Um espaço para discutir sobre os ideais da educação libertária, metodologias de aula interessantes e eficazes, música, literatura e, é claro, sobre a importância de formar cidadãos e cidadãs que pensam!
A ideia de que as aulas de Língua Portuguesa devem ser centradas no ensino de regras gramaticais é antiga, tradicionalista e, de forma mais direta, ERRADA! Quando nos deparamos com índices baixíssimos do desenvolvimento do Brasil em exames nacionais que testam as competências de leitura e escrita dos nossos alunos (como a Prova Brasil, o ENEM e o SAEB) vamos direto ao grande problema: as escolas não têm ensinado aos seus estudantes as verdadeiras utilidades e usos que cabem a uma língua. Em vez de mostrar às crianças e adolescentes a relevância que um bom domínio da Língua Portuguesa pode ter em nossas vidas, a escola está presa (infelizmente!) ao pensamento de que só sabe bem Português aquele fulano que decorou a diferença básica entre um adjunto adnominal e um complemento nominal dentro de uma oração, por exemplo. Triste ilusão...
Quando os professores de Língua Portuguesa entenderem que os alunos NÃO PRECISAM conhecer todas as regras que a gramática da norma culta deseja ensinar, eles passarão a voltar sua prática pedagógica para o ensino da leitura e da escrita – habilidades que os estudantes PRECISAM SIM para as mais variadas situações do dia a dia, que vão desde pedir uma informação na rua até redigir um artigo científico para apresentar num congresso de ciências internacional! A língua é viva e se nossos estudantes não souberem disso, jamais sairão das velhas, batidas, e rebatidas normas gramaticais sem sentido, sem contexto, sem texto!
Todas as aulas, principalmente as de Português, precisam apresentar aos alunos os mais variados gêneros de texto, porque é só através deles que os estudantes poderão entender REALMENTE a importância do estudo de sua língua. Que bom seria se todas as escolas parassem um pouco de deixar o Livro Didático dominar as aulas de seus professores e passassem a ensinar apenas duas coisas. Primeiro: ler por prazer! Segundo: Escrever e refletir, com base na leitura. Dessa forma, alunos que sempre acharam a leitura chata passarão a amá-la; alunos que odiavam as aulas de Português passarão a ver nelas uma forma de crescer nas outras disciplinas; alunos que não escreviam se tornarão escritores melhores, com emoção e sensibilidade. Que professor não deseja isto? Ver algo encantador: A MUDANÇA DO DISCURSO DOS SEUS ALUNOS!
O Campus de Ipanguaçu do IFRN foi uma das escolas pelas quais passei durante os meus 19 anos. Foi a escola onde mais aprendi, onde mais cresci e, obviamente, onde iniciei a construção, de fato, do meu senso crítico com relação ao mundo ao meu redor, o valor da educação nesse mesmo mundo e do quanto ainda precisaria ser feito para as coisas começarem a caminhar direitinho. Aquela escola está na minha mente, disso estejam certos e certas. Mas o importante mesmo é que ela e as pessoas com as quais cresci junto têm lugar privilegiado em meu coração: amigos, colegas, técnicos, coordenadores e, principalmente, os professores - ah, eles! Os meus professores e professoras foram, e continuam sendo, a parte mais bonita do meu período enquanto do IFRN-Ipanguaçu. Eles ensinaram-me muito além dos conteúdos da nada libertária "grade curricular". Lecionaram-me sobre a vida, sobre o meu papel nessa e sobre o papel dos outros diante do meu.
Por tanto respeito àquela escola e à sua gente é que estou deveras magoado e ressentido com algumas situações que têm acontecido lá. Jamais imaginei que uma eleição para Grêmio Estudantil, uma entidade que tem por objetivo e obrigação representar os interesses, direitos e deveres dos alunos, fosse gerar na minha escola tanta balburdia, escândalos e o pior: que fosse ferir o código ético e moral que deve reger toda a escola e, inclusive, aqueles que se mostram dispostos a "representar os alunos".
Compra de votos com lanchinhos ou cópia de material escolar? A que ponto e a que status chegaram alguns dos nossos estudantes na vontade avassaladora de ganhar as eleições e perpetuar esses ideias distorcidos, fraudulentos e enojadores? Sério gente, mas me dá ânsias de vômito só de pensar em como estão banalizadas palavras como "ética", "política" e "moral". As pessoas passaram a não usar mais essas palavras. Ou melhor, usá-las sem entender os reais valores que carregam em sua construção silábica. Se fizerem um pequeno passeio em retrospectiva no cenário político brasileiro poderão ver que muitos dos políticos que mais sujaram a conduta e imagem do nosso país eram do tipo "simpáticos e cheios de presentes pra dar". Sem instinto investigativo para ir a um livro de história do Brasil? Leia um exemplar do Diário de Natal ou assista ao RNtv. Os casos de líderes políticos que usaram de má fé da boa vontade e da ingenuidade (ou idiotice mesmo) daqueles que os elegeram são vários! Tem drama de todo o tipo, desde os mexicanos aos hollywoodianos.
Como na maioria dos casos, os sorrisos e presentinhos sempre vencem. Uma pena. Uma lástima. Uma coisa boa. Boa... Por que? Simples! Quando sofremos na pele mesmo, quando batem na nossa cara por qualquer coisa mesmo, aí tendemos a pensar. Tendemos a refletir sobre o que fizemos e porque fizemos. Nada melhor para quebrar uma ilusão do que vê-la diluir-se na sua frente por si só!
Agora, um apelo, meus caros leitores e leitoras. Não se deixem levar por palavras ditas de forma fácil demais. Elas geralmente nos levam a promessas e condutas mais fáceis ainda de serem quebradas. Infelizmente, é assim. As relações políticas verdadeiras e legítimas não estão alicerçadas em chocolates ou cafés da manhã, apesar de ser isso o que grande parte das pessoas acham. O que eu não suporto é que alunos do Instituto Federal, uma escola de respeito e ensino de excelência, sejam iniciados nos caminhos da corrupção e da demagogia. Não suporto, ainda, que os meus mestres defensores da boa política e da defesa à ética e à moral sejam insultados por estudantes que não sabem tem maturidade para sequer pronunciar o vocábulo "política" ou talvez "eleição". Por favor, líderes e adeptos, não sujem a imagem da escola que guardo em memória e coração. Vocês não têm esse direito.
P.S. - Parabéns aos revolucionários resistentes! Uma batalha pode ter sido perdida. A guerra, nem pensar. "Não existe revolução sem resistência!"
"Penso, logo existo", já dizia o filósofo francês René Descartes. De uma maneira mais simples e objetiva, ele diz que nossa existência só depende de uma coisa - das faculdades do pensamento, do ato de pensar e refletir sobre a nossa vida e sobre o que nos cerca. Pensar sobre qualquer coisa mesmo. Vejam só: vocês já pensaram no porque de o céu ser azul ou no porque de todos os dias o por do sol nos brindar com combinações de cores diversas e inéditas? À primeira vista, parecem questões sem importância, não é? Pois bem, os grandes pensadores do mundo partiram de questionamentos "simples" sobre os aspectos da vida cotidiana, para só então, iniciarem reflexões mais complexas e trabalhosas sobre o comportamento dos seres humanos, por exemplo. Se não pensamos, não existimos. Apenas co-existimos. E o que é isso? Isso é levar uma vida sem sentido, valores ou objetivos. A chave do conhecimento está no ato de pensar, de refletir! É dele que aprendemos a autocrítica, a crítica positiva, a reflexão e o senso crítico-moral. Você tem pensado muito ultimamente? Se a resposta for não, então comece pelas seguintes questões: O que eu estou fazendo neste planeta? Qual é a minha real função aqui? O que eu estou (ou devo) fazer para mudar a minha realidade e, por conseguinte, a da comunidade onde estou inserido? Quando refletir sobre isso, você passará a ver a educação além das salas de aula, professores e regras a cumprir. Você a verá como um mundo!
Um domingo normal, um dia normal e recebo uma notícia que parece a cada dia mais normal em nossa sociedade. O jovem Ká Stock foi encontrado morto, vítima de um brutal assassinato na cidade de Natal (estupro, estrangulamento e esfaqueamento). E de onde vem todo esse ódio aos gays? E que direito esses "seres humanos" tem de tirar a vida de outra pessoa? Por que os gays incomodam tanto a esse tipo de gente?
É triste, frustrante, incômodo... maligno. O Ministério da Educação decide distribuir um kit anti-homofobia, isto é, que ensina a importância de conviver e respeitar o diferente, o outro, aquilo que não seguimos, mas nem por tal motivo devemos censurar ou repudiar. Resultado? Milhares de evangélicos unem-se contra a medida do governo federal alegando que a medida vai contra os "preceitos divinos", nega a existência de um "Deus maior" e "descumpre as leis bíblicas". Danem-se todos! Que tipo de pessoas você são? Pergunto-me, então, que amor e que Deus é este que preferem a morte de pessoas de carne e osso, filhos do mesmo Deus? Não tenho dúvidas de que essas pessoas que tanto defendem a ideia de o homossexualismo não ser um distúrbio pecaminoso não encontrarão sequer um recanto junto a Deus, ao verdadeiro, onipotente, onipresente e onisciente. O que vocês, meus caros, tanto prezam em vossas igrejas adornadas com as mais belas peças e decorações oriundas da ganância e da ambição humanas (que ironia, não?) jamais será a verdadeira vontade divina. Vocês transpiram maldade - e o pior, uma maldade velada, encoberta pela "obediência" aos mandamentos bíblicos.
Em uma canção que costumo ouvir em meus momentos de solidão e divagações, a intérprete usa da seguinte frase: "Na bondade mora a força". Sim, acredito nisso e confio que nos ínfimos pingos de bondade e amor que permeiam os poucos corações sublimes da humanidade haja também força de lutar contra a disseminação da ignorância e do desamor ao outro. É isso mesmo! É esse "outro" ao qual devemos respeito e amor, esse "outro" é nosso irmão também. Se o "outro" beija a boca de um homem ou de uma mulher não importa. É um detalhe minúsculo diante da imensidão da lição deixada por Jesus dentre os humanos: "ama o teu próximo!". Aos corações duros, impiedosos e desprovidos de sensibilidade humana, "ama o teu próximo". Não discrimina, não humilha, não mata o teu próximo, o "outro".
Sinto que as dores maiores de todos aqueles que deixaram as vidas aqui pelas mãos de gente má e cruel não foram as das balas perfurando a carne viva e pulsante, não foram as cutiladas com facas afiadas fazendo jorrar o sangue, não foram sequer os estupros forçados, doloridos e humilhantes. A maior das dores é saber os motivos reais pelos quais se passou por todo o resto. A dor mais cruel é a de saber que você é visto como um produto do diabo, uma manifestação de outro mundo, que merece ser combatida com ódio, ódio e ódio, mas com doses extras de humilhação e retaliação social.
Acordem deste sono de hipocrisia, preconceito e negligência. Por favor, saiam desse mar de desamor e ignorância. Tentem imaginar (porque sentir é improvável demais) a dor que ataca o coração e o espírito da mãe do jovem Ká Stock e de todos os outros que morreram e ainda morrerão nas mãos de gente sem amor. Tentem enxergar além do que todos vêem - provem a liberdade, vejam com olhos livres. Quanto sangue e dignidade ainda terá de ser derramado em detrimento de uma ideologia macabra de expurgar a sociedade de homossexuais, sejam eles homens ou mulheres?
Já temos problemas demais aqui embaixo.
Não façam desse mundo algo pior do que ele já vem se transformando.
Sejam humanos. "Amai o teu próximo."
Nota especial: De acordo com informações oficiais fornecidas pela equipe de reportagem da InterTV e por um amigo pessoal de Ká Stock, o corpo do jovem de 19 anos foi encontrado hoje (29) pela parte da manhã em uma granja próxima a São Gonçalo do Amarante. O jovem estava voltando pra casa por volta da meia noite de uma festa com amigos, quando deixou-os em casa e saiu caminhando até sua residência. De acordo com amigo da vítima que testemunhou quando o corpo foi encontrado, sinais de estrangulamento, estupro e esfaqueamento estavam no local, além de ter tido os dentes quebrados e de ser encontrado com a boca cheia de terra, e sem roupa íntima.
Então, diante disso será que as campanhas contra os direitos dos homossexuais continuarão firmes e fortes? Tenho medo da resposta, sinceramente. Mas não vou me desviar do essencial - "Na bondade mora a força" - "Amai teu próximo".
No dia 31 de outubro, algumas escolas brasileiras celebram o Halloween, o Dia das Bruxas. As crianças, principalmente do ensino infantil, vestem fantasias de bruxas, vampiros, fantasmas e outros monstros para comemorar... Comemorar exatamente o quê? A festa, que é popular nos Estados Unidos, chegou às crianças brasileiras por meio de programas televisivos. Os fãs dos Padrinhos Mágicos, LazyTown, Ben 10 e Barney cultivam a brincadeira do doces ou travessuras? nas salas de aulas, muitas vezes sem critérios. Fica a pergunta: em que situação o Halloween pode ser utilizado dentro da escola? Até que ponto é interessante para as crianças participarem de uma manifestação cultural estrangeira?
Comemorar apenas por comemorar, além de, muitas vezes, ocupar o tempo de aulas realmente importantes não acrescenta nada na formação das crianças. Não adianta celebrar uma data na escola que não represente nada para a realidade do estudante. É preciso explicar como a festa surgiu e contextualizá-la para que os alunos criem uma identificação. Só assim a comemoração fará sentido. Com a ajuda de fotos, vídeos e outros materiais didáticos, pode-se resgatar a história original da data e de seus personagens. As crianças podem descobrir que a origem do Halloween remete às crenças celtas. Para quem não sabe, este povo da Irlanda acreditava que, no último do verão no hemisfério norte, os espíritos saíam do cemitério para tomar conta dos corpos dos vivos. Aterrorizante, a comemoração pagã, foi condenada na Europa, passando a ser conhecida como Dia das Bruxas. Graças à imigração dos irlandeses para a América, o Halloween se tornou uma data especial nos Estados Unidos.
O tão comentado, discutido e estressante Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) ganhará nova edição nos dias 6 e 7 de novembro de 2010. Vejo na "prova" que é proposta aos alunos de Ensino Médio, principalmente, não uma expressão de educação e aprendizagem, mas uma declaração clara do fracasso pelo qual as relações educacionais brasileiras vêem passando. É difícil de engolir, mas baixar a cabeça e ficar comentando do quão importante, educativo e eficaz é este tal exame é dizer que ao invés de jovens pensantes e críticos, queremos robozinhos com controle remoto para fazer reais os desejos mais podres de uma sociedade corrompida. A questão é que não é com um verdadeiro "atropelo" cognitivo, isto é, algo como "tirania cerebral", representada pelas infindáveis questões objetivas de cada área do conhecimento que o nível educacional de nosso país se elevará. Há aqueles que acreditam no belo argumento de "contextualização" pregado pelos mentores do exame, mas cabe lembrar que tudo tem seu lado positivo e negativo. Nesse caso, será realmente eficaz aplicar quase 100 questões contextualizadas sobre determinados assuntos e cobrar do estudante total domínio psicológico e cognitivo em cerca de 4 horas?
Venhamos e convenhamos, nossa educação caminhou nos últimos tempos, mas ninguém é vendado (será?) a ponto de não ver que os nossos alunos de Ensino Médio, em sua maioria, não são preparados durante os 3 ou 4 anos de educação que recebem nessa etapa de suas vidas para uma avaliação de tal gabarito. É uma prova perfeita para alunos imperfeitos, digamos. Com isso, não podemos continuar achando que o ENEM, mesmo com seus aparentes benefícios, é um grande feito na história da educação brasileira. Discordo muito disso e a não ser que a organização do exame reveja sua maneira/metodologia de realmente avaliar os conhecimentos obtidos pelos alunos durante o Ensino Médio sem torturá-los, literalmente, não tenho sequer a remota vontade de mudar de opinião. Já ouviram algo do tipo "quem cala, consente!"? Pois é, enquanto os estudantes só "aceitarem" coisas sem pensar sobre elas, o negócio que chamam de que mesmo? Ah, educação! Isso aí vai estar longe dos ideais libertários.
Sou um estudioso novato na Literatura, é tanto que ainda não tenho uma única linha de pesquisa definida. Aprecio o estudo mútuo e sem recortes de todas as vertentes literárias, desde as leituras clássicas que nos remetem a escritores como Machado de Assis, Eça de Queiróz e José de Alencar, até a pura nata da contemporaneidade, como José Saramago, Mia Couto, Lya Luft e Paulo Lins. A palavra escrita é algo tão belo e vasto, interpretativamente falando, que estaria cometendo um crime contra meus princípios em ler apenas “tal autor” ou “tal temática”. Gostaria de questioná-los a despeito de suas posições definitivamente acadêmicas e restritivas no que concerne aos livros da série Harry Potter, de autoria da escritora britânica J.K. Rowling.
É interessante vosso posicionamento, pois são inúmeras as pessoas que vão de encontro à tão primorosa e fantástica obra da literatura contemporânea. Não creio que os livros Harry Potter não possam ser comparados, em termos de prazer literário, à Gabriel García Marquez ou Murilo Rubião. Penso que esta afirmação goza de um preconceito implícito e mascarado no tocante às obras literárias que têm um bom rendimento de vendas ou que, simplesmente, viram filmes de bilheterias gigantescas. Pergunto-me sobre o que, segundo o senhor e outros tantos acadêmicos e professores de Línguas, deixa autores como Dostoiévski, Clarice Lispector, Graciliano Ramos, Walt Whitman e Herta Müller em uma dita “aura de plenitude” no campo literário, já que percebo quase que automaticamente ao ler cada um deles que seguem linhas totalmente distintas. Tomemos como exemplo Fiódor Dostoiévski e Walt Whitman, um russo e um norte-americano, um defensor da linguagem forte, direta e chocante e o outro mais intimista, subjetivo e reflexivo. O que há de semelhante, além da qualidade narrativa e os temas tratados? Qual o elo de ligação para o céu dos autores perfeitos e seus livros mais perfeitos ainda?
Em se tratando dos livros da série Harry Potter, creio que são tão belos quanto, por exemplo, “Ensaio sobre a Cegueira”, de Saramago. Não penso que com tal afirmação eu esteja dizendo bobagens, pois pelo contrário posso defender minha opinião com argumentos simples e eficazes. No livro de Saramago que ganhou o Nobel há uma tensão clara do início ao fim da obra, que prende o leitor em seu entorno de suspense, sofrimento e retaliação reflexiva. Em Harry Potter e a Pedra Filosofal, por exemplo, no capítulo 17, “O Espelho de Ojesed”, nos deparamos com uma das metáforas mais lindas que tenho lido nos últimos anos: a dos desejos internos do homem. Não me refiro a nenhum fascínio por dinheiro ou dominação do globo, até porque no livro fica claro que cada um que olhar de fronte o espelho se verá como deseja realmente ser. Saramago certamente diz isso em “Ensaio sobre a Cegueira”, mas duvido muito que com toda a magia e destreza que Rowling faz em “A Pedra Filosofal”. A comprovação está no seguinte: leia-se um trecho de Saramago e um trecho de Rowling para uma criança e vejamos que mensagem será mais bem entendida. Ora, qual é o objetivo de falarmos uma ou mais línguas senão o de nos comunicar? Quando este objetivo é inatingível não há boa literatura que dê jeito.
Para tratar de morte, por exemplo, logo nos dois primeiros livros da série, “Harry Potter e a Pedra Filosofal” e “Harry Potter e a Câmara Secreta”, a autora usa elementos simples e impactantes que persuadem o leitor quase que imediatamente. Desde a primeira história, mais especificamente no capítulo “O menino que sobreviveu”, já nos pomos de frente à situação do pobre Harry, órfão e sem saber que seus pais morreram pelas mãos de um bruxo das trevas, que por sinal, havia tentado matá-lo também. Gosto bastante da atual Literatura Marginal, mas não vejo jeito de ensinar sobre a perda das pessoas que amamos a crianças ou leitores de primeira viagem com um trechinho de “Cidade de Deus”, do Paulo Lins.
Não vejo “Harry Potter” como um simples fenômeno mercadológico e nem J.K. Rowling como uma pobre mulher que teve sorte de escrever uma história que agradasse. Ela é tão fantástica e maestral quanto a série que escreveu. Tratar o amor, o bem, a amizade, a coragem e a morte em livros aparentemente infantis é algo que me comove enquanto leitor e que ficará guardado em memória por tempos incontáveis. Os valores humanos nunca estiveram tão em alta para mim como nesses livros. É comparável a Tolkien e o “Senhor dos Anéis” e às “Crônicas de Nárnia”, de C.S. Lewis, séries tão mágicas quanto Potter que também já sofreram em suas épocas de lançamento o mesmo desentendimento de temas pelo qual o senhor passa agora em relação a Harry Potter. Pensemos juntos: a “moda” do momento é a literatura marginal e toda sua carga de denúncia social. Mas será que depois do sucesso de “Cidade de Deus” nas telonas, outros escritores não passaram a pensar mais na disponibilidade de mercado do tema do que na própria denúncia social?
Gostaria que repensassem suas posições em relação a este tipo de literatura, não só Harry Potter, mas também autores como Dan Brown, Stephenie Meyer, Rick Riordan e Nicholas Sparks. Todo livro tem uma história e todas elas merecem ser lidas. Cada livro é uma amizade, pense nisso. Sou fã inexorável de Edgar Allan Poe, Saramago, Mia Couto, Ondjaki, Orwell, Foucault, Hall e Paulo Lins. Mas não podemos nos prender a noções preconcebidas, estereotipadas e preconceituosas sobre a literatura. Dessa forma, ela não salvará, me perdoe Clarice. Assim, nos levará à morte.
Para os que leram o post anterior e não conhecem a canção a qual me referi, ou simplesmente para aqueles, como eu, que são fãs de carteirinha do rock da Pitty, aqui vai um rápido comentário sobre o videoclip de "Fracasso".
Maquiagem borrada, discurso de fracasso e eu lírico triunfante. É assim o vídeo da música "Fracasso", de Pitty. Vestida como "viúva dark", com plumas, véu e espartilho, a baiana usa a arte da música e o tom de revolta, que só o rock tem, para discutir sobre a ideia de fracasso. Ela escarna a questão a fundo, descrevendo personalidades, atitudes e ideologias das pessoas que desistem fácil. O interessante é que a letra trata de um tema que envolve emoções e sensações no mínimo incômodas de ouvir, o que é o caso do fracasso. Porém, o eu lírico da canção está arrasando! Pitty demonstra em sua interpretação o puro triunfo, o que dá a impressão de a vitória estar escrita na cara dela. E alguns podem questionar-me por tal comentário, dizendo que uma coisa não tem nada de semelhante à outra. Mas atenção às confusões. O eu lírico triunfante é o que DIZ sobre o fracasso e não o que ESCUTA o que foi dito.
Só para não perder a prática, podemos criar um paralelo entre a maquiagem borrada de Pitty no vídeo, um dos aspectos mais legais da produção, ao fracasso das relações humanas, pessoais e, é claro, educacionais. É a forma forte com que ela se "borra" toda que me remete de imediato à uma forma de revolta contra tudo que há, em detrimento de tudo que queremos.
Baixe a música aqui: http://search.4shared.com/q/1/fracaso
Assista ao vídeo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=gGbrYw7Lf_c&ob=av3e
É interessante a lógica do "pensar", se é que se pode atribuir a isto uma "lógica".
Conversando com alguns colegas sobre uma série de aspectos da escola onde todos estudamos, o IFRN/Campus Ipanguaçu, cheguei, junto a uma das minhas grandes inspirações filosóficas, Jailma, à conclusão de que nos Institutos Federais do nosso Estado, e certamente de todo o Brasil, não existiam cursos técnicos que contemplassem quaisquer ciências humanas, como Linguística, Literatura, História ou Filosofia. Ao levantar essa questão não tinha em mente o quão "polêmico" o negócio seria. Quer dizer, acho que tinha, apenas não queria explicitar de imediato!
Logo que o debate foi proposto, alguns colegas saíram logo com a seguinte justificativa, limpa e seca, de que o Instituto Federal não aderia a este tipo de curso porque eles não tinham nada a contribuir para o desenvolvimento da região, no caso, a nossa. Peraí então! Quer dizer que em relação àao estudo da Filosofia, por exemplo, as pessoas da nossa região não precisam pensar? Não devem desenvolver senso crítico sobre as questões que as rodeiam e têm influências diretas e indiretas nas suas vidas?
Outro argumento dos coleguinhas foi que: "O Instituto Federal não tem interesse em questões sociais, pois seu objetivo é proporcionar desenvolvimento econômico pessoal, em primeiro plano, e depois regional." Nesse ponto da conversar, eu e minha amiga, ficamos "passados e engomados em Cristo", tendo em vista que esta não é e nunca foi a visão dos IF's. É tanto que em todos os cursos regulares oferecidos fica bem claro que eles serão "técnicos" E "integrados". Integrado a quê? Ora bolas, claro que à sociedade, ao meio em que vivemos! Estou certo de que formar robozinhos programados para serem os melhores das áreas de Informática e Agroecologia, por exemplo, não é o objetivo dos meus professores no Campus Ipanguaçu, pelo menos. Se há uma coisa da qual me orgulho é do que tenho aprendido por lá. Eu, assim como uma série de outras pessoas, tenho muita sorte de poder conhecer educadores visionários e pensantes e não simples "pessoas" que chegam em sala só falando e falando, sem nem sequer mostrar o sentido de tanto discurso na nossa vida, seja ela acadêmica, pessoal ou profissional.
Vivemos em uma região onde as pessoas têm uma forma de pensar muito arcaica. Em outras palavras, cada um só quer saber do próprio umbigo. Essa é uma questão a ser discutida, pensada, articulada. Acho que tem uma relaçãozinha dos "prós" com os objetivos das ciências humanas, a priori, não acham? "Para bom entendedor, meia palavra basta" é uma frase conhecidíssima. E muito verídica, por sinal. Então, vejamos... Ah, lembrei! Não podemos pensar em uma educação libertária lecionando um monte de "teoria" que não se coloca na "prática". Do pensar, ressalto. Se não for dessa forma, infelizmente estaremos fadados a séculos e mais séculos de forró de plástico e axé music (E só!) por estas bandas, onde Sartre, Aristóteles, Hobbes, Sócrates, Nietzsche e Heidegger serão ideias longínquas e (quase) inatingíveis.
Só para constar, os meninos do "contra" na conversinha são pessoas das quais gosto! A discussão surgiu e discutimos. E só. Eles têm a opinião deles e eu e Jailma, no caso, a nossa. É normal, né?
Mas que fique claro! A relevância de cursos técnicos na área de humanas é clara. Por isso, vejo como uma proposta a se pensar para o Instituto Federal. Se "pensarmos" bem sobre o assunto poderemos ver que a nossa atual sociedade e seus problemas nos remetem à uma causa principal: falta do pensar.
Quero dizer que, se queremos uma sociedade inclusiva, sem desigualdades, onde todos possam gozar de benefícios iguais, ou ao menos semelhantes, precisamos começar a aprender e ensinar a pensar. Não pensar apenas em como resolver sistemas de equações, mas pensar em como as relações pessoais, econômicas e ambientais, por exemplo, ocorrem em nossa sociedade. Ou simplesmente, pensar sobre qual o seu papel por aqui.
P.S - Gostaria de compartilhar minha alegria em saber que minha "profecia" se concretizou! Temos, enfim, Dilma Rousseff na Presidência da República! Democracia!
10h13min - Já havia tomado a decisão a algum tempo, mas com a minha vida cheia de "turbulências" acadêmicas, profissionais e pessoais fui adiando a criação deste blog, pelo qual vos escrevo! Sendo amante incondicional e inexorável (é sério mesmo!) das letras e literatura, certamente sei do quão importante é o ato de escrever! A partir de hoje, então, escreverei por aqui nada mais que meus pensamentos, princípios e reflexões sobre temas diversos, dos quais eu tenha algum conhecimento, que envolvam principalmente o debate educacional em nosso país. A ideia deste blog não é "impor" visões particulares e muito menos dar "fórmulas prontas" de como agir em sala de aula. O propósito disso tudo é: estimular a revolução, em detrimento da paciência! Como já dizia um dos mais ilustres representantes da Literatura em Línguas Portuguesa, José Saramago, "É muito comum ouvir-se dizer da boca de políticos recém-instalados que a impaciência é contra-revolucionária. Talvez seja, talvez, mas eu inclino-me a pensar que, pelo contrário, muitas revoluções se perderam por demasiada paciência. Obviamente, nada tenho de pessoal contra a esperança, mas prefiro a impaciência." É interessante notar que na colocação do escritor há uma tendência à questão política mundial, mas aqui o viés adotado será o da educação. Mas sem medo, pessoas! Não é porque o assunto tem um certo ar (ou melhor seria 'ventania') de polêmica que não iremos nos divertir por aqui. Desde já, convido a todos e a todas a acompanharem o que vier a ser postado por aqui. Não desejarei um boa leitura, como é de praxe, até porque muitos poderão (e, certamente, irão) simplesmente ignorar o conteúdo que apresentarei por aqui. Porém, se você acredita que na educação, há libertação...