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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A música das palavras



“Agora não há outra música
senão a das palavras”. (SARAMAGO, 1995, p.290)        


            Não se pode falar em vida, sem falar em literatura. Entender o poder das palavras, através do poder do amor pela educação e pelos estudos da sua língua materna é uma belíssima forma de relacionar a importância de cuidarmos da vida com a necessidade insaciável de conhecer e descobrir, que é inerente a nós, seres humanos.
As palavras, junto aos sons e aos silêncios que emitem, são ferramenta da abstração humana, da capacidade de poder ver com olhos livres, o que não é o mesmo que olhar as obviedades da vida. Rubem Alves já dizia isto, quando colocava que o que mata um jardim são estes olhares de indiferença de gente sem sensibilidade. Assim, são estes emaranhados de letras, agrupados em sílabas e com unidades fonéticas que marcam sua sonoridade, que a literatura existe. A arte de tocar o lado mais humano e metafórico de cada pessoa através da graça que o ato de escrever proporciona àqueles que enfrentam o medo de jogar no papel a sua alma e nos brindam com textos sensíveis e lindíssimos é uma capacidade digna, apenas, de todos. Sim, de todos, pois tendo consciência, ou não, disso, somos pautados em sentimentos e emoções, bons e ruins. E o que é a literatura, senão a transcrição do que sentimos para pedras, pergaminhos, folhas de papel perfumadas e, com o advento das tecnologias, para as páginas da internet?
Abrir os olhos de uma criança para a beleza do mundo que a cerca é tarefa árdua em nossa vã contemporaneidade. A superficialidade das relações humanas vem crescendo e dificultando o “enxergar” das pessoas. Porém, as crianças me soam diferente de tudo isso. Elas carregam um fascínio próprio pelo que é belo, pelo que é literatura por si só. Dessa forma, ver com seus próprios olhos, que as crianças, adolescentes ou jovens respondem positivamente aos seus ensinamentos não tem preço, é impagável. Um sorriso, uma pergunta excitada, a vontade de descobrir mais junto a você, tudo configura um prazer quase divino no simples ato de estar na sala de aula.
A vida é um bem precioso e que deve ser cuidado. O problema, geralmente, é que muitos não sabem como cuidar, como cativar. Talvez, deixar-se cair no infinito universo de mundos que a leitura e os livros podem proporcionar, diante da vida superdenotativa que vivemos, seja um jeito profano e espiritual, sublime e revolucionário, de cuidar da vida. Tu te tornas responsável por aquilo que cativas, ensinou-me um pequeno principezinho dos livros. Usar a arte das palavras para gracejar a vida é cativar este bem.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

123º Aniversário de Fernando Pessoa


Aos que imprimem em suas palavras e ações a essência da poesia intrínseca em cada um de nós.
Que o ilustríssimo ícone da Literatura Portuguesa, em seu 123º Aniversário, possa revirar-se em seu descanso eterno de júbilo e regozijo ao saber que existe um mundo que chora, emociona-se e indigna-se com outros mundos - graças à sua poesia, graças à sua maestria no ato de tecer grandes teias de vida com palavras...

Posso ter defeitos, viver ansioso
e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida
é a maior empresa do mundo,
e posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
mas ser capaz de encontrar um oásis
no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã
pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica,
mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, 
um dia vou construir um castelo...

Fernando Pessoa

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Desarrollar el hábito de la lectura en la escuela primaria

Un requisito fundamental de la actividad pedagogica es hacer que el niño adquiera las destrezas de lectura y tenga acceso a la información disponible en los medios impresos. La introducción a la lectura hace que el niño entienda la imagen gráfica, ya sea verbal o no verbal, representado en cualquier tipo de apoyo, de modo que pueda mejorar el conocimiento sobre la lengua y desarrollar sus habilidades motoras y capacidades cognitivas . De ahí la pertinencia y la necesidad de presentar propuestas y trabajar para mejorar la lectura, dada la deficiencia en este ámbito establezcan un problema que afecta a muchos niños en los primeros grados de la escuela primaria.
La pregunta es: ¿Cómo desarollar el deseo por la lectura en los niños de la escuela primaria? Esta discusión debe hacerse con cautela y sensibilidad. Usted debe repensar la forma de trabajar el lenguaje, con énfasis en las prácticas de lectura en el aula. Dejando de lado las técnicas y métodos que se despectivos para actualizar y proponer cambios. Sin esta percepción por parte del profesor, por lo que los cambios deseados por todos, con lo que se refiere a la lectura, no se observó. Los niños necesitan nuevos estímulos y educadores de los nuevos métodos. El primer paso es extinguir la idea de que la escuela se reduce a las paredes o muros que lo rodean. Usted debe aprender y enseñar a la escuela es la segunda casa de los estudiantes. Allí, deben estar preparados para el mundo.
La enseñanza de la lectura en Brasil está empatado en la conciencia de los responsables de la educación, en su conjunto en el país. Por lo tanto, el placer de la lectura, interpretación y aventuras mágicas escritas para leer y entender libro leído, sólo, de hecho, parte del perfil de los niños brasileños, mientras que funcionarios del gobierno y los administradores de la educación en nuestro país entiendan la importancia de invertir en la educación de nuestros hijos y también que las inversiones de este tipo no puede ser considerado un "daño", sino como "ganancia", porque la riqueza de un país es un reflejo de su nivel de educación.
Por lo tanto, fomentar y desarrollar el hábito en los estudiantes, en este caso de la escuela primaria - los primeros años, es algo esencial para su formación, y este tipo de información se centra en la importancia de la lectura en su vida debe ser mostrado y discutido por el profesor. Este trabajo de transmisión de la mejora de la lectura y la escritura debe ser tomada en serio, que debe ser tenido en cuenta la realidad de los estudiantes. Vale la pena la esencia del acto de leer (¡Salve, Paulo Freire!), Independientemente de la lectura entre los géneros: clásico de la literatura mundial o publicidad de tiendas de juguetes expuestos en la vía pública. Lo que merece la pena es el acto de  leer!

Desenvolvendo o hábito da Leitura no Ensino Fundamental - Anos Iniciais



Um dos requisitos fundamentais da atividade pedagógica consiste em fazer com que a criança adquira capacidade de leitura e tenha acesso às informações disponíveis em meios escritos. A iniciação à leitura faz a criança compreender a imagem gráfica, seja ela em linguagem verbal ou não-verbal, representada em qualquer tipo de suporte, a fim de que ela possa aperfeiçoar os conhecimentos acerca da língua materna e desenvolver sua coordenação motora e habilidades cognitivas. Daí, a relevância e necessidade de propostas e trabalhos de melhoramento da leitura, haja vista a deficiência nessa área configurar um problema que atinge muitas crianças nas séries iniciais do ensino fundamental.

A questão é: Como despertar o desejo pela leitura nas crianças do Ensino Fundamental - Anos Iniciais? Essa discussão deve ser feita com cautela e sensibilidade. Deve-se repensar a forma de trabalhar a língua, com ênfase nas práticas de leitura, em sala de aula. Desapegar-se das técnicas e métodos pejorativos para atualizar-se e propor mudança. Sem essa percepção, por parte do professor, as alterações tão desejadas por todos, no tocante à leitura, jamais serão observadas. As crianças necessitam de novos estímulos e os educadores, de novas metodologias. O primeiro passo é extinguir a ideia de que a escola resume-se aos muros ou paredes que a cercam. É necessário aprender e ensinar que a escola é a segunda casa dos educandos. Lá, eles devem ser preparados para o mundo.

O ensino de leitura no Brasil está empatado pela consciência daqueles que são responsáveis pela educação, como um todo, no país. Assim, o prazer pela leitura, a interpretação de aventuras escritas e a magia de ler e compreende livro lido, só serão, de fato, parte do perfil das crianças brasileiras, quando os representantes governamentais e os gestores da educação de nossa pátria entenderem a importância de se investir na educação de nossas crianças e, ainda, que investimentos desse gênero não podem ser tidos como "prejuízos" e sim como "lucros", até porque a riqueza de um país é o reflexo do nível educacional dele.

Assim, incentivar e desenvolver o hábito nos educandos, neste caso do Ensino Fundamental - Anos Iniciais, é algo essencial à formação deles, e esse tipo de informação focalizando a relevância da leitura na vida deles deve ser mostrada e discutida pelo docente. Esse trabalho de encaminhamento à leitura e aperfeiçoamento das habilidades de escrita deve ser feito com seriedade, onde deve ser levada em conta a realidade dos alunos. Vale aqui a essência do ato de ler (Salve, Paulo Freire!), independente do gênero da leitura: clássico da literatura universal ou anúncio publicitário de lojas de brinquedos expostos em vias públicas. O que vale é ler!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Palavreando

Os venenos da vida correm nas mãos de quem mais amamos e os grandes remédios de meros desconhecidos. 
Interiorizemos esta cruel realidade. O pensar em forma de escrita é um bom remédio para os males do mundo 
interior. Não ter medo de olhar para dentro de nós próprios.

Cry me a river

Agora você me diz que está sozinha
E eu te digo que partilho do mesmo estado
Onde você pode chorar como um rio?
Eu, sim, chorei um rio apenas por você.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Paulinho, o menino que escreveu uma nova história.

 Será que um menino nascido no Recife, órfão de pai aos 13 anos, poderia ler a própria história e escrevê-la de um jeito diferente? Pois foi isso o que Paulinho fez.

Ao tornar-se professor, procurou ler de modo compreensivo não só os livros, mas também as questões do mundo e os olhos das pessoas, dialogando com todos para aprenderem em comunhão. Paulo Freire olhou as dificuldades do povo oprimido e enxergou novas possibilidades, ajudando com seu trabalho a alfabetizar milhões de jovens e adultos do Brasil e de muitos lugares do mundo que não tiveram oportunidade de frequentar uma escola.

No mais novo título de publicação da Cortez Editora no segmento de Literatura Infantojuvenil,  "Paulinho: o menino que escreveu uma nova história", de Mere Abramowicz e Silmara Rascalha Casadei" é uma história belíssima voltada para o público infantil, em que é contada a história de vida de um dos mais sublimes e iconográficos educadores dos últimos tempos, que por sinal é brasileiríssimo e nordestino, muito bem e obrigado!, o Sr. Freire. Com um texto leve e encantador, a obra é capaz de informar muito bem os nossos leitores mirins, juntamente com os não-mirins, além de apresentar os principais aspectos da trajetória marcante do educador idealista, sonhador e transformador de realidades. Obviamente, as ilustrações de Marco Antonio Godoy são deliciosas de ver e enchem os olhos pela qualidade e expressividade que denotam as imagens. É uma obra completa, digo, já que funde o verbal e o não-verbal de forma lógica, instigante e atrativa

Apesar de ser indicada ao público etário infantil, "Paulinho" é uma história que pode agradar qualquer pessoas, principalmente, se falamos de pessoas que trabalham com educação. Aliás, "trabalham" é um pouco limitador demais - vejamos outro termo... Opa! Encontrei: O livro é indicadíssimo para pessoas que AMAM trabalhar com educação, porque para essas o ato de educar e ensinar a aprender não se restringe a uma mera profissão que rende alguns dividendos, mas a uma missão árdua e difícil, que justamente por tais motivos é tão sublime, bela e reveladora. 

Meus amigos amantes do "educar", agradeço a Paulo Freire, em nome de todos vocês e do meu, certamente, pela oportunidade de conhecer e levar ao conhecimentos dos meus alunos a história de vida de um professor inspirador. Thanks, Paulinho!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Livro da Semana: "O Leitor", de Bernard Schlink





COMOVENTE, SUGESTIVO E ESPERANÇOSO

Michael Berg tem 15 anos quando inicia um obsessivo caso amoroso com Hanna, uma mulher enigmática, vinte anos mais velha. Os encontros entre os dois seguem um ritual: primeiro banham-se, depois ele lê fragmentos de Goethe, Dickens, Tolstói e Schiller, e só então fazem amor. Michael nunca chega a saber muito sobre a amante. Assim, quando ela desaparece de repente dando um fim abrupto àquele período de felicidade, ele se convence de que jamais a verá de novo.

Anos mais tarde, entretanto, ele a reencontra. Hanna é uma das acusadas por crimes de guerra e por várias mortes em um campo de concentração nazista. Michael, como estudante de Direito, acompanha o caso indeciso entre as lembranças da antiga amante e a indignação pelos crimes. Na tentativa de descobrir quem é a mulher que amou, ele gradualmente percebe que Hanna pode guardar um segredo que considera mais vergonhoso que homicídio. 

As páginas do romance trazem a lúcida pergunta: Como amar alguém que cometeu a maior atrocidade que o mundo já conheceu? O estilo de Schlink é limpo e despido de imagens e diálogos desnecessários, resultando em uma bela e austera narrativa sobre o esforço para preencher o vazio entre as gerações pré e pós-guerra na Alemanha, entre culpados e inocentes, entre palavras e silêncio. 

"O Leitor" é, desde "O Perfume", o romance alemão mais aplaudido nacional e internacionalmente.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Alice e as maravilhas de seu legado

Alice no País das Maravilhas é daqueles livros que resistem a infinitas leituras sem nunca perder a graça, pois sempre têm algo a mais a dizer, um novo detalhe a apresentar, uma palavra a ensinar. A história da linda menina de vestido rodado que vive aventuras num lugar estranho com gente esquisita é uma das mais lidas, traduzidas, adaptadas, encenadas e filmadas. Parece uma fórmula simples, mas não é: há quase 150 anos, a obra-prima escrita pelo inglês Lewis Carroll cativa leitores e intriga estudiosos em busca de respostas para os seus enigmas. Não é à toa que o cinema já a tenha apresentado diversas vezes.

A mais recente empreitada cinematográfica é assinada pelo norte-americano Tim Burton, que dirigiu também "Batman", "Edward Mãos-de-Tesoura" e "Noiva Cadáver", entre muitos outros filmes encantadores e... um pouco estranhos. Produzida pela Disney, a nova versão de "Alice no País das Maravilhas" chega aos cinemas brasileiros em 21 de abril. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, onde já estreou, ficou em primeiro lugar nas bilheterias por várias semanas consecutivas.

A febre atual gerada pelo filme foi além da trilha sonora: invadiu desde lojas de roupas e assessórios até objetos de arte, bolos de festa - todos fazendo referência massiva às personagens dos contos protagonizados por Alice - "No País das Maravilhas" e "Através do Espelho", este escrito por Carroll logo depois do primeiro. Assim, o Gato que sorri, o Chapeleiro Maluco e a Rainha de Copas andam estampando bolsas, sapatos e camisetas e por aí afora.

Será que todos que estão hipnotizados por esses objetos - e que verão o filme - conhecem a real origem desse frenesi? Há só uma maneira de tirar a prova: lendo o livro.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Filme da Semana: "Alice no País das Maravilhas"


"Alice no País das Maravilhas", um dos contos fantásticos mais famosos do mundo e de autoria de ninguém menos que o britânico Lewis Carroll, ganhou este ano uma genial adaptação cinematográfica que ficou por conta do diretor Tim Burton, conhecido pela sua genialidade em retratar mundos de fantasia de forma ainda mais atraente, além de atribuir toques de delicadeza, diversão e emoção quase que simultaneamente em suas produções. O senhor de quem vos falo também esteve na direção de outros longas como "A Fantástica Fábrica de Chocolates (2005)" e "A Noiva Cadáver (2009)".

Nessa nova adaptação para o cinema do texto de Carroll, a inovação está presente! Burton agora traz Alice ao País das Maravilhas com 19 anos de idade sem nenhuma lembrança "real" da última viagem que ela havia feito ao lugar onde as maravilhas estão vivíssimas aos 7 anos. A chegada ao mundo da fantasia pura não podia ser diferente, pois é através da toca do coelho que Alice novamente cai em um buraco quase sem fim até dar início à sua nova jornada. Lá, nossa personagem tão querida, e agora um pouco mais velha, terá de enfrentar as forças opressoras da Rainha Vermelha, a vilã da história, também conhecida como "Rainha de Copas". No entanto, com a ajuda do Chapeleiro Maluco, dos Tweedles e da Rainha Branca, em especial, Alice não estrá sozinha em sua missão - missão esta que até ela desconfia de ser dela mesmo!

Façamos menção aqui aos figurinos que beiram a perfeição dos personagens desse filme, com destaque para os belíssimos trajes da Rainha Branca (Anne Hathway), Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter) e Alice (Mia Wasikowska). Johnny Depp, que deu vida ao Chapeleiro Maluco, também possui vestimentas atraentes e vivas, que só vêm a contribuir positivamente para sua atuação dentro da história. As performances mostram a essência da delicadeza das palavras de Carrol em seu livro, pois o elenco escolhido por Tim é constituído por grandes profissionais do cinema norteamericano e britânico conhecidos (as) por suas excelentes atuações e premiações oriundas de outras produções do cinema. O mesmo sucesso dos personagens "humanos" é dado às "criações" computadorizadas, como o Gato Cheshire, com seu sorriso de orelha a orelha, cheio de enigmas e insinuações.

Esse novo olhar sobre "Alice no País das Maravilhas" é, no mínimo, criativo! A ambientação, a trilha sonora, o elenco, os figurinos - tudo combina com a excepcionalidade da história de Lewis Carroll. Este é um filme indicadíssimo para aqueles e aquelas que gostam de se dar o prazer de sonhar, mesmo que só às vezes. É para os amantes do jeito intimista e mágico de Lewis Carroll escrever e, ainda para todos e todas que têm paixão pela literatura e pela arte. É para poucos (as), admito. Que tal, então, ser mais um (a) do grupo? Assista e comente sua opinião aqui, ela será bem vinda.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Livro da Semana: "Sete ossos e uma maldição", de Rosa Amanda Strausz

Dizem que a emoção mais forte e mais antiga do mundo é o medo, precisamente o medo do desconhecido. Rosa Amanda Strausz apostou nisso e escreveu 11 contos de terror de deixar o coração acelerado e a respiração entrecortada. Nada explícito ou de mau gosto, como sangue espirrando e miolos saltando. Pelo contrário, é tudo sugerido, e a imaginação de cada leitor é que se encarregue de formar as cenas macabras. Exemplo disso é o conto que abre o livro: "Crianças à venda. Tratar aqui". Nele, uma mãe miserável e oportunista resolve vender os filhos para, em primeiro plano, melhorar sua vida e, em segundo plano, a de sua prole. No entanto, quando vende o último filho, Fabiojunio, a felicidade esperada não vem, pelo menos para a criança. A irmã mais velha, Simara, desconfia dos compradores e depois, quando chegam as fotos de Fabiojunio na nova residência, ela acha muito estranha a expressão do menino. Convicta de que há algo de errado naquela história, resolve investigar e o que descobre é bastante aterrorizante. Rosa A. Strausz é jornalista, formada pela UFRJ. Além dos livros que escreve, produz textos e roteiros para diversos meios (jornais, publicidade, rádio, multimídia, hipertexto, etc.). Também edita o portal Doce de Letra, que é o maior em língua portuguesa sobre literatura infantil. Segundo ela própria: "Estou sempre procurando um novo jeito de olhar, e escrever para crianças e adolescentes é quase consequência natural de viver procurando pontos de vista diferentes. Dar oficinas e palestras para professores e crianças é outro jeito de buscar esse olhar glutão: é no contato com o meu público que troco as lentes e encontro novos jeitos de ver." 

Medo. Um medo avassalador, sutilmente construído. É isso que vocês irão sentir quando penetrarem na atmosfera de terror deste livro. Sem escapatória, completamente seduzidos, irão entender que não haverá mais volta. Para sempre. Maldição? Talvez redenção. A escolha é de vocês!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A literatura de Poe: liberdade vs. fatalidade


Nas narrativas de Poe, está em curso uma imaginação livre, moderna e poderosa. Há sempre um sujeito muito claro que enuncia o relato e está sempre em cena uma linguagem que "Aparece", como diria Foucault. Esta marca de vincada subjetividade torna-se visível, por exemplo, no conto "Silêncio", que dá corpo a um curioso diálogo entre o demônio e o narrador, junto ao túmulo deste último, sob o pano de fundo de uma paisagem que se vai alterando. Metamorfose que por si se explica como se fosse um ato que não carece de criador ou explicativo: é este mesmo o cerne do emergir literário.

O modelo de diálogo onde o demônio intervém surge em outras narrativas como, por exemplo, em "O Gato Preto" (J'adore! =]). O trânsito entre a vida e a morte torna-se aí realmente chão, direto e, sobretudo dissociado da parábola ou do caráter de alegoria ou "exempla", o que jamais aconteceria nas literaturas pré-modernas que sempre separaram a esfera do divino e a esfera dos homens. Os personagens de Poe são sempre sujeitos ativos que edificam, matam ou redimem, sendo tão-só guiados pelo que resulta das virtualidades literárias da imaginação e da linguagem. O mesmo pressuposto de jogo criativo viria, no futuro, a revelar-se no cinema em alguns dos mestres do expressionismo cinematográfico alemão, como Fritz Lang ou Murnau.

Em Poe, a cena ficcional é sempre atraída por uma ideia de fatalidade, ao fim e ao cabo um modo de questionar os sentidos que a então recentíssima vida moderna e urbana colocava em marcha. Ao longo de séculos, as providências haviam acautelado a harmonia entre os deuses e os homens, mas agora, separados dessa junção protetora, os personagens de Poe mais não fazem do que profeticamente prenunciar - passe a redundância - a negatividade do sujeito moderno, tão do gosto de Baudelaire, Nietzsche ou Ortega Y Gasset, etc.

Em contos como "Ligeia", "Gato Preto", "O Rei peste", "Berenice" ou "Eleanora", a fatalidade acompanha toda a trama e chega mesmo a ser assinalada pela voz que narra: "Já não era capaz de me reconhecer. A minha alma original pareceu fugir-me de repente do corpo"; ou "Falarei apenas daquele aposento, para sempre amaldiçoado ao qual, num momento de loucura, conduzi como minha esposa - como sucessora da inolvidável Ligeia - a minha loura (...)".

Ao contrário dos monstros e "portenta" que, no imaginário pré-moderno, eram habitantes de um alhures legitimado de modo metafísico, nas narrativas de Poe a topografia das monstruosidades e fantasmas abre-se à empatia do quotidiano, sendo fruto de um puro jogo da linguagem literária. Tal ocorre, quer através de um olhar que filtra o ambiente das novas cidades e as novas visibilidades do quotidiano, quer através de um olhar preso à idealidade romântica e gótica que visiona ruínas medievais e espectros desolados. Literatura de fusão feita a partir de uma simbiose de olhares, como se vislumbrasse uma espantosa intuição do tropo fotográfico, fenômeno, também ele, emergente e contemporâneo da obra e da vida do autor.

[Texto de Luís Carmelo]

sábado, 4 de dezembro de 2010

Livro da Semana: "A alegria de ensinar", de Rubem Alves.


Rubem Alves é um grande ídolo particular meu. Escreve sobre educação sem hipocrisia ou demagogia, pois é um verdadeiro educador. Em um dos seus livros que tratam de questões voltadas à educação, "A alegria de ensinar", podemos perceber o quanto somos por vezes incoerentes com nossos professores, enquanto alunos, e com nossos alunos, enquanto professores. A tarefa de ensinar, segundo Rubem, não é fácil e, aliás, tem de ser difícil e árdua mesmo. É assim que as pessoas valorizam as coisas, quando sofrem para obtê-las. No entanto, não é porque a tarefa é um veraddeiro desafio, que não possa ser executada com alegria e dinamismo.Alegria - é o que tem faltado nas nossas escolas, nos nossos docentes e alunos. Geralmente, não se vai mais à escola por prazer. As crianças e adolescente cumprem regras secas e ditatoriais em sala, como, por exemplo, não refutar a opinião do professor, ser todo poderoso e sagrado em sala. Muitos professores apenas vão cumprir horário, porque o que importa para eles é receber seu salário ao fim de cada mês. É preciso, segundo o autor, estabelecer nas instituições de ensino o sentimento de alegria, incitar as pessoas a estudarem e ensinarem por amor, prazer. Não é algo muito complexo. Imaginem se em todo as aulas, ou na maioria delas, cada professor entrasse em sala sorrindo, feliz, contente por estar ali? Como seria se todos os professores se colocassem em pé de igualdade cognitiva com seus alunos? Pensem como seria ver todos os professores se auto-avaliando e propondo que os seus alunos também o avaliassem? Nesse livro, Rubem Alves nos põe de frente para esses questionamentos e é isso que a alegria de ensinar propõe. Ele também fala dos heróis anônimos, os professores e professoras, que fazem o melhor todos os dias em suas salas, se preocupando com seus alunos e instigando-os a amar o conhecimento. São esses heróis e heroínas que merecem destaque, pois trabalham alegres, apesar de tantas atribulações que perpassam a atividade docente. "A alegria de ensinar" é uma obra indicada a todos que desejam saber como ser alegres, como seduzir os alunos na educação com a alegria e, fazem de tudo, para aqueles que partilham do sonho de uma educação cada vez mais inclusiva e alegre.

Orgasmo educacional & Orgulho do aprendizado - parte 2

A crença de que é na educação que atingiremos a verdadeira liberdade é disseminada por aí já tem um tempo. Certamente, não é a maioria das pessoas que condiz com os ideais libertários na educação; muitos porque nem os conhecem, outros por receio de aplicá-los e saírem frustrados da experiência e outros por simples ignorância e alienação mesmo. Isso tudo (principalmente o último grupo de profissionais citados), obviamente, tem uma certa carga negativa sob o desenvolvimento da educação libertária. Mas para por aí! Porque quando se acredita em algo verdadeiramente, com muita força e determinação e se luta por isso, se chora, se dança e ri por isso também, as coisas acontecem. Estejam certos, porque venho tendo a comprovação de tudo que falei a algum tempo, o que não tornas minhas palavras vazias e utópicas. 

Os alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental - Anos Finais da Escola Municipal Adalberto Nobre de Siqueira (escola onde leciono Língua Portuguesa e Cultura do RN) estão todos de parabéns pelo esforço que veem empregando nas atividades do projeto "Semana de Línguas" e 2 edições até então realizadas - "Literatura de Terror: uma visita à elegante essência do medo" & "A magia da palavra no limiar da Literatura Fantástica". Não existe sucesso de fato sem trabalho. O único lugar onde, provavelmente, o sucesso venha primeiro que o trabalho é nos dicionários. Meninos e meninas dessas turmas, sob orientação da minha pessoa, da nossa grande parceira na escola, a supervisora Andréia Laureano, bem como da professora Francisca das Chagas e do professor Nilson Lima, puderam analisar as diversas formas de manifestação e representação social que uma língua pode assumir. Livros, músicas, filmes, vídeos, fotografias - são inúmeras as maneiras de analisar aspectos da Língua Portuguesa, e de quaisquer outras, em sala de aula. 

Os "parabéns" se estendem além do esforço e sucesso do projeto "Semana de Línguas" entre os alunos e alguns poucos professores da escola! Ontem recebi a notícia de que nosso projeto havia ficado em 1º lugar no PRÊMIO CONSTRUINDO A NAÇÃO 2010-2011, na classificação dos projetos de "Destaque Social" (projetos com menos de 1 ano de atuação), onde concorremos com cerca de 200 projetos de todo o Brasil, com ênfase nas regiões sul e sudeste, onde os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul eram maioria com número de projetos inscritos. Estou irradiando até agora! Emocionado, nervoso, feliz, eufórico - tudo junto. Já chorei, ri e dancei o que podia e o que não podia com os meninos, pois essa conquista está na história e será lembrada por eles até o fim da vida. Não é drama, vejam só: projetos de grandes escolas privadas e escolas públicas das regiões mais desenvolvidas do país não tiveram seu projetos selecionados em 1º lugar, mas uma escolinha localizada no interior RN, na cidade de Ipanguaçu e, ainda, distante 22km do centro da cidade consegue arrebatar tal classificação. É de fazer os olhos de qualquer pessoa, que seja sensível, brilharem e lacrimejarem. Muito, muito, muito orgulhoso mesmo do quanto aquelas crianças evoluíram e de que como o esforço delas em crescer e mudar suas realidade e a do mundo ao redor delas. Tudo isso através da leitura, da literatura. É encantador e gratificante ver no que termina simples indicações de livros para leitura em sala e em casa. Parabéns meninos, vocês merecem cada coisa que conquistam!

É depois de experiências como essas que entendo cada vez mais qual é o meu papel por aqui, nesse mundo. É com amor, dedicação e senso libertário que se constrói um educação centrada e coerente. É por acreditar nos alunos, no desenvolvimento e trabalho deles que é possível conseguir tais resultados em condições tão adversas. "Eu amo meu trabalho".

Para finalizar, ontem foi encerrada a 2ª edição da Semana de Línguas, que teve como tema a Literatura Fantástica. O evento foi iniciado na quarta-feira (01/12) com as exposições e apresentações culturais baseadas nos livros "O Pequeno Príncipe" (6º ano), de Antoine de Saint-Exupéry, "Harry Potter e a Pedra Filosofal" (7º ano), de J.K. Rowling, "Alice no País das Maravilhas" (8º ano), de Lewis Carroll e "As Crônicas de Nárnia" (9º ano), de C.S. Lewis. Na quinta-feira (02/12) aconteceram as oficinas sobre a história da literatura de fantasia e de como utilizar jogos pedagógicos em aulas de Língua Inglesa e Língua Espanhola. Ontem, (03/12), nossa 2ª Semana de Línguas foi encerrada com o baile fantástico, onde todos os alunos, e eu (é claro!), dançamos muitos, praticamente até entrar em coma. Foi maravilhoso, nos esbaldamos mesmo com as music dance do momento e, ainda bem, que muitos de vocês, leitores e leitoras, não me viram ontem, pois meus estado físico e psicológico não condizia nada com minha postura formal de sempre. Me diverti muito com os meninos e comemoramos nossas vitórias ao longo deste ano letivo. Eu propus a revolução, os alunos aceitaram e, assim, botamos a cara na praça! Resistência? Só o que houve, claro.  Até ontem, em plena comemoração e encerramento do nosso projeto, as pessoas do "contra" e do "nada dá certo" e do "tudo isso é uma besteira" quiseram mostrar suas asinhas! Mas, ressalto, só quiseram, pois o baile aconteceu, foi um sucesso, os meninos curtiram muito e quase morri de dançar, mas cumpri minha meta de dançar com todos os cento e bolinha alunos e alunas para os quais leciono.  Sabem, já me importei mais com essas pessoas, tentei ser solidário, mas nada deu muito certo. Então, não estou nem aí para nenhuma delas, o que me importa são os alunos, é para eles, e só para eles, que tudo isso é pensado e feito, e os demais que continuem em suas confabulações no intuito de destruir nosso movimento pela educação libertária através da literatura, até porque, como bem dizem o título do post e minha pretty English teacher Pri Aliança, "não existe revolução sem resistência". E bem, enquanto eles resistirem, nós revolucionaremos. Quando eles pararem... é sinal de que ganhamos mais uma batalha!

domingo, 28 de novembro de 2010

O Evento Cinematográfico de 2010


"Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1" é uma obra prima do cinema que vai além das expectativas criadas por cerca de 1 ano e meio de intensos períodos de gravação nos estúdios Leavesden ou nas florestas, e demais locações, da Grã-Bretanha. Diferente do que muitos críticos céticos já pressupunham antes mesmo do lançamento, a primeira parte do final épico do maior estrondo literário em décadas é clara e objetiva na transmissão de suas mensagens, o que somado aos belíssimos figurinos, como foi o caso do vestido de casamento de Fleur Delacour e dos trajes de gala dos protagonistas Harry, Rony e Hermione, e à excepcional trilha sonora de Alexander Desplat, que aguçou ainda mais o tom de emoção, humor e perigo da cada cena, nos rendeu uma produção cinematográfica memorável e digna do status de "clássico". 


Para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de ler os textos de J.K. Rowling, mas assistiram a todas as adaptações para o cinema, o entendimento das sequências desse novo filme da série pode se tornar um pouco difícil, devido à grande quantidade de fatos e situações que acontecem durante as quase 2 horas e meia de duração do mesmo. Porém, nada que uma boa memória e percepção geral da história (no caso de quem assistiu apenas aos filmes) resolva, já que a destreza do roteirista Steve Kloves, junto à direção espetacular, e nada hollywoodiana, de David Yates contribui muito para que o filme não seja "um emaranhado de cenas e mais cenas, que não tenham nada a mostrar e dizer realmente", nas palavras do Sr. Prof. Pasquali - é, aquele mesmo que só fala em gramática e tal. 


As atuações de Daniel Radcliffe (Harry Potter), Emma Watson (Hermione Granger) e Rupert Grint (Rony Weasley) nunca estiveram melhores. Os atores evoluíram bastante em vários aspectos, que vão desde encenação e expressão facial até a total imersão no universo emocional de cada personagem, o que é bem perceptível em vários momentos da história. É uma grande viagem, onde as crianças cresceram e têm nada menos que a missão de procurar e destruir as horcruxes, objetos criados a partir de magia negra, que contêm pedaços da alma do bruxo mais poderoso de todos os tempos, Lord Voldemort. Nossos protagonistas não possuem nenhuma pista, mapa ou caminho certo, inicialmente, em relação à localização desses objetos, o que dificulta sua procura e causa conflitos entre o trio, como a discussão entre Harry e Rony, que acaba na partida deste último até determinado ponto da produção. 


O filme faz juz ao livro, pois é até agora a produção mais verídica em relação à história escrita sem sombra de dúvidas. No entanto, o acréscimo de cenas especiais, que vinha dando errado, de certa forma, nas outras 6 adaptações cinematográficas, brindou aos espectadores de "Relíquias da Morte 1" com o momento em que Harry e Hermione dançam juntos (logo após a partida de Rony) na cabana ao som de "O Children", uma canção belíssima de Nick Cave com participação dos The Bad Seeds, que Hermione está escutando no rádio no momento em que Harry a convida. A química entre Daniel e Emma nesta cena é perfeita. Conseguimos sentir o tom de entrega e submissão de um para com o outro ao dançarem; a vontade de Harry de fazer Hermione sorrir; e o quanto essa se dá no momento, aproveitando cada passo engraçado da dança dos dois. É um dos momentos mais tocantes do filme.



Porém, não se enganem achando que este é um filme de romance apenas. O medo e o suspense ficam por conta dos Comensais da Morte e dos sequestradores, seguidores do Lord das Trevas, mas, principalmente, pela cobra Nagini - esta sim, responsável pelos gritos, sustos e momentos de suspense e apreensão de quem assistiu, e assistirá, a nova adaptação da franquia Potter. Outras figuras bem sinistras e extrovertidas como Batilda Bagshot, Xenofílio Lovegood e Grindewald atraírão a atenção daqueles que tiverem o privilégio de assitir o filme. 



Bem, contar o filme de cima a baixo seria um máximo, mas não essa minha função aqui. Quero apenas deixá-los a par do quão épica e maravilhosa é a primeira parte da adaptação de Harry Potter e as Relíquias da Morte. Este é um filme que mescla romance, tristeza, sofrimento, humor e ação. São sequências fortes, marcantes, nos mostrando o verdadeiro perfil que o livro possui. Vocês estarão acompanhando o início do fim da trajetória de crianças que cresceram no reduto seguro da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e agora encontram-se em fuga constante da morte. Elas lutam pelo bem, belos valores do amor, por tudo que as fez derrotar bruxos malignos, aranhas gigantes, basilisco, dementadores, criaturas mágicas, conspirações políticas e maldições em todos os outros livros/filmes.  E, como nos demais momentos passados da franquia de cinema, eles também contam com a ajuda de grandes heróis nesse novo momento do cinema, como os elfos mágicos Dobby e Monstro, o artesão de varinhas, Olivaras, e do casal anglo-francês, Gui e Fleur. Não é só um monte de feitiços ou bruxos e bruxas. É algo maior que isso, pois a verdadeira magia está nas emoções que essas histórias são capazes de despertar em crianças, adolescentes, adultos e idosos. O real encantamento está na forma de ensinar sobre princípios centrados no bem, sobre a forma de falar da morte e de saber enfrentá-la. 



Eu, assim como milhares de outras pessoas, me sinto triste por saber que está chegando o fim, ao menos temporário, de toda essa história. Sinto um vazio, é como se a ficha ainda não tivesse caído e a gente esperasse que algo a mais viesse. O que nos consola é saber que apesar de tantas críticas, tanto desacreditamento e tanta falta de senso e toque literário por parte de quem insiste em fazer de "Harry Potter" apenas um fenômeno mercadológico de quinta categoria, esta série não será um clássico do futuro. Ela já é. Eu li, meus filhos lerão, os filhos deles lerão e assim a hegemonia da fantasia, da coragem e da incessante batalha do bem contra o mal serão coisas que daqui a 100 anos serão assunto de pessoas como nós. Diferente de outras formas de cultura, que sim, essas passam, a história de três bruxinhos de 11 anos que entram em um castelo cheio de luzes através de um lago e daí crescem e se debatem com coisas e mais coisas só acaba de começar...


Livro da Semana: "A hora da estrela", de Clarice Lispector



Clarice Lispector foi uma mulher intimista, ela não escrevia por fora, mas por dentro. Era essa sua principal característica e marca primordial dos seus textos. Lançada um pouco antes de sua morte em 1977, "A hora da estrela" é uma obra que trata, dentre outros tantos assuntos, da ideia de existencialismo, trabalhada em cima da personagem Macabéa, uma nordestina que sofre retaliações por parte de uma tia durante toda a infância e juventude e, após a morte dessa, parte para a cidade do Rio de Janeiro em busca da vida (será?). Além de apresentar em pouquíssimas páginas mensagens que nos põem diante de reflexões necessárias sobre vida, morte e nossa posição em relação a tudo isso, Clarice toca em um tema de interesse público, ao menos em nossa região, que é a questão das relações discriminativas e preconceituosas voltadas para homens e mulheres sertanejos, nascidos e criados no campo, e que em algum momento de suas vidas decidem enfrentar a cidade grande. 

Macabéa não possui pensamento, dissernimento ou amor próprio aparentes. Em vida. Mas alguém abre os olhos dela, assim como uma infinitude de pessoas que passam pelas nossas vidas com suas verdades. Não é bom negar, não é bom repudiar. Cada um é cada um e o que nos torna alguém são nossas escolhas e jamais nossos bens. Macabéa, mesmo inconsciente disso, escolheu o melhor. Escolheu acreditar. E foi nessa escolha que a vida atravessou o véu da imortalidade e a infelicidade fez-se felicidade, a ignorância fez-se conhecimento e o existir passou realmente a existir.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A importância da leitura!


As tecnologias do mundo moderno fizeram com que as pessoas deixassem a leitura de livros de lado, isso resultou em jovens cada vez mais desinteressados pelos livros, possuindo um vocabulários cada vez mais pobres. A leitura é algo crucial para a aprendizagem do ser humano, pois é através dela que podemos enriquecer nosso vocabulário, obter conhecimento, dinamizar o raciocínio e a interpretação. Muitas pessoas dizem não ter paciência para ler um livro, no entanto isso acontece por falta de hábito, pois se a leitura fosse um hábito rotineiro as pessoas saberiam apreciar uma boa obra literária, por exemplo. Muitas coisas que aprendemos na escola são esquecidas com o tempo, pois não as praticamos, através da leitura rotineira tais conhecimentos se fixariam de forma a não serem esquecidos posteriormente. Dúvidas que temos ao escrever poderiam ser sanadas pelo hábito de ler, talvez nem as tivéssemos, pois a leitura torna nosso conhecimento mais amplo e diversificado. Durante a leitura descobrimos mundos novos, cheios de coisas desconhecidas. O hábito de ler deve ser estimulado na infância, para que o indivíduo aprenda desde cedo que ler é algo importante e prazeroso, assim com certeza ele será um adulto culto, dinâmico e perspicaz. Saber ler e compreender o que os outros dizem nos difere dos animais irracionais, pois comer, beber e dormir até eles sabem. É a leitura que proporciona a capacidade de interpretação. Toda escola, pública ou privada, deve fornecer uma educação de qualidade incentivando a leitura, pois dessa forma a população se torna mais informada e crítica.




sábado, 20 de novembro de 2010

Filme da Semana: "Sociedade dos Poetas Mortos"


"Ele fez de suas vidas algo extraordinário"

O professor John Keating entra na sala de aula assobiando, é o primeiro dia do ano letivo, passa pelos alunos e desperta olhares curiosos, encaminha-se para uma outra porta, de saída para o corredor, todos seus pupilos ainda estão de sobreaviso, curiosos e sem saber o que fazer. Keating olha para eles e faz um sinal, pedindo que os estudantes o acompanhem. Todos chegam a uma sala de troféus da escola, onde ao fundo podem ser vistas fotos de alunos, remontando ao início do século, fazendo-nos voltar ao começo das atividades da escola. Pede-se silêncio e, que a atenção de todos volte-se para os rostos de todos aqueles garotos que freqüentaram aquela tradicional instituição de ensino em outros tempos.

O que aconteceu com eles? Para onde foram? O que fizeram de suas vidas? Suas vidas valeram a pena? Perguntas como essas são lançadas aos alunos. Muitos ainda sem saber o que estariam fazendo ali, afinal, não era para estarmos estudando literatura inglesa e norte-americana?

Desconforto e desconserto. O personagem do professor Keating, vivido pelo eclético e versátil (além de extremamente talentoso) Robin Williams, conseguiu o que queria. Deixou seus alunos em dúvida. Iniciou seu relacionamento com eles tentando demovê-los de sua passividade, provocando-os a uma reflexão sobre a vida. Afinal, será que estamos fazendo valer nossa existência? "Carpe Diem", ou seja, aproveitem suas vidas, passou a ser como uma regra de ouro a partir de então para alguns de seus alunos, afinal, vejam o exemplo daqueles que já estiveram por aqui (retratados nessas fotografias esmaecidas, amareladas) e pensem se vocês querem que o tempo passe e vocês venham a se tornar "comida de vermes" em seus caixões sem que nada do que tenham feito por aqui tenha repercutido (como, acreditem, muitos desses jovens das fotografias o fizeram, deixando passar a vida sem perceber a riqueza contida na mesma).

Para fazer com que suas existências tenham valor vocês devem viver com intensidade cada dia que lhes é dado, cada momento que lhes é concedido, cada experiência a qual tem acesso, diz com sabedoria inconteste o ilustre mestre Keating. Por isso, repete, "Carpe Diem".

"Sociedade dos Poetas Mortos" foi, em seu ano de lançamento (1989), candidato ao Oscar em várias categorias, levou para casa o prêmio de melhor roteiro (com enorme justiça dado a Tom Schulman) e, para a decepção de muitos (entre os quais me incluo), não foi agraciado como a melhor produção daquela temporada. Uma injustiça irreparável tendo em vista a qualidade do roteiro, a mão sensível do diretor Peter Weir, a atuação de Robin Williams e do jovem elenco que depois ganharia notoriedade em outras produções pelas suas grandes habilidades dramáticas (principalmente Robert Sean Leonard e Ethan Hawke) e a fotografia excepcional com locações lindíssimas.

Como já se viu, trata-se da história de um grupo de jovens alunos que tem o privilégio de trabalhar com um professor visionário, de atitudes inesperadas, que os instigou a pensar por conta própria (o que lhe rende críticas dos colegas e da instituição) e que arrebatou-lhes os corações. Por ter sido aluno dessa escola, Keating teve sua vida acadêmica retratada nos famosos "Year books" das "high schools" norte-americanas e, entre as informações sobre esse nobre aluno, consta uma a respeito de ter participado de uma tal "sociedade dos poetas mortos". Essa informação desperta a curiosidade dos alunos, que lhe pedem informações acerca das atividades desse grupo. Informados de que se tratava de uma turma de alunos que se reunia para ler poesias e aproveitar tudo aquilo que aqueles grandes escritores tinham produzido para seu próprio prazer e engrandecimento, resolvem fazer com que a "Sociedade" ressurja.

Não é só a sociedade que retoma suas atividades, todos os alunos envolvidos se vêem as voltas com uma verdadeira renovação em suas existências, todos encontram novos interesses e vocações, todos parecem ter despertado de um sono profundo, de uma letargia tão envolvente que parecia tragar-lhes a juventude sem possibilidade de volta.

O professor Keating deu a eles uma oportunidade sem igual e, ao mesmo tempo, fez com que os estudantes fossem se encantando com a literatura (que nos fala daquilo que é essencial, verdadeiramente fundamental em nossas vidas, o amor, a amizade, a paz, a dor e as desilusões; segundo Keating, estudar para que nos tornemos advogados, engenheiros ou médicos é importante, mas o que torna nossas existências válidas tem a ver com o espírito, com o prazer e, a poesia, a literatura, são fontes riquíssimas nesses quesitos).

Ao lidarmos com adolescentes muitas vezes, por conta do excesso de atividades, dos programas extensos que temos que cumprir, das avaliações ou do nosso próprio descaso, deixamos de vê-los como pessoas em formação, que alimentam sonhos e fantasias (que muitos de nós parecemos ter esquecido lá atrás, no tempo de nossas próprias juventudes), que planejam verdadeiras revoluções (dizem que quando temos 16 anos queremos incendiar o mundo e que, ao chegarmos a idade adulta, nos tornamos bombeiros; a maturidade é saudável, no entanto, devo dizer que preservar alguns focos de incêndio acesos em nossos corações e mentes também é fundamental. Sonhar é preciso!) e que, necessitam desesperadamente de nosso apoio e orientação, de nosso carinho e atenção.

Keating incorpora nosso idealismo, nossa pureza de princípios. Os alunos simbolizam a força e a vitalidade do novo, dos elementos de transformação que esperamos venham a transformar esse mundo num espaço muito mais justo, mais equilibrado. Há no entanto, os choques com as forças conservadoras, com a opressão da ordem que não aceita desequilíbrios (mesmo sabendo-se que eles trarão recompensas e melhorias). Nesses confrontos nem sempre o que está por vir é o que gostaríamos que acontecesse.

"Sociedade dos Poetas Mortos" é um filme imperdível para quem ama a educação, para quem alimenta ideais de reformular, para quem tem um profundo respeito e preocupação com essa juventude com que trabalhamos. Discutir esses temas todos, reformular as nossas práticas, alimentar nossos sonhos, rever posturas e condutas e, principalmente, olhar para nós mesmos e para nossos alunos em busca daquilo que nos faça sentir orgulho do que fizemos em nossas vidas, vale o ingresso. Boa diversão e "Carpe Diem"!