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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Paulinho, o menino que escreveu uma nova história.

 Será que um menino nascido no Recife, órfão de pai aos 13 anos, poderia ler a própria história e escrevê-la de um jeito diferente? Pois foi isso o que Paulinho fez.

Ao tornar-se professor, procurou ler de modo compreensivo não só os livros, mas também as questões do mundo e os olhos das pessoas, dialogando com todos para aprenderem em comunhão. Paulo Freire olhou as dificuldades do povo oprimido e enxergou novas possibilidades, ajudando com seu trabalho a alfabetizar milhões de jovens e adultos do Brasil e de muitos lugares do mundo que não tiveram oportunidade de frequentar uma escola.

No mais novo título de publicação da Cortez Editora no segmento de Literatura Infantojuvenil,  "Paulinho: o menino que escreveu uma nova história", de Mere Abramowicz e Silmara Rascalha Casadei" é uma história belíssima voltada para o público infantil, em que é contada a história de vida de um dos mais sublimes e iconográficos educadores dos últimos tempos, que por sinal é brasileiríssimo e nordestino, muito bem e obrigado!, o Sr. Freire. Com um texto leve e encantador, a obra é capaz de informar muito bem os nossos leitores mirins, juntamente com os não-mirins, além de apresentar os principais aspectos da trajetória marcante do educador idealista, sonhador e transformador de realidades. Obviamente, as ilustrações de Marco Antonio Godoy são deliciosas de ver e enchem os olhos pela qualidade e expressividade que denotam as imagens. É uma obra completa, digo, já que funde o verbal e o não-verbal de forma lógica, instigante e atrativa

Apesar de ser indicada ao público etário infantil, "Paulinho" é uma história que pode agradar qualquer pessoas, principalmente, se falamos de pessoas que trabalham com educação. Aliás, "trabalham" é um pouco limitador demais - vejamos outro termo... Opa! Encontrei: O livro é indicadíssimo para pessoas que AMAM trabalhar com educação, porque para essas o ato de educar e ensinar a aprender não se restringe a uma mera profissão que rende alguns dividendos, mas a uma missão árdua e difícil, que justamente por tais motivos é tão sublime, bela e reveladora. 

Meus amigos amantes do "educar", agradeço a Paulo Freire, em nome de todos vocês e do meu, certamente, pela oportunidade de conhecer e levar ao conhecimentos dos meus alunos a história de vida de um professor inspirador. Thanks, Paulinho!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Livro da Semana: "O Leitor", de Bernard Schlink





COMOVENTE, SUGESTIVO E ESPERANÇOSO

Michael Berg tem 15 anos quando inicia um obsessivo caso amoroso com Hanna, uma mulher enigmática, vinte anos mais velha. Os encontros entre os dois seguem um ritual: primeiro banham-se, depois ele lê fragmentos de Goethe, Dickens, Tolstói e Schiller, e só então fazem amor. Michael nunca chega a saber muito sobre a amante. Assim, quando ela desaparece de repente dando um fim abrupto àquele período de felicidade, ele se convence de que jamais a verá de novo.

Anos mais tarde, entretanto, ele a reencontra. Hanna é uma das acusadas por crimes de guerra e por várias mortes em um campo de concentração nazista. Michael, como estudante de Direito, acompanha o caso indeciso entre as lembranças da antiga amante e a indignação pelos crimes. Na tentativa de descobrir quem é a mulher que amou, ele gradualmente percebe que Hanna pode guardar um segredo que considera mais vergonhoso que homicídio. 

As páginas do romance trazem a lúcida pergunta: Como amar alguém que cometeu a maior atrocidade que o mundo já conheceu? O estilo de Schlink é limpo e despido de imagens e diálogos desnecessários, resultando em uma bela e austera narrativa sobre o esforço para preencher o vazio entre as gerações pré e pós-guerra na Alemanha, entre culpados e inocentes, entre palavras e silêncio. 

"O Leitor" é, desde "O Perfume", o romance alemão mais aplaudido nacional e internacionalmente.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Alice e as maravilhas de seu legado

Alice no País das Maravilhas é daqueles livros que resistem a infinitas leituras sem nunca perder a graça, pois sempre têm algo a mais a dizer, um novo detalhe a apresentar, uma palavra a ensinar. A história da linda menina de vestido rodado que vive aventuras num lugar estranho com gente esquisita é uma das mais lidas, traduzidas, adaptadas, encenadas e filmadas. Parece uma fórmula simples, mas não é: há quase 150 anos, a obra-prima escrita pelo inglês Lewis Carroll cativa leitores e intriga estudiosos em busca de respostas para os seus enigmas. Não é à toa que o cinema já a tenha apresentado diversas vezes.

A mais recente empreitada cinematográfica é assinada pelo norte-americano Tim Burton, que dirigiu também "Batman", "Edward Mãos-de-Tesoura" e "Noiva Cadáver", entre muitos outros filmes encantadores e... um pouco estranhos. Produzida pela Disney, a nova versão de "Alice no País das Maravilhas" chega aos cinemas brasileiros em 21 de abril. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, onde já estreou, ficou em primeiro lugar nas bilheterias por várias semanas consecutivas.

A febre atual gerada pelo filme foi além da trilha sonora: invadiu desde lojas de roupas e assessórios até objetos de arte, bolos de festa - todos fazendo referência massiva às personagens dos contos protagonizados por Alice - "No País das Maravilhas" e "Através do Espelho", este escrito por Carroll logo depois do primeiro. Assim, o Gato que sorri, o Chapeleiro Maluco e a Rainha de Copas andam estampando bolsas, sapatos e camisetas e por aí afora.

Será que todos que estão hipnotizados por esses objetos - e que verão o filme - conhecem a real origem desse frenesi? Há só uma maneira de tirar a prova: lendo o livro.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Filme da Semana: "Alice no País das Maravilhas"


"Alice no País das Maravilhas", um dos contos fantásticos mais famosos do mundo e de autoria de ninguém menos que o britânico Lewis Carroll, ganhou este ano uma genial adaptação cinematográfica que ficou por conta do diretor Tim Burton, conhecido pela sua genialidade em retratar mundos de fantasia de forma ainda mais atraente, além de atribuir toques de delicadeza, diversão e emoção quase que simultaneamente em suas produções. O senhor de quem vos falo também esteve na direção de outros longas como "A Fantástica Fábrica de Chocolates (2005)" e "A Noiva Cadáver (2009)".

Nessa nova adaptação para o cinema do texto de Carroll, a inovação está presente! Burton agora traz Alice ao País das Maravilhas com 19 anos de idade sem nenhuma lembrança "real" da última viagem que ela havia feito ao lugar onde as maravilhas estão vivíssimas aos 7 anos. A chegada ao mundo da fantasia pura não podia ser diferente, pois é através da toca do coelho que Alice novamente cai em um buraco quase sem fim até dar início à sua nova jornada. Lá, nossa personagem tão querida, e agora um pouco mais velha, terá de enfrentar as forças opressoras da Rainha Vermelha, a vilã da história, também conhecida como "Rainha de Copas". No entanto, com a ajuda do Chapeleiro Maluco, dos Tweedles e da Rainha Branca, em especial, Alice não estrá sozinha em sua missão - missão esta que até ela desconfia de ser dela mesmo!

Façamos menção aqui aos figurinos que beiram a perfeição dos personagens desse filme, com destaque para os belíssimos trajes da Rainha Branca (Anne Hathway), Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter) e Alice (Mia Wasikowska). Johnny Depp, que deu vida ao Chapeleiro Maluco, também possui vestimentas atraentes e vivas, que só vêm a contribuir positivamente para sua atuação dentro da história. As performances mostram a essência da delicadeza das palavras de Carrol em seu livro, pois o elenco escolhido por Tim é constituído por grandes profissionais do cinema norteamericano e britânico conhecidos (as) por suas excelentes atuações e premiações oriundas de outras produções do cinema. O mesmo sucesso dos personagens "humanos" é dado às "criações" computadorizadas, como o Gato Cheshire, com seu sorriso de orelha a orelha, cheio de enigmas e insinuações.

Esse novo olhar sobre "Alice no País das Maravilhas" é, no mínimo, criativo! A ambientação, a trilha sonora, o elenco, os figurinos - tudo combina com a excepcionalidade da história de Lewis Carroll. Este é um filme indicadíssimo para aqueles e aquelas que gostam de se dar o prazer de sonhar, mesmo que só às vezes. É para os amantes do jeito intimista e mágico de Lewis Carroll escrever e, ainda para todos e todas que têm paixão pela literatura e pela arte. É para poucos (as), admito. Que tal, então, ser mais um (a) do grupo? Assista e comente sua opinião aqui, ela será bem vinda.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Livro da Semana: "Sete ossos e uma maldição", de Rosa Amanda Strausz

Dizem que a emoção mais forte e mais antiga do mundo é o medo, precisamente o medo do desconhecido. Rosa Amanda Strausz apostou nisso e escreveu 11 contos de terror de deixar o coração acelerado e a respiração entrecortada. Nada explícito ou de mau gosto, como sangue espirrando e miolos saltando. Pelo contrário, é tudo sugerido, e a imaginação de cada leitor é que se encarregue de formar as cenas macabras. Exemplo disso é o conto que abre o livro: "Crianças à venda. Tratar aqui". Nele, uma mãe miserável e oportunista resolve vender os filhos para, em primeiro plano, melhorar sua vida e, em segundo plano, a de sua prole. No entanto, quando vende o último filho, Fabiojunio, a felicidade esperada não vem, pelo menos para a criança. A irmã mais velha, Simara, desconfia dos compradores e depois, quando chegam as fotos de Fabiojunio na nova residência, ela acha muito estranha a expressão do menino. Convicta de que há algo de errado naquela história, resolve investigar e o que descobre é bastante aterrorizante. Rosa A. Strausz é jornalista, formada pela UFRJ. Além dos livros que escreve, produz textos e roteiros para diversos meios (jornais, publicidade, rádio, multimídia, hipertexto, etc.). Também edita o portal Doce de Letra, que é o maior em língua portuguesa sobre literatura infantil. Segundo ela própria: "Estou sempre procurando um novo jeito de olhar, e escrever para crianças e adolescentes é quase consequência natural de viver procurando pontos de vista diferentes. Dar oficinas e palestras para professores e crianças é outro jeito de buscar esse olhar glutão: é no contato com o meu público que troco as lentes e encontro novos jeitos de ver." 

Medo. Um medo avassalador, sutilmente construído. É isso que vocês irão sentir quando penetrarem na atmosfera de terror deste livro. Sem escapatória, completamente seduzidos, irão entender que não haverá mais volta. Para sempre. Maldição? Talvez redenção. A escolha é de vocês!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A literatura de Poe: liberdade vs. fatalidade


Nas narrativas de Poe, está em curso uma imaginação livre, moderna e poderosa. Há sempre um sujeito muito claro que enuncia o relato e está sempre em cena uma linguagem que "Aparece", como diria Foucault. Esta marca de vincada subjetividade torna-se visível, por exemplo, no conto "Silêncio", que dá corpo a um curioso diálogo entre o demônio e o narrador, junto ao túmulo deste último, sob o pano de fundo de uma paisagem que se vai alterando. Metamorfose que por si se explica como se fosse um ato que não carece de criador ou explicativo: é este mesmo o cerne do emergir literário.

O modelo de diálogo onde o demônio intervém surge em outras narrativas como, por exemplo, em "O Gato Preto" (J'adore! =]). O trânsito entre a vida e a morte torna-se aí realmente chão, direto e, sobretudo dissociado da parábola ou do caráter de alegoria ou "exempla", o que jamais aconteceria nas literaturas pré-modernas que sempre separaram a esfera do divino e a esfera dos homens. Os personagens de Poe são sempre sujeitos ativos que edificam, matam ou redimem, sendo tão-só guiados pelo que resulta das virtualidades literárias da imaginação e da linguagem. O mesmo pressuposto de jogo criativo viria, no futuro, a revelar-se no cinema em alguns dos mestres do expressionismo cinematográfico alemão, como Fritz Lang ou Murnau.

Em Poe, a cena ficcional é sempre atraída por uma ideia de fatalidade, ao fim e ao cabo um modo de questionar os sentidos que a então recentíssima vida moderna e urbana colocava em marcha. Ao longo de séculos, as providências haviam acautelado a harmonia entre os deuses e os homens, mas agora, separados dessa junção protetora, os personagens de Poe mais não fazem do que profeticamente prenunciar - passe a redundância - a negatividade do sujeito moderno, tão do gosto de Baudelaire, Nietzsche ou Ortega Y Gasset, etc.

Em contos como "Ligeia", "Gato Preto", "O Rei peste", "Berenice" ou "Eleanora", a fatalidade acompanha toda a trama e chega mesmo a ser assinalada pela voz que narra: "Já não era capaz de me reconhecer. A minha alma original pareceu fugir-me de repente do corpo"; ou "Falarei apenas daquele aposento, para sempre amaldiçoado ao qual, num momento de loucura, conduzi como minha esposa - como sucessora da inolvidável Ligeia - a minha loura (...)".

Ao contrário dos monstros e "portenta" que, no imaginário pré-moderno, eram habitantes de um alhures legitimado de modo metafísico, nas narrativas de Poe a topografia das monstruosidades e fantasmas abre-se à empatia do quotidiano, sendo fruto de um puro jogo da linguagem literária. Tal ocorre, quer através de um olhar que filtra o ambiente das novas cidades e as novas visibilidades do quotidiano, quer através de um olhar preso à idealidade romântica e gótica que visiona ruínas medievais e espectros desolados. Literatura de fusão feita a partir de uma simbiose de olhares, como se vislumbrasse uma espantosa intuição do tropo fotográfico, fenômeno, também ele, emergente e contemporâneo da obra e da vida do autor.

[Texto de Luís Carmelo]

sábado, 4 de dezembro de 2010

Livro da Semana: "A alegria de ensinar", de Rubem Alves.


Rubem Alves é um grande ídolo particular meu. Escreve sobre educação sem hipocrisia ou demagogia, pois é um verdadeiro educador. Em um dos seus livros que tratam de questões voltadas à educação, "A alegria de ensinar", podemos perceber o quanto somos por vezes incoerentes com nossos professores, enquanto alunos, e com nossos alunos, enquanto professores. A tarefa de ensinar, segundo Rubem, não é fácil e, aliás, tem de ser difícil e árdua mesmo. É assim que as pessoas valorizam as coisas, quando sofrem para obtê-las. No entanto, não é porque a tarefa é um veraddeiro desafio, que não possa ser executada com alegria e dinamismo.Alegria - é o que tem faltado nas nossas escolas, nos nossos docentes e alunos. Geralmente, não se vai mais à escola por prazer. As crianças e adolescente cumprem regras secas e ditatoriais em sala, como, por exemplo, não refutar a opinião do professor, ser todo poderoso e sagrado em sala. Muitos professores apenas vão cumprir horário, porque o que importa para eles é receber seu salário ao fim de cada mês. É preciso, segundo o autor, estabelecer nas instituições de ensino o sentimento de alegria, incitar as pessoas a estudarem e ensinarem por amor, prazer. Não é algo muito complexo. Imaginem se em todo as aulas, ou na maioria delas, cada professor entrasse em sala sorrindo, feliz, contente por estar ali? Como seria se todos os professores se colocassem em pé de igualdade cognitiva com seus alunos? Pensem como seria ver todos os professores se auto-avaliando e propondo que os seus alunos também o avaliassem? Nesse livro, Rubem Alves nos põe de frente para esses questionamentos e é isso que a alegria de ensinar propõe. Ele também fala dos heróis anônimos, os professores e professoras, que fazem o melhor todos os dias em suas salas, se preocupando com seus alunos e instigando-os a amar o conhecimento. São esses heróis e heroínas que merecem destaque, pois trabalham alegres, apesar de tantas atribulações que perpassam a atividade docente. "A alegria de ensinar" é uma obra indicada a todos que desejam saber como ser alegres, como seduzir os alunos na educação com a alegria e, fazem de tudo, para aqueles que partilham do sonho de uma educação cada vez mais inclusiva e alegre.

domingo, 28 de novembro de 2010

O Evento Cinematográfico de 2010


"Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1" é uma obra prima do cinema que vai além das expectativas criadas por cerca de 1 ano e meio de intensos períodos de gravação nos estúdios Leavesden ou nas florestas, e demais locações, da Grã-Bretanha. Diferente do que muitos críticos céticos já pressupunham antes mesmo do lançamento, a primeira parte do final épico do maior estrondo literário em décadas é clara e objetiva na transmissão de suas mensagens, o que somado aos belíssimos figurinos, como foi o caso do vestido de casamento de Fleur Delacour e dos trajes de gala dos protagonistas Harry, Rony e Hermione, e à excepcional trilha sonora de Alexander Desplat, que aguçou ainda mais o tom de emoção, humor e perigo da cada cena, nos rendeu uma produção cinematográfica memorável e digna do status de "clássico". 


Para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de ler os textos de J.K. Rowling, mas assistiram a todas as adaptações para o cinema, o entendimento das sequências desse novo filme da série pode se tornar um pouco difícil, devido à grande quantidade de fatos e situações que acontecem durante as quase 2 horas e meia de duração do mesmo. Porém, nada que uma boa memória e percepção geral da história (no caso de quem assistiu apenas aos filmes) resolva, já que a destreza do roteirista Steve Kloves, junto à direção espetacular, e nada hollywoodiana, de David Yates contribui muito para que o filme não seja "um emaranhado de cenas e mais cenas, que não tenham nada a mostrar e dizer realmente", nas palavras do Sr. Prof. Pasquali - é, aquele mesmo que só fala em gramática e tal. 


As atuações de Daniel Radcliffe (Harry Potter), Emma Watson (Hermione Granger) e Rupert Grint (Rony Weasley) nunca estiveram melhores. Os atores evoluíram bastante em vários aspectos, que vão desde encenação e expressão facial até a total imersão no universo emocional de cada personagem, o que é bem perceptível em vários momentos da história. É uma grande viagem, onde as crianças cresceram e têm nada menos que a missão de procurar e destruir as horcruxes, objetos criados a partir de magia negra, que contêm pedaços da alma do bruxo mais poderoso de todos os tempos, Lord Voldemort. Nossos protagonistas não possuem nenhuma pista, mapa ou caminho certo, inicialmente, em relação à localização desses objetos, o que dificulta sua procura e causa conflitos entre o trio, como a discussão entre Harry e Rony, que acaba na partida deste último até determinado ponto da produção. 


O filme faz juz ao livro, pois é até agora a produção mais verídica em relação à história escrita sem sombra de dúvidas. No entanto, o acréscimo de cenas especiais, que vinha dando errado, de certa forma, nas outras 6 adaptações cinematográficas, brindou aos espectadores de "Relíquias da Morte 1" com o momento em que Harry e Hermione dançam juntos (logo após a partida de Rony) na cabana ao som de "O Children", uma canção belíssima de Nick Cave com participação dos The Bad Seeds, que Hermione está escutando no rádio no momento em que Harry a convida. A química entre Daniel e Emma nesta cena é perfeita. Conseguimos sentir o tom de entrega e submissão de um para com o outro ao dançarem; a vontade de Harry de fazer Hermione sorrir; e o quanto essa se dá no momento, aproveitando cada passo engraçado da dança dos dois. É um dos momentos mais tocantes do filme.



Porém, não se enganem achando que este é um filme de romance apenas. O medo e o suspense ficam por conta dos Comensais da Morte e dos sequestradores, seguidores do Lord das Trevas, mas, principalmente, pela cobra Nagini - esta sim, responsável pelos gritos, sustos e momentos de suspense e apreensão de quem assistiu, e assistirá, a nova adaptação da franquia Potter. Outras figuras bem sinistras e extrovertidas como Batilda Bagshot, Xenofílio Lovegood e Grindewald atraírão a atenção daqueles que tiverem o privilégio de assitir o filme. 



Bem, contar o filme de cima a baixo seria um máximo, mas não essa minha função aqui. Quero apenas deixá-los a par do quão épica e maravilhosa é a primeira parte da adaptação de Harry Potter e as Relíquias da Morte. Este é um filme que mescla romance, tristeza, sofrimento, humor e ação. São sequências fortes, marcantes, nos mostrando o verdadeiro perfil que o livro possui. Vocês estarão acompanhando o início do fim da trajetória de crianças que cresceram no reduto seguro da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e agora encontram-se em fuga constante da morte. Elas lutam pelo bem, belos valores do amor, por tudo que as fez derrotar bruxos malignos, aranhas gigantes, basilisco, dementadores, criaturas mágicas, conspirações políticas e maldições em todos os outros livros/filmes.  E, como nos demais momentos passados da franquia de cinema, eles também contam com a ajuda de grandes heróis nesse novo momento do cinema, como os elfos mágicos Dobby e Monstro, o artesão de varinhas, Olivaras, e do casal anglo-francês, Gui e Fleur. Não é só um monte de feitiços ou bruxos e bruxas. É algo maior que isso, pois a verdadeira magia está nas emoções que essas histórias são capazes de despertar em crianças, adolescentes, adultos e idosos. O real encantamento está na forma de ensinar sobre princípios centrados no bem, sobre a forma de falar da morte e de saber enfrentá-la. 



Eu, assim como milhares de outras pessoas, me sinto triste por saber que está chegando o fim, ao menos temporário, de toda essa história. Sinto um vazio, é como se a ficha ainda não tivesse caído e a gente esperasse que algo a mais viesse. O que nos consola é saber que apesar de tantas críticas, tanto desacreditamento e tanta falta de senso e toque literário por parte de quem insiste em fazer de "Harry Potter" apenas um fenômeno mercadológico de quinta categoria, esta série não será um clássico do futuro. Ela já é. Eu li, meus filhos lerão, os filhos deles lerão e assim a hegemonia da fantasia, da coragem e da incessante batalha do bem contra o mal serão coisas que daqui a 100 anos serão assunto de pessoas como nós. Diferente de outras formas de cultura, que sim, essas passam, a história de três bruxinhos de 11 anos que entram em um castelo cheio de luzes através de um lago e daí crescem e se debatem com coisas e mais coisas só acaba de começar...


Livro da Semana: "A hora da estrela", de Clarice Lispector



Clarice Lispector foi uma mulher intimista, ela não escrevia por fora, mas por dentro. Era essa sua principal característica e marca primordial dos seus textos. Lançada um pouco antes de sua morte em 1977, "A hora da estrela" é uma obra que trata, dentre outros tantos assuntos, da ideia de existencialismo, trabalhada em cima da personagem Macabéa, uma nordestina que sofre retaliações por parte de uma tia durante toda a infância e juventude e, após a morte dessa, parte para a cidade do Rio de Janeiro em busca da vida (será?). Além de apresentar em pouquíssimas páginas mensagens que nos põem diante de reflexões necessárias sobre vida, morte e nossa posição em relação a tudo isso, Clarice toca em um tema de interesse público, ao menos em nossa região, que é a questão das relações discriminativas e preconceituosas voltadas para homens e mulheres sertanejos, nascidos e criados no campo, e que em algum momento de suas vidas decidem enfrentar a cidade grande. 

Macabéa não possui pensamento, dissernimento ou amor próprio aparentes. Em vida. Mas alguém abre os olhos dela, assim como uma infinitude de pessoas que passam pelas nossas vidas com suas verdades. Não é bom negar, não é bom repudiar. Cada um é cada um e o que nos torna alguém são nossas escolhas e jamais nossos bens. Macabéa, mesmo inconsciente disso, escolheu o melhor. Escolheu acreditar. E foi nessa escolha que a vida atravessou o véu da imortalidade e a infelicidade fez-se felicidade, a ignorância fez-se conhecimento e o existir passou realmente a existir.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A importância da leitura!


As tecnologias do mundo moderno fizeram com que as pessoas deixassem a leitura de livros de lado, isso resultou em jovens cada vez mais desinteressados pelos livros, possuindo um vocabulários cada vez mais pobres. A leitura é algo crucial para a aprendizagem do ser humano, pois é através dela que podemos enriquecer nosso vocabulário, obter conhecimento, dinamizar o raciocínio e a interpretação. Muitas pessoas dizem não ter paciência para ler um livro, no entanto isso acontece por falta de hábito, pois se a leitura fosse um hábito rotineiro as pessoas saberiam apreciar uma boa obra literária, por exemplo. Muitas coisas que aprendemos na escola são esquecidas com o tempo, pois não as praticamos, através da leitura rotineira tais conhecimentos se fixariam de forma a não serem esquecidos posteriormente. Dúvidas que temos ao escrever poderiam ser sanadas pelo hábito de ler, talvez nem as tivéssemos, pois a leitura torna nosso conhecimento mais amplo e diversificado. Durante a leitura descobrimos mundos novos, cheios de coisas desconhecidas. O hábito de ler deve ser estimulado na infância, para que o indivíduo aprenda desde cedo que ler é algo importante e prazeroso, assim com certeza ele será um adulto culto, dinâmico e perspicaz. Saber ler e compreender o que os outros dizem nos difere dos animais irracionais, pois comer, beber e dormir até eles sabem. É a leitura que proporciona a capacidade de interpretação. Toda escola, pública ou privada, deve fornecer uma educação de qualidade incentivando a leitura, pois dessa forma a população se torna mais informada e crítica.




sábado, 20 de novembro de 2010

Livro da Semana: "Harry Potter e as Relíquias da Morte", de J.K. Rowling


"A morte é apenas a próxima aventura"

A indicação de leitura desta última semana não poderia ser tão especial para mim quanto "Harry Potter e as Relíquias da Morte". Falo como fã de toda a série, composta por 7 livros, e também como estudioso de Literatura Fantástica e dos próprios livros da Rowling. Há uma coisa a se dizer inicialmente: este livro encerra o evento literário do século, o que trouxe à luz da importância do ato de ler por prazer a mais que "algumas crianças". Não foram apenas milhares de leitores (as). Foram e são bilhões de pessoas a conhecer a magia do texto de Joanne Kathleen sobre o menino bruxo Harry Potter.

Em meio a uma série de críticas dos "acadêmicos conservacionistas", que resumem o livro a "mais um de literatura de entretenimento", a obra não vem perdendo qualquer espaço do que já havia conquistado. Pelo contrário, parece-me que em revide à falta de compreensão e tato literário dos  (as) academicistas para lidar com "Harry Potter", os livros (especialmente "Relíquias da Morte") só têm ganhado e formado mais leitores (as) árduos mundo à fora. É um fato: crianças que mal liam livros de 100 páginas para trabalhos escolares ou leitura pessoal passaram a ler 500 páginas de UM livro da série Harry Potter em uma semana, por exemplo. 

Em "Harry Potter e as Relíquias da Morte", os valores humanos são escancaradamente expostos ao leitor (a) nas ações que transcorrem as quase 600 páginas do livro. Não é livro de bruxaria ou feitiçaria, não induz crianças/jovens a praticarem magia negra. Na verdade, mostra o quão importantes são alguns valores que a nossa sociedade deixou passar, deixou de ensinar às crianças e cultivar entre os adultos. O bem, a amizade, o amor, a lealdade, a coragem e a inteligência são provas vivas das relações entre o mundo de Harry e o nosso. É, no mínimo, intrigante pensar em que se baseiam as pessoas que nem sequer leram qualquer um dos exemplares da série, mas ainda assim estão munidos de facas e pedras para falar da "irrelevância" da leitura de Potter.

Nas palavras de Voltaire, o simples fato de você criticar algo que não tenha lido e, assim, não conheça verdadeiramente, já é o bastante para desvalorizar qualquer crítica que você faça à qualquer obra. Por isso, valorizo tantos estes livros e também é por causa disso que acredito, e invisto, na utilização destes livros para atrair as crianças para o mundo da literatura, o mundo que realmente dá chances mais concretas e abstratas (e pode?) de o indivíduo conhecer e ter acesso a mundos diferentes, atraentes e totalmente abertos à sua compreensão. Parece muito, mas não é. A leitura é bem mais que isso. Só dei um "gostinho". 

Indico com toda a convicção e ponho minha cara à tapa, subjetivamente falando, a respeito da leitura das "Relíquias da Morte". É um livro belíssimo e que merece ser lido. Agora, atenção! Ele é o último se uma série de 7. Talvez isso não atrapalhe o entendimento, talvez sim. Mas, a indicação está lançada. Que tal aprender a gostar de ler?

domingo, 14 de novembro de 2010

2ª SEMANA DE LÍNGUAS - EMANS




Secretaria de Educação de Ipanguaçu
Escola Municipal Adalberto Nobre de Siqueira
Assentamento Tabuleiro Alto/Ipanguaçu, RN

CONVITE

            “A literatura salva!”, já dizia Clarice Lispector. E é por total reconhecimento ao prazer de ler e à sua importância em diversos contextos, que os alunos de 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental II da Escola Municipal Adalberto Nobre de Siqueira (Tabuleiro Alto) estarão realizando a 2ª edição do projeto “Semana de Línguas”, tendo como tema nessa nova apresentação “A magia da palavra no limiar da Literatura Fantástica”. Com base nas leituras de textos de fantasia como “O Pequeno Príncipe” (6º ano), “Harry Potter e a Pedra Filosofal” (7º ano), “Alice no País das Maravilhas” (8º ano) e “As Crônicas de Nárnia” (9º ano) a 2ª exposição literária guarda surpresas belíssimas que exalam por si só os aromas da boa leitura, da leitura prazerosa. Sua participação é muito importante dentro desse evento das letras! Por isso, temos a honra de convidá-los (las) a vir prestigiar os trabalhos dos (as) alunos (as) durante as atividades a serem realizadas nos os dias 24, 25 e 26 de novembro/2010

Atenciosamente,
André Magri Ribeiro de Melo
(Professor de Língua Portuguesa e suas literaturas & Cultura do RN)
Andréia Laureano
(Supervisora Escolar do Ensino Fundamental - Anos Finais)

PROGRAMAÇÃO DO EVENTO:
24/11 – Quarta Feira
25/11 – Quinta Feira
26/11 – Sexta Feira
13h30min – Abertura Oficial
13h30min – Sessão de Comunicação Oral
13h30min – Abertura da 1ª Gincana Literária da EMANS.
14h00min – Exposições e visitação da comunidade escolar.
14h30min – Palestra: “Usos e sentidos da Literatura Fantástica em sala de aula”
16h30min – Cerimônia de premiação da gincana literária, Olimpíada de Língua Portuguesa 2010 e Concurso de Redação.
16h00min – Apresentações Culturais (6º, 7º, 8º e 9º anos – EF II).
15h30min – Oficina: “A Fantástica Fábrica de Jogos no ensino de Línguas”
17h15min – Baile Fantástico (apenas para alunos do EF II e equipe escolar).

Por que ler um clássico?

Amigos (as) leitores (as)

Creio que muitos de vocês devem saber o que é um clássico da literatura universal!

É um livro que foi muito apreciado desde sua primeira publicação e, ao longo do tempo, traduzido para vários idiomas, continuou sendo lido e apreciado no mundo todo. Ultrapassou as barreiras do tempo e do espaço, tornando-se universal, isto é, uma obra consagrada por toda a humanidade. Os livros e os autores clássicos marcam a história da literatura. Além da emoção da história, a leitura de um clássico pode nos trazer muitas informações interessantes. Pense bem, nosso jeito de viver não surgiu do nada. As maneiras de pensar de cada época, a maneira de escrever dos autores, o jeito de ser das pessoas não são sempre os mesmos. Uma época influencia a outra, um país influencia o outro, e os costumes vão se transformando. Mas suas marcas não desaparecem. E essas transformações vão sempre continuar acontecendo. É assim que se faz a História, com H maiúsculo. Lendo os clássicos, podemos conhecer um pouco da nossa História, reconhecer muitas dessas maneiras de ser e de pensar que nos influenciaram e que deram origem ao nosso modo de viver e de pensar. Muitos livros escritos hoje acabarão se tornando clássicos. Mas só o passar do tempo mostra quais são as obras clássicas, aquelas que vieram para ficar, que sempre continuarão sendo lidas com interesse.

Livro da semana: "A Revolução dos Bichos", de George Orwell


Quando foi publicado, em 1945, depois de rejeitado por vários editores - entre eles o poeta T.S. Eliot -, "A revolução dos bichos" causou mal estar no establishment literário e político da época, pois foi imediatamente percebido como uma sátira feroz da ditadura stalinista, e os soviéticos ainda eram vistos como aliados na luta contra o nazifascismo. Para agravar o desconforto, os líderes do regime totalitário da Granja dos Bichos eram os porcos - o que soou como uma ofensa direta aos dirigentes russos. De fato, a analogia era escancarada. Como não identificar nos expurgos, nos assassinatos, nos exílios e na distorção da memória histórica o que estava ocorrendo na União Soviética? Como não ver Stálin no despótico Napoleão e Trotski no proscrito Bola-de-Neve?

Poucos anos depois, a situação se inverteu: com o acirramento da Guerra Fria, o Ocidente passou a usar a fábula política de George Orwell como arma ideológica anticomunista - situação incômoda para o próprio autor, que se professava socialista e havia lutado como voluntário ao lado dos republicanos na Guerra Civil Espanhola.

Hoje, passadas seis décadas de profundas transformações na face do mundo, esta pequena obra-prima resiste intacta como trabalho de fantasia em torno dos mecanismos do poder, no qual os diversos animais encarnam as fraquezas humanas que levam à corrosão dos ideais igualitários e sua transformação em tirania. 

Fundindo o estofo ético das fábulas clássicas à melhor tradição da sátira política, à maneira de Jonathan Swift, Orwell nos dá aqui uma visão perene e pessimista da política, lugar onde os homens, no mais das vezes, comportam-se como feras. A construção narrativa engenhosa, o cuidado na descrição de ambientes e situações, o humor onipresente, bem como a criação de personagens psicológica e moralmente complexos, tornam a leitura de "A revolução dos bichos" prazerosa e iluminadora mesmo para quem desconhece o contexto histórico-político que inspirou o livro. Por isso continua sendo um clássico que apaixona os mais variados tipos de leitor pelo mundo afora.


sábado, 6 de novembro de 2010

Livro da semana: "O Caderno", de José Saramago.



José Saramago, um homem de opinião forte e marcante, apesar de ter deixado o nosso mundo, nos deixou uma excelente bibliografia em língua portuguesa, que trata, como nenhuma outra, as questões mundanas, os impasses do homem e a ignorância humana, por exemplo. "O Caderno" foi um de seus últimos trabalhos antes de falecer, e é resultado da junção de todas as postagens publicadas em seu blog, de setembro de 2008 a março de 2009. A obra é composta por textos curtos e diretos, que expõem nada menos que as reflexões de um ícone da literatura portuguesa e mundial sobre as questões que nos cercam e exercem influência diária em nossas vidas. Com a linguagem de sempre, seca e chocante, Saramago nos põe em "O Caderno" diante da nossa incompetência em olhar e ver o que os "grandes" vêem fazendo em nome das ditas "ética" e "democracia". Este foi o primeiro título literário que indiquei a vocês e espero que alguns, ou alguém, possam ter se dado o prazer de se deleitar sobre esta leitura. José Saramago se lê uma vez e só poderão se suceder duas coisas: amar ou odiar. Ou você entende que o mundo é sujo e as pessoas também e tudo isso precisa de mudança ou pensará que aquelas são palavras de um velho gagá que já perdeu o fio da meada do mundo literário e precisa mais é tomar umas aulas de "temas teens" com a Meyer, por exemplo. Caso alguém tenha se dado a tal prazer, por favor comente por aqui. Espero poder compartilhar mais das minhas experiências, enquanto leitor, com vocês. E fiquem de olho, pois a indicação da semana que vem já está no ar!

P.S. - Queridos seres humanos, o meu comentário sobre o livro/filme da semana sempre será feito quando este sair da estante virtual para dar espaço às novas indicações. Sugestões são sempre bem vindas, vale lembrar! :)

P.S. 2 - Vocês podem adquirir, pelo preço mais viável na internet, o livro "O Caderno", distribuído no Brasil pela Companhia das Letras, através deste link: http://www.walmart.com.br/Produto/Livros/Literatura-Estrangeira/Companhia-das-Letras/82806-O-Caderno.aspx