Um espaço para discutir sobre os ideais da educação libertária, metodologias de aula interessantes e eficazes, música, literatura e, é claro, sobre a importância de formar cidadãos e cidadãs que pensam!
"Alice no País das Maravilhas", um dos contos fantásticos mais famosos do mundo e de autoria de ninguém menos que o britânico Lewis Carroll, ganhou este ano uma genial adaptação cinematográfica que ficou por conta do diretor Tim Burton, conhecido pela sua genialidade em retratar mundos de fantasia de forma ainda mais atraente, além de atribuir toques de delicadeza, diversão e emoção quase que simultaneamente em suas produções. O senhor de quem vos falo também esteve na direção de outros longas como "A Fantástica Fábrica de Chocolates (2005)" e "A Noiva Cadáver (2009)".
Nessa nova adaptação para o cinema do texto de Carroll, a inovação está presente! Burton agora traz Alice ao País das Maravilhas com 19 anos de idade sem nenhuma lembrança "real" da última viagem que ela havia feito ao lugar onde as maravilhas estão vivíssimas aos 7 anos. A chegada ao mundo da fantasia pura não podia ser diferente, pois é através da toca do coelho que Alice novamente cai em um buraco quase sem fim até dar início à sua nova jornada. Lá, nossa personagem tão querida, e agora um pouco mais velha, terá de enfrentar as forças opressoras da Rainha Vermelha, a vilã da história, também conhecida como "Rainha de Copas". No entanto, com a ajuda do Chapeleiro Maluco, dos Tweedles e da Rainha Branca, em especial, Alice não estrá sozinha em sua missão - missão esta que até ela desconfia de ser dela mesmo!
Façamos menção aqui aos figurinos que beiram a perfeição dos personagens desse filme, com destaque para os belíssimos trajes da Rainha Branca (Anne Hathway), Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter) e Alice (Mia Wasikowska). Johnny Depp, que deu vida ao Chapeleiro Maluco, também possui vestimentas atraentes e vivas, que só vêm a contribuir positivamente para sua atuação dentro da história. As performances mostram a essência da delicadeza das palavras de Carrol em seu livro, pois o elenco escolhido por Tim é constituído por grandes profissionais do cinema norteamericano e britânico conhecidos (as) por suas excelentes atuações e premiações oriundas de outras produções do cinema. O mesmo sucesso dos personagens "humanos" é dado às "criações" computadorizadas, como o Gato Cheshire, com seu sorriso de orelha a orelha, cheio de enigmas e insinuações.
Esse novo olhar sobre "Alice no País das Maravilhas" é, no mínimo, criativo! A ambientação, a trilha sonora, o elenco, os figurinos - tudo combina com a excepcionalidade da história de Lewis Carroll. Este é um filme indicadíssimo para aqueles e aquelas que gostam de se dar o prazer de sonhar, mesmo que só às vezes. É para os amantes do jeito intimista e mágico de Lewis Carroll escrever e, ainda para todos e todas que têm paixão pela literatura e pela arte. É para poucos (as), admito. Que tal, então, ser mais um (a) do grupo? Assista e comente sua opinião aqui, ela será bem vinda.
"Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1" é uma obra prima do cinema que vai além das expectativas criadas por cerca de 1 ano e meio de intensos períodos de gravação nos estúdios Leavesden ou nas florestas, e demais locações, da Grã-Bretanha. Diferente do que muitos críticos céticos já pressupunham antes mesmo do lançamento, a primeira parte do final épico do maior estrondo literário em décadas é clara e objetiva na transmissão de suas mensagens, o que somado aos belíssimos figurinos, como foi o caso do vestido de casamento de Fleur Delacour e dos trajes de gala dos protagonistas Harry, Rony e Hermione, e à excepcional trilha sonora de Alexander Desplat, que aguçou ainda mais o tom de emoção, humor e perigo da cada cena, nos rendeu uma produção cinematográfica memorável e digna do status de "clássico".
Para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de ler os textos de J.K. Rowling, mas assistiram a todas as adaptações para o cinema, o entendimento das sequências desse novo filme da série pode se tornar um pouco difícil, devido à grande quantidade de fatos e situações que acontecem durante as quase 2 horas e meia de duração do mesmo. Porém, nada que uma boa memória e percepção geral da história (no caso de quem assistiu apenas aos filmes) resolva, já que a destreza do roteirista Steve Kloves, junto à direção espetacular, e nada hollywoodiana, de David Yates contribui muito para que o filme não seja "um emaranhado de cenas e mais cenas, que não tenham nada a mostrar e dizer realmente", nas palavras do Sr. Prof. Pasquali - é, aquele mesmo que só fala em gramática e tal.
As atuações de Daniel Radcliffe (Harry Potter), Emma Watson (Hermione Granger) e Rupert Grint (Rony Weasley) nunca estiveram melhores. Os atores evoluíram bastante em vários aspectos, que vão desde encenação e expressão facial até a total imersão no universo emocional de cada personagem, o que é bem perceptível em vários momentos da história. É uma grande viagem, onde as crianças cresceram e têm nada menos que a missão de procurar e destruir as horcruxes, objetos criados a partir de magia negra, que contêm pedaços da alma do bruxo mais poderoso de todos os tempos, Lord Voldemort. Nossos protagonistas não possuem nenhuma pista, mapa ou caminho certo, inicialmente, em relação à localização desses objetos, o que dificulta sua procura e causa conflitos entre o trio, como a discussão entre Harry e Rony, que acaba na partida deste último até determinado ponto da produção.
O filme faz juz ao livro, pois é até agora a produção mais verídica em relação à história escrita sem sombra de dúvidas. No entanto, o acréscimo de cenas especiais, que vinha dando errado, de certa forma, nas outras 6 adaptações cinematográficas, brindou aos espectadores de "Relíquias da Morte 1" com o momento em que Harry e Hermione dançam juntos (logo após a partida de Rony) na cabana ao som de "O Children", uma canção belíssima de Nick Cave com participação dos The Bad Seeds, que Hermione está escutando no rádio no momento em que Harry a convida. A química entre Daniel e Emma nesta cena é perfeita. Conseguimos sentir o tom de entrega e submissão de um para com o outro ao dançarem; a vontade de Harry de fazer Hermione sorrir; e o quanto essa se dá no momento, aproveitando cada passo engraçado da dança dos dois. É um dos momentos mais tocantes do filme.
Porém, não se enganem achando que este é um filme de romance apenas. O medo e o suspense ficam por conta dos Comensais da Morte e dos sequestradores, seguidores do Lord das Trevas, mas, principalmente, pela cobra Nagini - esta sim, responsável pelos gritos, sustos e momentos de suspense e apreensão de quem assistiu, e assistirá, a nova adaptação da franquia Potter. Outras figuras bem sinistras e extrovertidas como Batilda Bagshot, Xenofílio Lovegood e Grindewald atraírão a atenção daqueles que tiverem o privilégio de assitir o filme.
Bem, contar o filme de cima a baixo seria um máximo, mas não essa minha função aqui. Quero apenas deixá-los a par do quão épica e maravilhosa é a primeira parte da adaptação de Harry Potter e as Relíquias da Morte. Este é um filme que mescla romance, tristeza, sofrimento, humor e ação. São sequências fortes, marcantes, nos mostrando o verdadeiro perfil que o livro possui. Vocês estarão acompanhando o início do fim da trajetória de crianças que cresceram no reduto seguro da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e agora encontram-se em fuga constante da morte. Elas lutam pelo bem, belos valores do amor, por tudo que as fez derrotar bruxos malignos, aranhas gigantes, basilisco, dementadores, criaturas mágicas, conspirações políticas e maldições em todos os outros livros/filmes. E, como nos demais momentos passados da franquia de cinema, eles também contam com a ajuda de grandes heróis nesse novo momento do cinema, como os elfos mágicos Dobby e Monstro, o artesão de varinhas, Olivaras, e do casal anglo-francês, Gui e Fleur. Não é só um monte de feitiços ou bruxos e bruxas. É algo maior que isso, pois a verdadeira magia está nas emoções que essas histórias são capazes de despertar em crianças, adolescentes, adultos e idosos. O real encantamento está na forma de ensinar sobre princípios centrados no bem, sobre a forma de falar da morte e de saber enfrentá-la.
Eu, assim como milhares de outras pessoas, me sinto triste por saber que está chegando o fim, ao menos temporário, de toda essa história. Sinto um vazio, é como se a ficha ainda não tivesse caído e a gente esperasse que algo a mais viesse. O que nos consola é saber que apesar de tantas críticas, tanto desacreditamento e tanta falta de senso e toque literário por parte de quem insiste em fazer de "Harry Potter" apenas um fenômeno mercadológico de quinta categoria, esta série não será um clássico do futuro. Ela já é. Eu li, meus filhos lerão, os filhos deles lerão e assim a hegemonia da fantasia, da coragem e da incessante batalha do bem contra o mal serão coisas que daqui a 100 anos serão assunto de pessoas como nós. Diferente de outras formas de cultura, que sim, essas passam, a história de três bruxinhos de 11 anos que entram em um castelo cheio de luzes através de um lago e daí crescem e se debatem com coisas e mais coisas só acaba de começar...
Do diretor Dennis Gansel, "A Onda" é uma análise brilhante do poder de contaminação do fascismo nos dias de hoje. Rainer Wegner, professor de ensino médio, deve ensinar seus alunos sobre autocracia. Devido ao desinteresse deles, propõe um experimento que explique na prática os mecanismos do fascismo e do poder. Wegner se denomina o líder daquele grupo, escolhe o lema "força pela disciplina" e dá ao movimento o nome de A Onda. Em pouco tempo, os alunos começam a propagar o poder da unidade e ameaçar os outros. Quando o jogo fica sério, Wegner decide interrompê-lo. Mas é tarde demais, e A Onda já saiu de seu controle. O filme é baseado em uma história real ocorrida na Califórnia em 1967 e é indicado a todos (as) que desejem entender o sistema autocrata e, ainda, como este poderia sim voltar à tona em plena contemporaneidade. Ao assistir tal obra, percebemos que os ideais, preceitos e princípios (se assim podemos chamar) de Adolf Hitler e seu nazismo podem ressurgir do passado da forma mais simples possível: em uma sala de aula. Isso mesmo: alunos e professor. E só. A autocracia, em linhas gerais, é um regime político, onde "todos protegem todos" do grupo, seguem rigorosamente as regras impostas pelo grupo e são liderados por alguém, que "acreditam" exercer o mesmo poder que eles.
Obra apresentada, sintetizada e o convite lançado! Confiram, amigos (as)!
O professor John Keating entra na sala de aula assobiando, é o primeiro dia do ano letivo, passa pelos alunos e desperta olhares curiosos, encaminha-se para uma outra porta, de saída para o corredor, todos seus pupilos ainda estão de sobreaviso, curiosos e sem saber o que fazer. Keating olha para eles e faz um sinal, pedindo que os estudantes o acompanhem. Todos chegam a uma sala de troféus da escola, onde ao fundo podem ser vistas fotos de alunos, remontando ao início do século, fazendo-nos voltar ao começo das atividades da escola. Pede-se silêncio e, que a atenção de todos volte-se para os rostos de todos aqueles garotos que freqüentaram aquela tradicional instituição de ensino em outros tempos.
O que aconteceu com eles? Para onde foram? O que fizeram de suas vidas? Suas vidas valeram a pena? Perguntas como essas são lançadas aos alunos. Muitos ainda sem saber o que estariam fazendo ali, afinal, não era para estarmos estudando literatura inglesa e norte-americana?
Desconforto e desconserto. O personagem do professor Keating, vivido pelo eclético e versátil (além de extremamente talentoso) Robin Williams, conseguiu o que queria. Deixou seus alunos em dúvida. Iniciou seu relacionamento com eles tentando demovê-los de sua passividade, provocando-os a uma reflexão sobre a vida. Afinal, será que estamos fazendo valer nossa existência? "Carpe Diem", ou seja, aproveitem suas vidas, passou a ser como uma regra de ouro a partir de então para alguns de seus alunos, afinal, vejam o exemplo daqueles que já estiveram por aqui (retratados nessas fotografias esmaecidas, amareladas) e pensem se vocês querem que o tempo passe e vocês venham a se tornar "comida de vermes" em seus caixões sem que nada do que tenham feito por aqui tenha repercutido (como, acreditem, muitos desses jovens das fotografias o fizeram, deixando passar a vida sem perceber a riqueza contida na mesma).
Para fazer com que suas existências tenham valor vocês devem viver com intensidade cada dia que lhes é dado, cada momento que lhes é concedido, cada experiência a qual tem acesso, diz com sabedoria inconteste o ilustre mestre Keating. Por isso, repete, "Carpe Diem".
"Sociedade dos Poetas Mortos" foi, em seu ano de lançamento (1989), candidato ao Oscar em várias categorias, levou para casa o prêmio de melhor roteiro (com enorme justiça dado a Tom Schulman) e, para a decepção de muitos (entre os quais me incluo), não foi agraciado como a melhor produção daquela temporada. Uma injustiça irreparável tendo em vista a qualidade do roteiro, a mão sensível do diretor Peter Weir, a atuação de Robin Williams e do jovem elenco que depois ganharia notoriedade em outras produções pelas suas grandes habilidades dramáticas (principalmente Robert Sean Leonard e Ethan Hawke) e a fotografia excepcional com locações lindíssimas.
Como já se viu, trata-se da história de um grupo de jovens alunos que tem o privilégio de trabalhar com um professor visionário, de atitudes inesperadas, que os instigou a pensar por conta própria (o que lhe rende críticas dos colegas e da instituição) e que arrebatou-lhes os corações. Por ter sido aluno dessa escola, Keating teve sua vida acadêmica retratada nos famosos "Year books" das "high schools" norte-americanas e, entre as informações sobre esse nobre aluno, consta uma a respeito de ter participado de uma tal "sociedade dos poetas mortos". Essa informação desperta a curiosidade dos alunos, que lhe pedem informações acerca das atividades desse grupo. Informados de que se tratava de uma turma de alunos que se reunia para ler poesias e aproveitar tudo aquilo que aqueles grandes escritores tinham produzido para seu próprio prazer e engrandecimento, resolvem fazer com que a "Sociedade" ressurja.
Não é só a sociedade que retoma suas atividades, todos os alunos envolvidos se vêem as voltas com uma verdadeira renovação em suas existências, todos encontram novos interesses e vocações, todos parecem ter despertado de um sono profundo, de uma letargia tão envolvente que parecia tragar-lhes a juventude sem possibilidade de volta.
O professor Keating deu a eles uma oportunidade sem igual e, ao mesmo tempo, fez com que os estudantes fossem se encantando com a literatura (que nos fala daquilo que é essencial, verdadeiramente fundamental em nossas vidas, o amor, a amizade, a paz, a dor e as desilusões; segundo Keating, estudar para que nos tornemos advogados, engenheiros ou médicos é importante, mas o que torna nossas existências válidas tem a ver com o espírito, com o prazer e, a poesia, a literatura, são fontes riquíssimas nesses quesitos).
Ao lidarmos com adolescentes muitas vezes, por conta do excesso de atividades, dos programas extensos que temos que cumprir, das avaliações ou do nosso próprio descaso, deixamos de vê-los como pessoas em formação, que alimentam sonhos e fantasias (que muitos de nós parecemos ter esquecido lá atrás, no tempo de nossas próprias juventudes), que planejam verdadeiras revoluções (dizem que quando temos 16 anos queremos incendiar o mundo e que, ao chegarmos a idade adulta, nos tornamos bombeiros; a maturidade é saudável, no entanto, devo dizer que preservar alguns focos de incêndio acesos em nossos corações e mentes também é fundamental. Sonhar é preciso!) e que, necessitam desesperadamente de nosso apoio e orientação, de nosso carinho e atenção.
Keating incorpora nosso idealismo, nossa pureza de princípios. Os alunos simbolizam a força e a vitalidade do novo, dos elementos de transformação que esperamos venham a transformar esse mundo num espaço muito mais justo, mais equilibrado. Há no entanto, os choques com as forças conservadoras, com a opressão da ordem que não aceita desequilíbrios (mesmo sabendo-se que eles trarão recompensas e melhorias). Nesses confrontos nem sempre o que está por vir é o que gostaríamos que acontecesse.
"Sociedade dos Poetas Mortos" é um filme imperdível para quem ama a educação, para quem alimenta ideais de reformular, para quem tem um profundo respeito e preocupação com essa juventude com que trabalhamos. Discutir esses temas todos, reformular as nossas práticas, alimentar nossos sonhos, rever posturas e condutas e, principalmente, olhar para nós mesmos e para nossos alunos em busca daquilo que nos faça sentir orgulho do que fizemos em nossas vidas, vale o ingresso. Boa diversão e "Carpe Diem"!
A fantástica animação "Ratatouille" é um filme aparentemente indicado às crianças, mas que é mais um daqueles casos em que obras infantis apaixonam e têm muito a ensinar aos próprios pais das crianças, por exemplo. "Qualquer um pode cozinhar" é o lema do aclamado cozinheiro francês, Chef Gusteau, e toda a história é centrada nesta pequena frase de 4 palavrinhas.
Em um dos restaurantes mais refinados de Paris (O Gusteau's), Remy, um ratinho que adora cozinhar, sonha em se tornar um renomado chef. Contrário aos desejos da família, ele segue sua vocação e, junto com o atrapalhado Linguini, se envolve em uma hilária sequência de acontecimentos que vão deixar a cidade-luz de cabeça para baixo. Ratatouille é tão divertido que vocês irão querer repetir várias vezes.
Por favor, não deixem de prestigiar essa obra-prima da fantasia e da culinária! É um filme com muitas lições a dar. E o melhor! As lições não são para um grupo de pessoas e sim para todas!
Aos profes de plantão, é uma ótima indicação para trabalho em sala de aula, digo em Língua Portuguesa, minha área, já que é se trata de um texto audiovisual e em forma de desenho, o que atrairá certamente a atenção dos pequenos. Utilizei-o com minhas turmas de 6º e 7º ano, seguindo o seguinte processo:
1. Exibição do filme;
2. Comentários sobre o filme: alunos e orientador;
3. Produção de Comentário escrito sobre o filme (opinião);
4. Correção ortográfica/sintática/textual em sala, por meio da apresentação em quadro das palavras com grafia inadequada à norma padrão da língua e da forma adequada, sem citar o nome de ninguém que as tenha escrito!;
5. Oficina de Produção: trabalho com gêneros textuais instrucionais - o caso da "receita".
Adquira o filme da semana, "Ratatouille", através deste link: http://www.siciliano.com.br/produto/2579449/ratatouille-ra-ta-tui-dvd4/2579449?ID=BD7FBE6B7DA0B0C1329200331&FIL_ID=102
Adquira o livro ilustrado "Ratatouille", através deste link: http://www.siciliano.com.br/produto/1972862/ratatouille-em-busca-de-um-sonho/1972862?ID=BD7FBE6B7DA0B0C1329200331&FIL_ID=102
"Como uma professora e 150 adolescentes usaram a escrita para mudar a si mesmos e o mundo a sua volta"
Me arrepio sempre que penso em "Escritores da Liberdade", digo o filme. Baseado no "Diário dos Escritores da Liberdade", que infelizmente só possui edições em Inglês, Alemão e Espanhol, o filme "Escritores da Liberdade" é uma das coisas que todo aluno e todo professor devem ver antes de morrer. É tudo tão genial! Alunos cheios de problemas, gangues, descaso das autoridades escolares, discriminação, violência e alguém proposto a mudar toda essa realidade. A professora Erin Gruwell chega em uma escola com estudantes hiperproblemáticos para dar aulas de Língua Inglesa e para os alunos ela não passa de uma branquela que acha que vai mudar a vida deles e entra na sala de aula todos os dias sorrindo com cara de "I'm sweet and I care about you"*.
Estimulando os alunos e alunas por meio da leitura de livros como"O diário de Anne Frank", Gruwell desperta um grupo de adolescentes fadados ao fracasso e à morte. Eles passam a entender que não é através de segregação e luta por poder que eles terão voz no mundo em que vivem. Pelo contrário, isso acabaria silenciando a todos. Aulas dinâmicas e voltadas à reflexão e ao pensamento, principalmente, moldaram as "crianças problemáticas" e formaram jovens capazes de seguir em frente e dar um "cala a boca!" naqueles, como a coordenadora da escola, que viam nos alunos brancos a salvação educacional e nos negros, latinoamericanos e asiáticos a perdição educacional.
Enquanto aluno e professor, posso dizer do quão inspirador o filme foi pra mim, pois só me deu mais vontade de continuar ensinando e tentando, mesmo diante de obstáculos e mais obstáculos, mudar o mundo e formar pessoas que amam literatura e compreendem qual a importância da educação e de suas existências, o qual só cabe a elas mesmas descobrir. Educar no Brasil requer trabalho, e trabalho árduo, e o pior é que nem todo mundo está disposto a trabalhar realmente. "Por que ajudar eles quando posso viver minha própria vida?"
Uma ideia da Professora Gruwell para aproximar-se dos seus alunos, ganhar sua confiança e respeito e, ainda, tentar ajudá-los e entendê-los foi o diário. Ela entregou um caderno para cada um dizendo que eles deveriam escrever lá tudo sobre a vida deles: problemas na escola, na família, namoros, amigos, etc. Não daria nota por aquilo, pois "não poderia pontuar a verdade", mas se alguém quisesse que ela lesse sobre eles deveria deixar o diário em um armário, ao qual só ela teria acesso ao fim de todas aulas. É brilhante o resultado disso no filme, no livro e na vida real em si. Digo vida real, pois apresentei a proposta para uma das minhas turmas, onde percebi que os alunos viviam em conflito e tinham baixo rendimento acadêmico. Primeiro, fiquei feliz com a confiança que eles tinham em mim, pois aqueles que aderiram à proposta me trouxeram os diários rapidamente. Li todos, li tudo. Escrevi pra eles, conversamos juntos. Hoje, vejo o quão grande é a tarefa de educar, bem mais do que pensava. A turma em questão tem evoluído e percebo que os laços entre mim e eles têm se estreitado. Os diários não são "coisa de filme", são reais e eficazes. Proponho, então, que todos possam escrever e instigar seus alunos e alunas a escreverem, pois é aí que mora a liberdade.
*A expressão "I'm sweet and I care about you" significa "Eu sou doce e me importo com vocês" e foi retirada da versão original do Diário dos Escritores da Liberdade.
Compre o filme através deste link: http://www.siciliano.com.br/produto/1996863/escritores-da-liberdade-dvd4/1996863?ID=BD7FBE6B7DA0B041335250822&FIL_ID=102