizado há quase uma década. Imagina se dá pra perder tempo com fim do mundo…
As artes plásticas também vão brilhar com o centenário do pintor Jackson Pollock, uma das maiores referências do movimento expressionista do século XX, e um ícone da cultura norte-americana. O lenga-lenga de que tudo acaba em três anos vai ter que mudar. Em 2012, a filosofia e a literatura vão parar, e não vai ser pelo fim do mundo, mas pelos 300 anos de nascimento de Rousseau, isso mesmo, o “cara”, Jean-Jacques Rousseau. Olha que tempo de glória, e se não bastasse, no mesmo ano, vamos também comemorar os 250 anos de publicação de sua obra máxima, "O Contrato Social" (1762).
Mas não é tudo. Para quem já está “arrumando as malas para o fim”, lembro que em 2012 também tem festa pelo centenário de Bram Stoker (Drácula), pelos 120 anos de nascimento de J.R.R. Tolkien (O Senhor dos Anéis), e pelos 150 anos do compositor Claude Debussy e do pintor Gustav Klimt. É mole? Sem falar na quantidade de “festas oceânicas” que vão rolar pelos 100 anos do bye-bye Titanic. Que fim que nada… 
O pessoal que gosta daquela bagunça olímpica também não vai ter tempo de achar uma Arca, têm os Jogos de Londres 2012, e quem estiver por lá terá também oportunidade de sentir as comemorações pelo Jubileu de Diamante da Rainha Elizabeth II. O Reino Unido vai virar de cabeça pra baixo. Concertos no Hyde Park com Rolling Stones, Paul McCartney e Led Zeppelin já estão agendados, tudo free. O fim de mundo em 2012 é impossível, pelo menos em Londres, ou em Nova York, que tem agendada uma monumental festa para inauguração da Freedom Tower, obra que substituirá as Torres Gêmeas.
Vou estar em todos os cantos, em todos os pólos, em todas as artes. Vou ver tudo de perto. Ou de longe, se a verba faltar, se a saúde conspirar, ou se a vida me aprontar. Onde estarei ao certo, não sei, mas não contem comigo para o fim do mundo de 2012. Os Maias que me desculpem mas podem reagendar. Tentem 2014, só vai ter Copa do Mundo no Brasil mesmo… nem ligo pra futebol…



sexta-feira, 27 de maio de 2011

Palavras apenas, palavras pequenas

Se algum dia...
... nos separarmos, lembre-se que nunca esquecerei do quão feliz fui ao seu lado.
... te magoar, me fale, pois assim implorarei perdão.
... meu sorriso de apagar, sorria para mim, para que eu possa ver na luz do seu sorriso a chave da importância do mer.
... me esquecer, não me esqueça de todo, tá certo? Esqueça meu nome, face, profissão, endereço, telefone e orkut.
... você esquecer tudo isso que foi mencionado aí atrás, lembre-se da minha presença espiritual.

E se um dia eu for muito feliz (mais do que sou hoje), jamais esqueça: De qualquer felicidade em minha vida, você fará parte nem que platonicamente! De qualquer alegria, tu serás parte, serás palavra e pensamento!

Ora, intrigante a vida, não?
Como pode?
Um menino véio e inexperiente querendo bancar amizade bonita com poetiza mega erudita!
Quem já viu?
Uma mulher de fibra, força e garra atrelada a um rapaz que nada tem a dar senão doses de mimo e petulância bem equilibradas!
O que há nisso tudo?
Ora, se não é de scraps no orkut que o mundo viverá...
Então que viva da poesia e da arte, da emoção e do sentimento, do vivo e do quente que eles podem causar!

12 de maio de 2011
21h44min
No meu reduto

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Individualismo e falta de humildade?

Nosso destino é fruto, muitas vezes, das nossas próprias escolhas. Somos postos diante dessas desde cedo e o quanto mais rápido aprendermos o poder que elas têm sobre nós, menores, possivelmente, serão os desentendimentos futuros em relação ao que você julga "adequado" ou "inadequado" em qualquer assunto. Quando escolhemos o que é certo, ao invés do que é fácil, não estamos simplesmente sendo "bons samaritanos". Ao entender o valor das escolhas coerentes e da influência dessas sob a vida de muitas pessoas subjugadas à pobreza, à humilhação e à ignorância e, além disso, levá-las à prática, deve se ter em mente que existirão vários grupos de diferentes pessoas unidas através de um único objetivo: resistir à mudança, à boa mudança. As resistências variam de acordo com o "ethos" de cada indivíduo, o que na realidade se apresenta por meio da forma como este irá se mostrar contrário ao que está sendo proposto. As situações são variadas e inusitadas, e partem desde o simples desprezo silencioso a atitudes mais claras, como induzir outros indivíduos à alienação e ao conflito político em defesa de ideologias distorcidas e fundamentadas em banalidades. Definitivamente, não é fácil ser diferente. O diferente é chocante e vem, acima de tudo, quebrar algum paradigma, seja ele qual for! Quem intenta mesmo diante das advertências óbvias das forças resistentes tem, ou deveria ter, ideia dos obstáculos a serem criados com o objetivo de não acabar o império da estagnação e do mesmo de sempre de cada dia. As razões que podem levar alguém a ter esse tipo de comportamento são diversas e envolvem, principalmente, o contexto em que as mesmas receberam educação; isso gira em torno, na verdade, de um questionamento perturbador, que nem todos têm coragem para se propor - "Que educação eu aprendi" e "Que educação eu dou". No entanto, nas ideias de contexto e situação de ensino expostas, é necessário que também se entenda que as pessoas estão vivendo em pleno século XXI - a dita "era da comunicação". Não podemos simplesmente  fechar os olhos às alterações que os métodos arcaicos e ultrapassados de uma educação secular, por exemplo, vêm sofrendo. Não há nomeação mais útil nesse caso do que "negligência" - ato ou ação de fingir que o que está acontecendo não está acontecendo. Quando questionadas sobre tais posicionamentos, os indivíduos da cortina de ferro da resistência contrapõem argumentando em cima de um ponto que fere até os mais libertários possíveis em relação à sua posição e ideologias como um todo - "Será que você não está sendo egoísta, manipulador, egocêntrico, individualista ou até mesmo esteja agindo sem qualquer humildade ao implementar ideias revolucionárias?" Ora, o sentimento de culpa dá e passa, porque quando vemos com olhos mais racionais e menos emocionais é perceptível que é bem mais fácil culpar alguém pelo o que eu não me proponho a fazer. É bem mais fácil fazer as pessoas se sentirem mal por coisas que eu faço, ou desfaço, acontecer. É muito mais fácil alegar que as pessoas que se envolvem dos pés à cabeça com os ideais libertários em busca de uma educação, de fato, libertadora façam isso sem um resquício de humildade com o intuito de menosprezar todos ao seu redor e, além disso, de promover a imagem pessoal de profissional perfeito, sem falhas. A questão agora é: que caminho seguir? O caminho das palavras fáceis de serem ditas ou das ações corretas e árduas de serem realizadas?

domingo, 14 de novembro de 2010

2ª SEMANA DE LÍNGUAS - EMANS




Secretaria de Educação de Ipanguaçu
Escola Municipal Adalberto Nobre de Siqueira
Assentamento Tabuleiro Alto/Ipanguaçu, RN

CONVITE

            “A literatura salva!”, já dizia Clarice Lispector. E é por total reconhecimento ao prazer de ler e à sua importância em diversos contextos, que os alunos de 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental II da Escola Municipal Adalberto Nobre de Siqueira (Tabuleiro Alto) estarão realizando a 2ª edição do projeto “Semana de Línguas”, tendo como tema nessa nova apresentação “A magia da palavra no limiar da Literatura Fantástica”. Com base nas leituras de textos de fantasia como “O Pequeno Príncipe” (6º ano), “Harry Potter e a Pedra Filosofal” (7º ano), “Alice no País das Maravilhas” (8º ano) e “As Crônicas de Nárnia” (9º ano) a 2ª exposição literária guarda surpresas belíssimas que exalam por si só os aromas da boa leitura, da leitura prazerosa. Sua participação é muito importante dentro desse evento das letras! Por isso, temos a honra de convidá-los (las) a vir prestigiar os trabalhos dos (as) alunos (as) durante as atividades a serem realizadas nos os dias 24, 25 e 26 de novembro/2010

Atenciosamente,
André Magri Ribeiro de Melo
(Professor de Língua Portuguesa e suas literaturas & Cultura do RN)
Andréia Laureano
(Supervisora Escolar do Ensino Fundamental - Anos Finais)

PROGRAMAÇÃO DO EVENTO:
24/11 – Quarta Feira
25/11 – Quinta Feira
26/11 – Sexta Feira
13h30min – Abertura Oficial
13h30min – Sessão de Comunicação Oral
13h30min – Abertura da 1ª Gincana Literária da EMANS.
14h00min – Exposições e visitação da comunidade escolar.
14h30min – Palestra: “Usos e sentidos da Literatura Fantástica em sala de aula”
16h30min – Cerimônia de premiação da gincana literária, Olimpíada de Língua Portuguesa 2010 e Concurso de Redação.
16h00min – Apresentações Culturais (6º, 7º, 8º e 9º anos – EF II).
15h30min – Oficina: “A Fantástica Fábrica de Jogos no ensino de Línguas”
17h15min – Baile Fantástico (apenas para alunos do EF II e equipe escolar).

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Com vocês, o espetáculo da negação!


"Não dá certo!", "Não gosto disso", "Os alunos não vão aprender nada com isso!", "É perda de tempo!", "Eu mesmo nem vou!". Chega! Escutar essas lamentações típicas de professores acomodados e preguiçosos ao extremo de vez em quando ainda vai. Agora, diariamente é dose! Conviver todos os dias com as demonstrações científico-tecnológicas dos queridos colegas de que alunos de escolas municipais e públicas estão destinados ao fracasso e que não vão aprender nada além de metade da tabuada, uma classe gramatical aqui e outra aculá e, com sorte, os pronomes do verbo Tobby é o máximo que esse povo acha que eles irão aprender, né? Pois tá certo! Digo e repito: "PROFESSORES VITIMADOS SÓ PODEM TER ALUNOS ALGOZES!"

A pérola da "prole universitária" da vez surgiu durante uma reunião pedagógica quinzenal, junto à supervisão escolar. Foram discutidos vários pontos, desde os diários de classe até à situação dos possíveis candidatos à reprovação no final do ano letivo. Falou-se também sobre a participação da escola nas festividades do 62º aniversário da cidade, onde haverá o famoso Desfile Cívico com o tema: "A África da luta, do revide e da libertação: Ipanguaçu agora conta a história de uma nação". O tema que coube à escola foi relacionado à ancestralidade dos cultos africanos. Em outras palavras, religião. A supervisora dos anos finais do EF propôs que trabalhássemos em sala os conteúdos antes mesmo de começar a pensar em alas, figurino e tal, ponto de extrema relevância no ensino dos meninos. Proposto isso, vamos aos comments:

"Olhe, eu acho tudo isso uma besteira! Uma grande perda de tempo! Pra quê esses alunos estudarem essas coisas lá do outro lado do mundo? Onde é que isso vai alterar a realidade deles? Isso tudo é só faixada! Ninguém aprende nada, pode ter certeza!"

"Vixe! Não gosto desses negócios de orixás não! O Senhor me livre, mas isso não é coisa de Deus."

"Bem, eu posso até passar na sala pros alunos, agora Deus que me livre e tire da minha cabeça qualquer lembrança disso tudo. Ó, Senhor Jesus. Isso não é coisa do Senhor não."


É, eu estou em choque! OH, MY GOD! Com professores assim, quando é que a educação brasileira vai mudar? Onde vamos com tanta discriminação, intolerância e burrice? Dentre muitas das opiniões que formei com base nos disparates aí em cima eu só posso concluir uma coisa: conhecimento vai  dar no inferno! Por isso, o convite à burrice foi lançado! E que vençam os mais fracassados. 

Todas as ótimas perspectivas que eu tinha a respeito da formação universitária foram pro beleléu tem um tempo, pois eu pensava que nas universidades as pessoas eram instruídas a pensar, a aprender a ensinar e formar cidadãos críticos e pautados no respeito às diversidades culturais, sejam elas de cunho religioso, artístico, social ou sexual. O que esses (as) professores (as) disseram é o cúmulo do absurdo. Isso é simplesmente jogar todas as fichas a serem depositadas no sonho da educação libertária no lixo! Questionei um (a) deles (as) sobre a importância de os alunos negros e pardos, principalmente, terem ideia de sua identidade cultural e do porque, por exemplo, de terem traços físicos similares como textura do cabelo, contorno facial e cor da pele, mostrando que isso era um das contribuições que a escola e, certamente, os professores deveriam dar para os alunos, tendo em vista os altos índices de racismo, preconceito e discriminação para com os afrodescendentes. Resposta... Tchanrã! "Você acha que isso vai acabar o racismo? Isso não vai ensinar nada a eles!". A partir daí, eu realmente vi que não havia motivo para continuar participando da reunião, onde a supervisora e meu colega professor de Língua Inglesa eram os únicos a pensar como eu. A forma como a religião deixa as pessoas burras e cegas é absurda. O ruim disso tudo é você ter de ser ético e seguir convenções morais em relação ao que pretende falar. Você quer falar coisas do tipo: "Olha, deixa de ser ignorante, sua pedra! Você tá fazendo o que por aqui? Se não quer dar aula, vai ser jardineiro, coveiro ou policial, mas se afaste da educação!" No entanto, o máximo que você "deve" dizer é: "Bem, discordo da sua opinião e não vejo fundamentos pedagógica e educativamente construtivos nela!" Não é pra se morder? Mas paciência um dia acaba, e aí, bem, não sei se vou manter o salto no lugar. 

O pior é que quem perde com tudo isso são quem? Os alunos! Os alunos que têm DIREITO à boa educação e formação cidadã! Os alunos que merecem RESPEITO por parte de seus educadores, sem serem tratados como água de vaso sanitário! Os alunos que DEVERIAM TER uma educação étnico-racial pautada nos princípios do respeito da diversidade, onde a cultura é algo que não deve se mostrar hierarquizado. Mas o que temos, infelizmente, são uns tantos teachers como os que deram origem à minha revolta escrita aqui no post.

Mas existe uma coisa que me faz rir dessa situação toda, pessoal. E é o seguinte: em cada uma das minhas turmas, do 6º ao 9º ano, foram criados grupos de estudo em História , Cultura e Identidade Africana e Afro-brasileira, onde os alunos do interior, carentes, menosprezados, desacreditados e humilhados estão estudando literatura de ícones da prosa fantástica africana, lendo fundamentos teóricos de estudiosos da negritude e, é claro, analisando o conceito de "identidade" do Stuart Hall. Bem, os profes continuam na deles lá, só com o velho e carcomido livro didático. Trocando em miúdos, os alunos agora continuam sendo do interior e carentes, mas além disso são valorizados, engajados, assíduos, estudiosos e sensíveis! Melhor correrem, licenciados! O pessoal da zona rural tá passando anos luz de vocês, humana, acadêmica e cognitivamente falando!


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Na palavra, a comoção.

"A literatura salva", já dizia Clarice Lispector, grande entusiasta das letras. Morrerei em defesa de tal propósito, de tal missão. Ensinar as belezas e maldades, virtudes e desvirtudes e os demais paradoxos que a vida nos propõe viver é algo tão belo e motivador. E toda a magnitude do ato se renova quando se utiliza a literatura para falar disso. Sou muito jovem ainda para saber todas as técnicas, teorias e fundamentos da prática docente. Mas creio que já tenha o principal, que é amor pelo que faço. Por vezes, todas as chateações e mágoas familiares e acadêmicas são sanadas quando me ponho na companhia dos meus alunos. É, no mínimo, intrigante tal sensação, tendo em vista que minhas crianças do 6º e 7º anos do Ensino Fundamental II têm uma péssima mania de falar muito alto. 

Eu devoto muito de mim para eles, porque acredito que estas são sementes que darão belos frutos mais tarde. E a literatura é minha aliada nessa batalha, o que tenho comprovado a cada dia e cada minuto, com coisas como as que lhes apresentarei logo abaixo:


"Há pouquíssimo tempo tive a oportunidade de desfrutar de uma excelente leitura, que me fez rever todos os meus conceitos, tanto sobre o real, como também sobre o imaginário e isso só foi possível graças a uma pessoa em especial. Por isso, quero aqui deixar escrito meu muito obrigado a esse ser de luz, que mesmo eu não merecendo nem agradecendo, não se deu por vencido, mas ao contrário do que eu imaginava me deu, talvez, a maior alegria de toda a minha vida. 'As Crônicas de Nárnia' não é apenas um livro, é o caminho para a realização do meu maior sonho. [...]"



Estou em estado de choque até agora, porque nunca esperava escutar tais palavras de ninguém. "Ser de Luz". Meu Deus, quando eu li isso fiquei um momento sem poder dar continuidade ao resto do texto, de tão impactado emocionalmente que estava. Pode soar estranho para alguns tanta "comoção" de minha parte, mas não há outro jeito de lhes falar o que passei, pois indiquei o livro em sala, trabalhamos juntos, organizamos exposições para a comunidade escolar e, enfim, quando peço (aos alunos) que descrevam em poucas palavras suas experiências como leitores das crônicas de C.S. Lewis me deparo com isso. Amanhã, irei abraçar a esta aluna (sim, foi uma menina do 9º ano) e agradecê-la pelo que ela me fez com suas palavras. E, certamente, direi do quão feliz estou com ela. Não pelas palavras em relação à minha pessoa, simplesmente. Mas por já poder, tão jovem, compreender o real caminho da "salvação".

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A palavra e suas proezas

Antes de escrever qualquer coisa sobre o título que propus a esta postagem, gostaria de agradecer imensamente os comentários de afeto, reconhecimento e carinho de Andréia, Bruno, Jailma e Layze. Saibam, vocês também são a causa de este espaço existir hoje. Obrigado!
É extremamente gratificante escutar das pessoas (de um grupo bem pequeno e seleto) o quão importante é o ato de ensinar! Os meninos e meninas mencionados lá em cima me causaram com suas palavras um tipo de "orgasmo cognitivo", utilizando-me aqui das expressões de uma educadora fantástica, Priscila Aliança. Bem, hoje gostaria de apresentar a vocês um dos vários resultados que tenho obtido com o trabalho de professor de Língua Portuguesa que desenvolvo na Escola Municipal Adalberto Nobre de Siqueira, localizada na zona rural do município de Ipanguaçu. 

Segue abaixo o texto de Francisca Jaine Monteiro da Silva, aluna do 7º ano EF (leia-se Ensino Fundamental) II, sobre o "antigamente". Após a leitura, vocês poderão avaliar, mas não sentir o mesmo que eu (infelizmente) o que o uso das palavras pode nos render, o que a literatura guarda de proezas, sejam elas ínfimas ou gigantescas. Leiam, é só o que tenho a dizer.

“Os namoros de antigamente”

            Em uma tarde dessas, estive visitando minha avó Maria Bento da Silva, que mora na comunidade de Nova Descoberta, para que pudéssemos conversar um pouco. Bem, a minha querida avó falava que as filhas dela namoravam em um banquinho de carnaúba que tinha ao lado da porta da casa dela. A situação não se assemelhava nem de perto aos namoros de hoje em dia. O moço pegava na mão da moça, se conversava muito, porque se tinha interesse em saber da vida do outro a que se amava. O cavalheiro sempre trazia uma balinha, cortesia para agradar e amolecer a sogrinha. Quando tinha uma festinha e o rapaz convidava a moça, mas isso só era depois de alguns meses de namoro, minha avó conta que sempre ia junto. Enquanto eles ficavam dançando juntos a noite toda, do outro lado estava lá em pé e de olho aberto, no pé deles, a minha vó. Ela não saía da festa de jeito nenhum, tinha que ficar vigiando os “pombinhos” para evitar e ter certeza de que eles não iriam aprontar nada. Ah, e ela ainda diz que não podia mesmo sair de perto da filha, porque se vovô descobrisse ficaria furioso! Bem, toda essa rédea curta, em minha opinião, pode ter funcionado com algumas mulheres da família, menos com uma das minhas tias, que com seus 22 aninhos de idade fugiu de casa com o namorado. Nem preciso dizer que a ira se personificou na cara de vovô e minha avó, ah, essa ficou felicíssima. Disse-me que não era de acordo com aquela “prisão” toda para com as meninas e achou isso bom para mostrar a ele que quando se quer algo, ninguém pode impedir que se consiga. Hoje, minha tia vive feliz no Mato Grosso do Sul com suas três filhas, que, aliás, já estão todas noivas. O grande amor da minha mãe, pai das meninas, infelizmente morreu há alguns anos atrás.