O Campus de Ipanguaçu do IFRN foi uma das escolas pelas quais passei durante os meus 19 anos. Foi a escola onde mais aprendi, onde mais cresci e, obviamente, onde iniciei a construção, de fato, do meu senso crítico com relação ao mundo ao meu redor, o valor da educação nesse mesmo mundo e do quanto ainda precisaria ser feito para as coisas começarem a caminhar direitinho. Aquela escola está na minha mente, disso estejam certos e certas. Mas o importante mesmo é que ela e as pessoas com as quais cresci junto têm lugar privilegiado em meu coração: amigos, colegas, técnicos, coordenadores e, principalmente, os professores - ah, eles! Os meus professores e professoras foram, e continuam sendo, a parte mais bonita do meu período enquanto do IFRN-Ipanguaçu. Eles ensinaram-me muito além dos conteúdos da nada libertária "grade curricular". Lecionaram-me sobre a vida, sobre o meu papel nessa e sobre o papel dos outros diante do meu.
Por tanto respeito àquela escola e à sua gente é que estou deveras magoado e ressentido com algumas situações que têm acontecido lá. Jamais imaginei que uma eleição para Grêmio Estudantil, uma entidade que tem por objetivo e obrigação representar os interesses, direitos e deveres dos alunos, fosse gerar na minha escola tanta balburdia, escândalos e o pior: que fosse ferir o código ético e moral que deve reger toda a escola e, inclusive, aqueles que se mostram dispostos a "representar os alunos".
Compra de votos com lanchinhos ou cópia de material escolar? A que ponto e a que status chegaram alguns dos nossos estudantes na vontade avassaladora de ganhar as eleições e perpetuar esses ideias distorcidos, fraudulentos e enojadores? Sério gente, mas me dá ânsias de vômito só de pensar em como estão banalizadas palavras como "ética", "política" e "moral". As pessoas passaram a não usar mais essas palavras. Ou melhor, usá-las sem entender os reais valores que carregam em sua construção silábica. Se fizerem um pequeno passeio em retrospectiva no cenário político brasileiro poderão ver que muitos dos políticos que mais sujaram a conduta e imagem do nosso país eram do tipo "simpáticos e cheios de presentes pra dar". Sem instinto investigativo para ir a um livro de história do Brasil? Leia um exemplar do Diário de Natal ou assista ao RNtv. Os casos de líderes políticos que usaram de má fé da boa vontade e da ingenuidade (ou idiotice mesmo) daqueles que os elegeram são vários! Tem drama de todo o tipo, desde os mexicanos aos hollywoodianos.
Como na maioria dos casos, os sorrisos e presentinhos sempre vencem. Uma pena. Uma lástima. Uma coisa boa. Boa... Por que? Simples! Quando sofremos na pele mesmo, quando batem na nossa cara por qualquer coisa mesmo, aí tendemos a pensar. Tendemos a refletir sobre o que fizemos e porque fizemos. Nada melhor para quebrar uma ilusão do que vê-la diluir-se na sua frente por si só!
Agora, um apelo, meus caros leitores e leitoras. Não se deixem levar por palavras ditas de forma fácil demais. Elas geralmente nos levam a promessas e condutas mais fáceis ainda de serem quebradas. Infelizmente, é assim. As relações políticas verdadeiras e legítimas não estão alicerçadas em chocolates ou cafés da manhã, apesar de ser isso o que grande parte das pessoas acham. O que eu não suporto é que alunos do Instituto Federal, uma escola de respeito e ensino de excelência, sejam iniciados nos caminhos da corrupção e da demagogia. Não suporto, ainda, que os meus mestres defensores da boa política e da defesa à ética e à moral sejam insultados por estudantes que não sabem tem maturidade para sequer pronunciar o vocábulo "política" ou talvez "eleição". Por favor, líderes e adeptos, não sujem a imagem da escola que guardo em memória e coração. Vocês não têm esse direito.
P.S. - Parabéns aos revolucionários resistentes! Uma batalha pode ter sido perdida. A guerra, nem pensar. "Não existe revolução sem resistência!"

