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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A música das palavras



“Agora não há outra música
senão a das palavras”. (SARAMAGO, 1995, p.290)        


            Não se pode falar em vida, sem falar em literatura. Entender o poder das palavras, através do poder do amor pela educação e pelos estudos da sua língua materna é uma belíssima forma de relacionar a importância de cuidarmos da vida com a necessidade insaciável de conhecer e descobrir, que é inerente a nós, seres humanos.
As palavras, junto aos sons e aos silêncios que emitem, são ferramenta da abstração humana, da capacidade de poder ver com olhos livres, o que não é o mesmo que olhar as obviedades da vida. Rubem Alves já dizia isto, quando colocava que o que mata um jardim são estes olhares de indiferença de gente sem sensibilidade. Assim, são estes emaranhados de letras, agrupados em sílabas e com unidades fonéticas que marcam sua sonoridade, que a literatura existe. A arte de tocar o lado mais humano e metafórico de cada pessoa através da graça que o ato de escrever proporciona àqueles que enfrentam o medo de jogar no papel a sua alma e nos brindam com textos sensíveis e lindíssimos é uma capacidade digna, apenas, de todos. Sim, de todos, pois tendo consciência, ou não, disso, somos pautados em sentimentos e emoções, bons e ruins. E o que é a literatura, senão a transcrição do que sentimos para pedras, pergaminhos, folhas de papel perfumadas e, com o advento das tecnologias, para as páginas da internet?
Abrir os olhos de uma criança para a beleza do mundo que a cerca é tarefa árdua em nossa vã contemporaneidade. A superficialidade das relações humanas vem crescendo e dificultando o “enxergar” das pessoas. Porém, as crianças me soam diferente de tudo isso. Elas carregam um fascínio próprio pelo que é belo, pelo que é literatura por si só. Dessa forma, ver com seus próprios olhos, que as crianças, adolescentes ou jovens respondem positivamente aos seus ensinamentos não tem preço, é impagável. Um sorriso, uma pergunta excitada, a vontade de descobrir mais junto a você, tudo configura um prazer quase divino no simples ato de estar na sala de aula.
A vida é um bem precioso e que deve ser cuidado. O problema, geralmente, é que muitos não sabem como cuidar, como cativar. Talvez, deixar-se cair no infinito universo de mundos que a leitura e os livros podem proporcionar, diante da vida superdenotativa que vivemos, seja um jeito profano e espiritual, sublime e revolucionário, de cuidar da vida. Tu te tornas responsável por aquilo que cativas, ensinou-me um pequeno principezinho dos livros. Usar a arte das palavras para gracejar a vida é cativar este bem.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Um ensino de língua materna sem as cortinas do passado.



A ideia de que as aulas de Língua Portuguesa devem ser centradas no ensino de regras gramaticais é antiga, tradicionalista e, de forma mais direta, ERRADA! Quando nos deparamos com índices baixíssimos do desenvolvimento do Brasil em exames nacionais que testam as competências de leitura e escrita dos nossos alunos (como a Prova Brasil, o ENEM e o SAEB) vamos direto ao grande problema: as escolas não têm ensinado aos seus estudantes as verdadeiras utilidades e usos que cabem a uma língua. Em vez de mostrar às crianças e adolescentes a relevância que um bom domínio da Língua Portuguesa pode ter em nossas vidas, a escola está presa (infelizmente!) ao pensamento de que só sabe bem Português aquele fulano que decorou a diferença básica entre um adjunto adnominal e um complemento nominal dentro de uma oração, por exemplo. Triste ilusão... 

Quando os professores de Língua Portuguesa entenderem que os alunos NÃO PRECISAM conhecer todas as regras que a gramática da norma culta deseja ensinar, eles passarão a voltar sua prática pedagógica para o ensino da leitura e da escrita – habilidades que os estudantes PRECISAM SIM para as mais variadas situações do dia a dia, que vão desde pedir uma informação na rua até redigir um artigo científico para apresentar num congresso de ciências internacional! A língua é viva e se nossos estudantes não souberem disso, jamais sairão das velhas, batidas, e rebatidas normas gramaticais sem sentido, sem contexto, sem texto!

Todas as aulas, principalmente as de Português, precisam apresentar aos alunos os mais variados gêneros de texto, porque é só através deles que os estudantes poderão entender REALMENTE a importância do estudo de sua língua. Que bom seria se todas as escolas parassem um pouco de deixar o Livro Didático dominar as aulas de seus professores e passassem a ensinar apenas duas coisas. Primeiro: ler por prazer! Segundo: Escrever e refletir, com base na leitura. Dessa forma, alunos que sempre acharam a leitura chata passarão a amá-la; alunos que odiavam as aulas de Português passarão a ver nelas uma forma de crescer nas outras disciplinas; alunos que não escreviam se tornarão escritores melhores, com emoção e sensibilidade. Que professor não deseja isto?  Ver algo encantador: A MUDANÇA DO DISCURSO DOS SEUS ALUNOS!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O PROFESSAURO

Meu encanto pela educação e pelo ato de ensinar, aprender e "professar" renova-se diariamente junto aos meus meninos, mas esses dias o encantamento foi mais que aguçado, podendo dizer que foi reavivado! Uma das minha últimas aquisições, o livro "Seja o professor que você gostaria de ter", de Serrano Freire, é um balde de ânimo em cima de todas as injustiças e humilhações pelas quais passam os professores brasileiros. É, na verdade, o conjunto de textos que tratam da beleza e da magia da nossa profissão que tenho lido até então. Um capítulo, em particular, chamou minha atenção. Um que trata dos "professauros". Vamos à leitura, então:

"Costumamos chamar de PROFESSAUROS aqueles ainda chamados de professores, mas que já abandonaram seus ideais, seus sonhos e que estão em sala de aula apenas para cumprir uma programação, ou, como diríamos no futebol, apenas para cumprir a tabela. Não querem chegar a lugar algum, não querem mudar nada. Só servem para atrapalhar nossos ideais e fazer com que a nossa educação, não alcançando suas metas, seja desrespeitada e desvalorizada por tantos.

Mas eles existem.
Observem os sintomas a seguir e, se encontrar na sua escola alguém assim... cuidado!

O PROFESSAURO:
1. Reclama de Tudo - Está sempre insatisfeito, parece mal-amado. Reclama do calor, do salário, dos alunos, das férias que não chegam. Nunca está na turma do "vamos fazer". Gosta mais do grupo "não vale a pena".

2. Adora dar aula sentado - É só chegar na sala e se esparrama na cadeira. Já chega cansado. Desse jeito, não valoriza o seu trabalho, ignora seus alunos e demonstra desconhecer o mínimo sobre comunicação. Quando cansa da cadeira, senta na mesa. Pobres alunos...
3. Culpa os alunos pelos fracassos que são seus - O professor é o líder e o gerenciador de tudo que acontece em seu espaço e local de trabalho. Cabe a ele criar o ambiente de motivação, despertar entusiasmo e interesse dos seus alunos. Professores assim só querem ser responsáveis pelos resultados obtidos por alunos de sucesso. Quando encontram um ex-aluno, agora, professor, médico ou advogado, dizem cm natural orgulho: "Foi meu aluno". Mas, quando o aluno não obteve o mesmo êxito, apresam-se a dizer: "Não queria nada com os estudos".

Você é responsável, sim, pelo sucesso dos seus alunos, tanto quanto pelos seus fracassos. Pense nisso. Quando seu aluno é reprovado, todo o processo precisa ser reavaliado. Aliás, a ideia de avaliação escolar deve passar pela análise do processo e não do resultado isoladamente.
4. Detesta novidade - Ele fica louco quando alguém tem alguma ideia e o convida para colocá-la em prática. Quando você chega de um congresso cheio de ideias e novidades, ele é o primeiro a dizer: "Isso não vai dar certo. Estou na educação há muito tempo e nunca deu certo". Ele não consegue mais sonhar e, também, não quer ver ninguém sonhando perto dele. O sonho dele é puxar você para baixo, para sua imobilidade.

Resista!

5. Suas aulas são sempre iguais - Passa ano, entra ano e não muda nada na aula dele. É tudo igual. Sempre a mesma coisa, a mesma falta de criatividade, a mesma falta de interesse, repetindo até as mesmas palavras. Não aprendeu nada nos últimos anos, não leu nada, aliás, normalmente nem gosta de ler. É fácil encontrá-lo. Fala pouco e, aparentemente, concorda com tudo, para não chamar a atenção. Quando leciona em turmas de 1º ao 5º ano costuma ficar sempre na mesma série. Mudar de série implicar reaprender, e isso, para ele, é horrível.

6. Vive pensando na aposentadoria - É mais do que legítimo o direito de, depois de tantos anos de trabalho, encontrar o descanso merecido. Mas você deve sair de cena com dignidade, cumprindo até o último momento suas obrigações com entusiasmo e profissionalismo, deixando um gostinho de saudade. Aposente-se com orgulho pela história que você construiu e não como uma fuga.

Alguns profissionais quando estão perto da tão sonhada aposentadoria, na realidade, primeiro, aposentam seus espíritos, passam a andar na escola como zumbis, depois aposentam seus ideais, deixam de manifestar interesse pela profissão que elegeram para suas vidas. No mínimo, ingratidão.

7. Sofre da Síndrome de Gabriela - Quando convidado a mudar, a fazer coisas diferentes, a buscar novas estratégias, costuma dizer, atolado na sua zona de conforto: "Eu nasci assim, eu cresci assim, vou sempre assim, para sempre assim". É a própria Gabriela!

8. Adora atestado médico - Em algumas cidades, chega perto de 30% o percentual mensal de afastamento de professores com atestado médico. Apresentam atestados pelos mais variados motivos. Muitas vezes, problemas sérios e verdadeiros e outros nem tanto: dor de barriga, unha encravada, paixão recolhida etc. Provavelmente, essa profusão de atestados médicos deve-se também à existência de alguns medicossauro do sistema. 

Precisamos ter cuidado com o PROFESSAURO. Ele é perigoso, chega de mansinho, vai tomando espaço e, quando você se dá conta, não consegue andar sem tropeçar em algum. Previna sua escola, coloque avisos na sala dos professores e fique alerta. Em caso de suspeita, consulte a sua consciência.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Desarrollar el hábito de la lectura en la escuela primaria

Un requisito fundamental de la actividad pedagogica es hacer que el niño adquiera las destrezas de lectura y tenga acceso a la información disponible en los medios impresos. La introducción a la lectura hace que el niño entienda la imagen gráfica, ya sea verbal o no verbal, representado en cualquier tipo de apoyo, de modo que pueda mejorar el conocimiento sobre la lengua y desarrollar sus habilidades motoras y capacidades cognitivas . De ahí la pertinencia y la necesidad de presentar propuestas y trabajar para mejorar la lectura, dada la deficiencia en este ámbito establezcan un problema que afecta a muchos niños en los primeros grados de la escuela primaria.
La pregunta es: ¿Cómo desarollar el deseo por la lectura en los niños de la escuela primaria? Esta discusión debe hacerse con cautela y sensibilidad. Usted debe repensar la forma de trabajar el lenguaje, con énfasis en las prácticas de lectura en el aula. Dejando de lado las técnicas y métodos que se despectivos para actualizar y proponer cambios. Sin esta percepción por parte del profesor, por lo que los cambios deseados por todos, con lo que se refiere a la lectura, no se observó. Los niños necesitan nuevos estímulos y educadores de los nuevos métodos. El primer paso es extinguir la idea de que la escuela se reduce a las paredes o muros que lo rodean. Usted debe aprender y enseñar a la escuela es la segunda casa de los estudiantes. Allí, deben estar preparados para el mundo.
La enseñanza de la lectura en Brasil está empatado en la conciencia de los responsables de la educación, en su conjunto en el país. Por lo tanto, el placer de la lectura, interpretación y aventuras mágicas escritas para leer y entender libro leído, sólo, de hecho, parte del perfil de los niños brasileños, mientras que funcionarios del gobierno y los administradores de la educación en nuestro país entiendan la importancia de invertir en la educación de nuestros hijos y también que las inversiones de este tipo no puede ser considerado un "daño", sino como "ganancia", porque la riqueza de un país es un reflejo de su nivel de educación.
Por lo tanto, fomentar y desarrollar el hábito en los estudiantes, en este caso de la escuela primaria - los primeros años, es algo esencial para su formación, y este tipo de información se centra en la importancia de la lectura en su vida debe ser mostrado y discutido por el profesor. Este trabajo de transmisión de la mejora de la lectura y la escritura debe ser tomada en serio, que debe ser tenido en cuenta la realidad de los estudiantes. Vale la pena la esencia del acto de leer (¡Salve, Paulo Freire!), Independientemente de la lectura entre los géneros: clásico de la literatura mundial o publicidad de tiendas de juguetes expuestos en la vía pública. Lo que merece la pena es el acto de  leer!

Desenvolvendo o hábito da Leitura no Ensino Fundamental - Anos Iniciais



Um dos requisitos fundamentais da atividade pedagógica consiste em fazer com que a criança adquira capacidade de leitura e tenha acesso às informações disponíveis em meios escritos. A iniciação à leitura faz a criança compreender a imagem gráfica, seja ela em linguagem verbal ou não-verbal, representada em qualquer tipo de suporte, a fim de que ela possa aperfeiçoar os conhecimentos acerca da língua materna e desenvolver sua coordenação motora e habilidades cognitivas. Daí, a relevância e necessidade de propostas e trabalhos de melhoramento da leitura, haja vista a deficiência nessa área configurar um problema que atinge muitas crianças nas séries iniciais do ensino fundamental.

A questão é: Como despertar o desejo pela leitura nas crianças do Ensino Fundamental - Anos Iniciais? Essa discussão deve ser feita com cautela e sensibilidade. Deve-se repensar a forma de trabalhar a língua, com ênfase nas práticas de leitura, em sala de aula. Desapegar-se das técnicas e métodos pejorativos para atualizar-se e propor mudança. Sem essa percepção, por parte do professor, as alterações tão desejadas por todos, no tocante à leitura, jamais serão observadas. As crianças necessitam de novos estímulos e os educadores, de novas metodologias. O primeiro passo é extinguir a ideia de que a escola resume-se aos muros ou paredes que a cercam. É necessário aprender e ensinar que a escola é a segunda casa dos educandos. Lá, eles devem ser preparados para o mundo.

O ensino de leitura no Brasil está empatado pela consciência daqueles que são responsáveis pela educação, como um todo, no país. Assim, o prazer pela leitura, a interpretação de aventuras escritas e a magia de ler e compreende livro lido, só serão, de fato, parte do perfil das crianças brasileiras, quando os representantes governamentais e os gestores da educação de nossa pátria entenderem a importância de se investir na educação de nossas crianças e, ainda, que investimentos desse gênero não podem ser tidos como "prejuízos" e sim como "lucros", até porque a riqueza de um país é o reflexo do nível educacional dele.

Assim, incentivar e desenvolver o hábito nos educandos, neste caso do Ensino Fundamental - Anos Iniciais, é algo essencial à formação deles, e esse tipo de informação focalizando a relevância da leitura na vida deles deve ser mostrada e discutida pelo docente. Esse trabalho de encaminhamento à leitura e aperfeiçoamento das habilidades de escrita deve ser feito com seriedade, onde deve ser levada em conta a realidade dos alunos. Vale aqui a essência do ato de ler (Salve, Paulo Freire!), independente do gênero da leitura: clássico da literatura universal ou anúncio publicitário de lojas de brinquedos expostos em vias públicas. O que vale é ler!

domingo, 5 de junho de 2011

Você tem cuidado do meio ambiente?



Ser professor, em minha opinião, é mais alegria que tristeza! Por isso, meus meninos me fazem um teacher super feliz e realizado a cada dia que passo junto deles. Leiam o texto abaixo e digam vocês se ser professor é mais doloroso que prazeroso.

 Hoje em dia, todas as florestas estão sendo desmatadas pelo homem. Ele parece uma máquina de destruição e o pior é que está destruindo a si mesmo e sabe o que está fazendo. Ele não tem pena da natureza e não poupa sua vida e a Mãe Natureza sofre muito com tudo isso. É por isso que acontecem tantos problemas, atualmente. A natureza está se revoltando contra nós - os seres humanos. Ela se revolta com tsunamis, terremotos, deslizamentos de terra e com enchentes, que cada vez ficam mais fortes. Sem o meio ambiente não podemos viver!

Nós temos que aprender com a natureza e não destruí-la. Temos que preservá-la com mais cuidado e compreensão, pois só assim poderemos entendê-la! Será que é tão difícil proteger a Mãe Natureza? Hoje, qualquer um pode ajudar a preservar o meio ambiente e evitar a poluição de rios, florestas e ar. As pessoas jogam papel, garrafas plásticas e outras coisas nas ruas e vias públicas e isso não está certo, porque lixo é pra ser jogado no lixo ou reciclado. Se todos soubessem disso, acho que a situação da natureza melhoraria um pouquinho, bem mais do que hoje. Preserve a natureza! Preserve a vida na terra, que cada vez mais fica mais curta.

Hoje, a natureza geme em dores de parto. Por isso, preserve a vida, preserve o planeta!

Texto produzido por Laryza Rodrigues de Siqueira
Aluna do 7º ano da Escola Municipal Adalberto Nobre de Siqueira
Assentamento Tabuleiro Alto, Ipanguaçu, RN. 

sábado, 4 de junho de 2011

They will not control us!

O Campus de Ipanguaçu do IFRN foi uma das escolas pelas quais passei durante os meus 19 anos. Foi a escola onde mais aprendi, onde mais cresci e, obviamente, onde iniciei a construção, de fato, do meu senso crítico com relação ao mundo ao meu redor, o valor da educação nesse mesmo mundo e do quanto ainda precisaria ser feito para as coisas começarem a caminhar direitinho. Aquela escola está na minha mente, disso estejam certos e certas. Mas o importante mesmo é que ela e as pessoas com as quais cresci junto têm lugar privilegiado em meu coração: amigos, colegas, técnicos, coordenadores e, principalmente, os professores - ah, eles! Os meus professores e professoras foram, e continuam sendo, a parte mais bonita do meu período enquanto do IFRN-Ipanguaçu. Eles ensinaram-me muito além dos conteúdos da nada libertária "grade curricular". Lecionaram-me sobre a vida, sobre o meu papel nessa e sobre o papel dos outros diante do meu.

Por tanto respeito àquela escola e à sua gente é que estou deveras magoado e ressentido com algumas situações que têm acontecido lá. Jamais imaginei que uma eleição para Grêmio Estudantil, uma entidade que tem por objetivo e obrigação representar os interesses, direitos e deveres dos alunos, fosse gerar na minha escola tanta balburdia, escândalos e o pior: que fosse ferir o código ético e moral que deve reger toda a escola e, inclusive, aqueles que se mostram dispostos a "representar os alunos".

Compra de votos com lanchinhos ou cópia de material escolar? A que ponto e a que status chegaram alguns dos nossos estudantes na vontade avassaladora de ganhar as eleições e perpetuar esses ideias distorcidos, fraudulentos e enojadores?  Sério gente, mas me dá ânsias de vômito só de pensar em como estão banalizadas palavras como "ética", "política" e "moral". As pessoas passaram a não usar mais essas palavras. Ou melhor, usá-las sem entender os reais valores que carregam em sua construção silábica. Se fizerem um pequeno passeio em retrospectiva no cenário político brasileiro poderão ver que muitos dos políticos que mais sujaram a conduta e imagem do nosso país eram do tipo "simpáticos e cheios de presentes pra dar". Sem instinto investigativo para ir a um livro de história do Brasil? Leia um exemplar do Diário de Natal ou assista ao RNtv. Os casos de líderes políticos que usaram de má fé da boa vontade e da ingenuidade (ou idiotice mesmo) daqueles que os elegeram são vários! Tem drama de todo o tipo, desde os mexicanos aos hollywoodianos.

Como na maioria dos casos, os sorrisos e presentinhos sempre vencem. Uma pena. Uma lástima. Uma coisa boa. Boa... Por que? Simples! Quando sofremos na pele mesmo, quando batem na nossa cara por qualquer coisa mesmo, aí tendemos a pensar. Tendemos a refletir sobre o que fizemos e porque fizemos. Nada melhor para quebrar uma ilusão do que vê-la diluir-se na sua frente por si só! 

Agora, um apelo, meus caros leitores e leitoras. Não se deixem levar por palavras ditas de forma fácil demais. Elas geralmente nos levam a promessas e condutas mais fáceis ainda de serem quebradas. Infelizmente, é assim. As relações políticas verdadeiras e legítimas não estão alicerçadas em chocolates ou cafés da manhã, apesar de ser isso o que grande parte das pessoas acham. O que eu não suporto é que alunos do Instituto Federal, uma escola de respeito e ensino de excelência, sejam iniciados nos caminhos da corrupção e da demagogia. Não suporto, ainda, que os meus mestres defensores da boa política e da defesa à ética e à moral sejam insultados por estudantes que não sabem tem maturidade para sequer pronunciar o vocábulo "política" ou talvez "eleição". Por favor, líderes e adeptos, não sujem a imagem da escola que guardo em memória e coração. Vocês não têm esse direito.

P.S. - Parabéns aos revolucionários resistentes! Uma batalha pode ter sido perdida. A guerra, nem pensar. "Não existe revolução sem resistência!"

terça-feira, 31 de maio de 2011

Faculdades do Pensamento



"Penso, logo existo", já dizia o filósofo francês René Descartes. De uma maneira mais simples e objetiva, ele diz que nossa existência só depende de uma coisa - das faculdades do pensamento, do ato de pensar e refletir sobre a nossa vida e sobre o que nos cerca. Pensar sobre qualquer coisa mesmo. Vejam só: vocês já pensaram no porque de o céu ser azul ou no porque de todos os dias o por do sol nos brindar com combinações de cores diversas e inéditas? À primeira vista, parecem questões sem importância, não é? Pois bem, os grandes pensadores do mundo partiram de questionamentos "simples" sobre os aspectos da vida cotidiana, para só então, iniciarem reflexões mais complexas e trabalhosas sobre o comportamento dos seres humanos, por exemplo. Se não pensamos, não existimos. Apenas co-existimos. E o que é isso? Isso é levar uma vida sem sentido, valores ou objetivos. A chave do conhecimento está no ato de pensar, de refletir! É dele que aprendemos a autocrítica, a crítica positiva, a reflexão e o senso crítico-moral. Você tem pensado muito ultimamente? Se a resposta for não, então comece pelas seguintes questões: O que eu estou fazendo neste planeta? Qual é a minha real função aqui? O que eu estou (ou devo) fazer para mudar a minha realidade e, por conseguinte, a da comunidade onde estou inserido? Quando refletir sobre isso, você passará a ver a educação além das salas de aula, professores e regras a cumprir. Você a verá como um mundo!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O Ensino de Língua Materna no Brasil

Século XXI. O Brasil vem trabalhando e desenvolvendo cada vez mais a pesquisa científica com ênfase no campo dos Estudos Linguísticos e o conhecimento produzido nacionalmente também vem adquirindo seu espaço no contexto mundial. Rita Maria Diniz Zozolli, graduada em Letras pela UFAL (1973) com doutorado em Linguística e Ensino do Francês, através da Université de Franche Comté Besançon (1985), possui larga experiência na área de Linguística Aplicada, em especial na linha de Ensino e Aprendizagem de Línguas, atuando principalmente nos temas: leitura, produção, autonomia relativa, língua materna, língua estrangeira e produção escrita. Os projetos de pesquisa que desenvolve têm contribuído de forma profícua para a construção de uma conduta investigativa e inovadora no tocante ao Ensino de Língua Portuguesa e suas Literaturas no campo educacional brasileiro.      
Em Relações entre Produção de texto, Leitura e Gramática na sala de aula, artigo de sua autoria publicado no periódico norte-rio-grandense Odisseia, a pesquisadora procura tratar dos elos existentes entre os atos de ler e escrever e da influência dos preceitos normativos da gramática nesse conjunto, inserindo-os no contexto da sala de aula. A argumentação é quase sempre objetiva e de fácil compreensão, mas sem perder a fundamentação e o teor científico que amparam suas colocações.      
Neste artigo, a autora objetiva trabalhar sobre as relações entre produção textual, leitura e gramática na sala de aula de língua materna, amparando-se nas reflexões de Morin (2000), Bakthin (1977) e Marcuschi (1997) e na noção de complexidade linguística. Para isso, observou-se uma situação interativa em uma sala de aula de língua portuguesa para universitários de um curso com programa de leitura e produção de textos, onde foi avaliado o tratamento dado às competências de oralidade e escrita, além dos tópicos de gramática, nas construções textuais dos alunos por meio de gêneros de texto orais e escritos. Os resultados apontaram para a identificação de várias inadequações de cunho linguístico, tais como argumentação pouco fundamentada, clichês ou obviedades e paráfrase excessiva do texto. A autora conclui que eles são decorrentes de uma prática de ensino da LM centralizadora e fundamentalista, que tem na ideia de “língua” e “ensino” um modelo hierárquico, que foge à estrutura concreta de enunciação (BAKTHIN, 1997) e recomenda que o docente orientador em sala de aula contribua para a reformulação do texto, garantindo as qualidades textuais e discursivas sem impor um padrão de sua preferência particular. Zozolli ainda pondera a respeito da necessidade de se aderir à luta contra as ideologias quantitativas do mercado capitalista em detrimento de um comprometimento mais efetivo dos gestores da educação com os papéis que lhes são de direito executar.                
O texto de Zozolli é uma produção de grande relevância para os estudos na área de Linguagens em nosso país, tendo em vista que lança mão de visões arbitrárias, tendenciosas e hierárquicas sobre o ensino de LM e nos brinda com uma análise coerente, embasada nas teorias do cânone dos estudos da linguagem, acerca das competências de escrita e oralidade, bem como das habilidades de adequação à variedade linguística padrão, isto é, a norma culta, através do uso coerente dos conhecimentos gramáticos. Um conhecimento mais que útil nas aulas de LM.             
O artigo é indicado para iniciantes nos estudos linguísticos, professores de Língua Portuguesa e suas Literaturas, gestores administrativos das instituições escolares, bem como todos aqueles que possuírem interesse em conhecer um pouco mais das relações que ocorrem em nosso idioma e do funcionalismo básico da língua. O texto possui uma linguagem de entendimento relativamente fácil, mas em todo caso se obterá um maior aproveitamento das exposições da autora em relação às questões de escrita, leitura e gramática, se o leitor possuir alguma noção básica dos elementos mencionados e sua aplicação nas salas de aula brasileiras.          

A Ciência e o Homem

Desde o momento em que a Filosofia, investigadora e pensadora incansável do mundo e da existência de tudo e todos, passou a ser segregada da Ciência, pautada na pesquisa e nos preceitos metodológicos de estudo dos recortes da realidade, essa última vem assumindo um papel cada vez mais definitivo e imprescindível na constituição das relações de cognição e produção de conhecimento científico na vivência humana.

O ser humano, diante da necessidade de compreender e dominar o meio, ou o mundo, em benefício próprio e da sociedade da qual faz parte, acumula conhecimentos racionais sobre seu próprio meio e sobre as ações capazes de transformá-lo (FACHIN, 2011, p.14-15). O fenômeno da globalização e da revolução tecnológica e digital têm (re) afirmado enfaticamente a proficuidade da ciência no desenvolvimento das sociedades humanas, atendendo à evolução do conhecimento do homem, sua busca desenfreada pelos ideais de dominação e poder e, obviamente, ao instinto questionador (herdado diretamente da amante do saber, a Filosofia) das criaturas racionais.
Nesse sentido, os estudos científicos e a Ciência como macro-conjunto já possuem papel e importância significantes em nosso convívio e se a onda globalizadora amparada nas relações capitalistas de tecnologia e poder não mudarem seu percurso de progresso horizontal na história, esses papéis só tenderão a crescer.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Palavras sobre Educação...

"A renovação do ensino terá de passar
pelo desenvolvimento afetivo e emocional 
dos professores e as escolas terão realizado
a sua missão quando forem capazes de alimentar
permanentemente nos alunos o prazer
da leitura, pressuposto de tudo o mais, já
que quem gosta de ler tem nas mãos
a chave do mundo."

(Rubem Alves)

"É certo, assim, que a tarefa de ensinar a pensar
requer dos professores o conhecimento de estratégias 
de ensino e o desenvolvimento de suas
próprias competências do pensar. Se o professor
não dispõe de habilidades de pensamento, se não
sabe aprender a aprender, se é incapaz de organizar
e regular suas próprias atividades de aprendizagem, 
será impossível ajudar os alunos a potencializarem
suas capacidades cognitivas."

(José Carlos Libâneo)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Halloween nas escolas?


No dia 31 de outubro, algumas escolas brasileiras celebram o Halloween, o Dia das Bruxas. As crianças, principalmente do ensino infantil, vestem fantasias de bruxas, vampiros, fantasmas e outros monstros para comemorar... Comemorar exatamente o quê? A festa, que é popular nos Estados Unidos, chegou às crianças brasileiras por meio de programas televisivos. Os fãs dos Padrinhos Mágicos, LazyTown, Ben 10 e Barney cultivam a brincadeira do doces ou travessuras? nas salas de aulas, muitas vezes sem critérios. Fica a pergunta: em que situação o Halloween pode ser utilizado dentro da escola? Até que ponto é interessante para as crianças participarem de uma manifestação cultural estrangeira?

Comemorar apenas por comemorar, além de, muitas vezes, ocupar o tempo de aulas realmente importantes não acrescenta nada na formação das crianças. Não adianta celebrar uma data na escola que não represente nada para a realidade do estudante. É preciso explicar como a festa surgiu e contextualizá-la para que os alunos criem uma identificação. Só assim a comemoração fará sentido. Com a ajuda de fotos, vídeos e outros materiais didáticos, pode-se resgatar a história original da data e de seus personagens. As crianças podem descobrir que a origem do Halloween remete às crenças celtas. Para quem não sabe, este povo da Irlanda acreditava que, no último do verão no hemisfério norte, os espíritos saíam do cemitério para tomar conta dos corpos dos vivos. Aterrorizante, a comemoração pagã, foi condenada na Europa, passando a ser conhecida como Dia das Bruxas. Graças à imigração dos irlandeses para a América, o Halloween se tornou uma data especial nos Estados Unidos. 



terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Individualismo e falta de humildade?

Nosso destino é fruto, muitas vezes, das nossas próprias escolhas. Somos postos diante dessas desde cedo e o quanto mais rápido aprendermos o poder que elas têm sobre nós, menores, possivelmente, serão os desentendimentos futuros em relação ao que você julga "adequado" ou "inadequado" em qualquer assunto. Quando escolhemos o que é certo, ao invés do que é fácil, não estamos simplesmente sendo "bons samaritanos". Ao entender o valor das escolhas coerentes e da influência dessas sob a vida de muitas pessoas subjugadas à pobreza, à humilhação e à ignorância e, além disso, levá-las à prática, deve se ter em mente que existirão vários grupos de diferentes pessoas unidas através de um único objetivo: resistir à mudança, à boa mudança. As resistências variam de acordo com o "ethos" de cada indivíduo, o que na realidade se apresenta por meio da forma como este irá se mostrar contrário ao que está sendo proposto. As situações são variadas e inusitadas, e partem desde o simples desprezo silencioso a atitudes mais claras, como induzir outros indivíduos à alienação e ao conflito político em defesa de ideologias distorcidas e fundamentadas em banalidades. Definitivamente, não é fácil ser diferente. O diferente é chocante e vem, acima de tudo, quebrar algum paradigma, seja ele qual for! Quem intenta mesmo diante das advertências óbvias das forças resistentes tem, ou deveria ter, ideia dos obstáculos a serem criados com o objetivo de não acabar o império da estagnação e do mesmo de sempre de cada dia. As razões que podem levar alguém a ter esse tipo de comportamento são diversas e envolvem, principalmente, o contexto em que as mesmas receberam educação; isso gira em torno, na verdade, de um questionamento perturbador, que nem todos têm coragem para se propor - "Que educação eu aprendi" e "Que educação eu dou". No entanto, nas ideias de contexto e situação de ensino expostas, é necessário que também se entenda que as pessoas estão vivendo em pleno século XXI - a dita "era da comunicação". Não podemos simplesmente  fechar os olhos às alterações que os métodos arcaicos e ultrapassados de uma educação secular, por exemplo, vêm sofrendo. Não há nomeação mais útil nesse caso do que "negligência" - ato ou ação de fingir que o que está acontecendo não está acontecendo. Quando questionadas sobre tais posicionamentos, os indivíduos da cortina de ferro da resistência contrapõem argumentando em cima de um ponto que fere até os mais libertários possíveis em relação à sua posição e ideologias como um todo - "Será que você não está sendo egoísta, manipulador, egocêntrico, individualista ou até mesmo esteja agindo sem qualquer humildade ao implementar ideias revolucionárias?" Ora, o sentimento de culpa dá e passa, porque quando vemos com olhos mais racionais e menos emocionais é perceptível que é bem mais fácil culpar alguém pelo o que eu não me proponho a fazer. É bem mais fácil fazer as pessoas se sentirem mal por coisas que eu faço, ou desfaço, acontecer. É muito mais fácil alegar que as pessoas que se envolvem dos pés à cabeça com os ideais libertários em busca de uma educação, de fato, libertadora façam isso sem um resquício de humildade com o intuito de menosprezar todos ao seu redor e, além disso, de promover a imagem pessoal de profissional perfeito, sem falhas. A questão agora é: que caminho seguir? O caminho das palavras fáceis de serem ditas ou das ações corretas e árduas de serem realizadas?

sábado, 4 de dezembro de 2010

Livro da Semana: "A alegria de ensinar", de Rubem Alves.


Rubem Alves é um grande ídolo particular meu. Escreve sobre educação sem hipocrisia ou demagogia, pois é um verdadeiro educador. Em um dos seus livros que tratam de questões voltadas à educação, "A alegria de ensinar", podemos perceber o quanto somos por vezes incoerentes com nossos professores, enquanto alunos, e com nossos alunos, enquanto professores. A tarefa de ensinar, segundo Rubem, não é fácil e, aliás, tem de ser difícil e árdua mesmo. É assim que as pessoas valorizam as coisas, quando sofrem para obtê-las. No entanto, não é porque a tarefa é um veraddeiro desafio, que não possa ser executada com alegria e dinamismo.Alegria - é o que tem faltado nas nossas escolas, nos nossos docentes e alunos. Geralmente, não se vai mais à escola por prazer. As crianças e adolescente cumprem regras secas e ditatoriais em sala, como, por exemplo, não refutar a opinião do professor, ser todo poderoso e sagrado em sala. Muitos professores apenas vão cumprir horário, porque o que importa para eles é receber seu salário ao fim de cada mês. É preciso, segundo o autor, estabelecer nas instituições de ensino o sentimento de alegria, incitar as pessoas a estudarem e ensinarem por amor, prazer. Não é algo muito complexo. Imaginem se em todo as aulas, ou na maioria delas, cada professor entrasse em sala sorrindo, feliz, contente por estar ali? Como seria se todos os professores se colocassem em pé de igualdade cognitiva com seus alunos? Pensem como seria ver todos os professores se auto-avaliando e propondo que os seus alunos também o avaliassem? Nesse livro, Rubem Alves nos põe de frente para esses questionamentos e é isso que a alegria de ensinar propõe. Ele também fala dos heróis anônimos, os professores e professoras, que fazem o melhor todos os dias em suas salas, se preocupando com seus alunos e instigando-os a amar o conhecimento. São esses heróis e heroínas que merecem destaque, pois trabalham alegres, apesar de tantas atribulações que perpassam a atividade docente. "A alegria de ensinar" é uma obra indicada a todos que desejam saber como ser alegres, como seduzir os alunos na educação com a alegria e, fazem de tudo, para aqueles que partilham do sonho de uma educação cada vez mais inclusiva e alegre.

Orgasmo educacional & Orgulho do aprendizado - parte 2

A crença de que é na educação que atingiremos a verdadeira liberdade é disseminada por aí já tem um tempo. Certamente, não é a maioria das pessoas que condiz com os ideais libertários na educação; muitos porque nem os conhecem, outros por receio de aplicá-los e saírem frustrados da experiência e outros por simples ignorância e alienação mesmo. Isso tudo (principalmente o último grupo de profissionais citados), obviamente, tem uma certa carga negativa sob o desenvolvimento da educação libertária. Mas para por aí! Porque quando se acredita em algo verdadeiramente, com muita força e determinação e se luta por isso, se chora, se dança e ri por isso também, as coisas acontecem. Estejam certos, porque venho tendo a comprovação de tudo que falei a algum tempo, o que não tornas minhas palavras vazias e utópicas. 

Os alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental - Anos Finais da Escola Municipal Adalberto Nobre de Siqueira (escola onde leciono Língua Portuguesa e Cultura do RN) estão todos de parabéns pelo esforço que veem empregando nas atividades do projeto "Semana de Línguas" e 2 edições até então realizadas - "Literatura de Terror: uma visita à elegante essência do medo" & "A magia da palavra no limiar da Literatura Fantástica". Não existe sucesso de fato sem trabalho. O único lugar onde, provavelmente, o sucesso venha primeiro que o trabalho é nos dicionários. Meninos e meninas dessas turmas, sob orientação da minha pessoa, da nossa grande parceira na escola, a supervisora Andréia Laureano, bem como da professora Francisca das Chagas e do professor Nilson Lima, puderam analisar as diversas formas de manifestação e representação social que uma língua pode assumir. Livros, músicas, filmes, vídeos, fotografias - são inúmeras as maneiras de analisar aspectos da Língua Portuguesa, e de quaisquer outras, em sala de aula. 

Os "parabéns" se estendem além do esforço e sucesso do projeto "Semana de Línguas" entre os alunos e alguns poucos professores da escola! Ontem recebi a notícia de que nosso projeto havia ficado em 1º lugar no PRÊMIO CONSTRUINDO A NAÇÃO 2010-2011, na classificação dos projetos de "Destaque Social" (projetos com menos de 1 ano de atuação), onde concorremos com cerca de 200 projetos de todo o Brasil, com ênfase nas regiões sul e sudeste, onde os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul eram maioria com número de projetos inscritos. Estou irradiando até agora! Emocionado, nervoso, feliz, eufórico - tudo junto. Já chorei, ri e dancei o que podia e o que não podia com os meninos, pois essa conquista está na história e será lembrada por eles até o fim da vida. Não é drama, vejam só: projetos de grandes escolas privadas e escolas públicas das regiões mais desenvolvidas do país não tiveram seu projetos selecionados em 1º lugar, mas uma escolinha localizada no interior RN, na cidade de Ipanguaçu e, ainda, distante 22km do centro da cidade consegue arrebatar tal classificação. É de fazer os olhos de qualquer pessoa, que seja sensível, brilharem e lacrimejarem. Muito, muito, muito orgulhoso mesmo do quanto aquelas crianças evoluíram e de que como o esforço delas em crescer e mudar suas realidade e a do mundo ao redor delas. Tudo isso através da leitura, da literatura. É encantador e gratificante ver no que termina simples indicações de livros para leitura em sala e em casa. Parabéns meninos, vocês merecem cada coisa que conquistam!

É depois de experiências como essas que entendo cada vez mais qual é o meu papel por aqui, nesse mundo. É com amor, dedicação e senso libertário que se constrói um educação centrada e coerente. É por acreditar nos alunos, no desenvolvimento e trabalho deles que é possível conseguir tais resultados em condições tão adversas. "Eu amo meu trabalho".

Para finalizar, ontem foi encerrada a 2ª edição da Semana de Línguas, que teve como tema a Literatura Fantástica. O evento foi iniciado na quarta-feira (01/12) com as exposições e apresentações culturais baseadas nos livros "O Pequeno Príncipe" (6º ano), de Antoine de Saint-Exupéry, "Harry Potter e a Pedra Filosofal" (7º ano), de J.K. Rowling, "Alice no País das Maravilhas" (8º ano), de Lewis Carroll e "As Crônicas de Nárnia" (9º ano), de C.S. Lewis. Na quinta-feira (02/12) aconteceram as oficinas sobre a história da literatura de fantasia e de como utilizar jogos pedagógicos em aulas de Língua Inglesa e Língua Espanhola. Ontem, (03/12), nossa 2ª Semana de Línguas foi encerrada com o baile fantástico, onde todos os alunos, e eu (é claro!), dançamos muitos, praticamente até entrar em coma. Foi maravilhoso, nos esbaldamos mesmo com as music dance do momento e, ainda bem, que muitos de vocês, leitores e leitoras, não me viram ontem, pois meus estado físico e psicológico não condizia nada com minha postura formal de sempre. Me diverti muito com os meninos e comemoramos nossas vitórias ao longo deste ano letivo. Eu propus a revolução, os alunos aceitaram e, assim, botamos a cara na praça! Resistência? Só o que houve, claro.  Até ontem, em plena comemoração e encerramento do nosso projeto, as pessoas do "contra" e do "nada dá certo" e do "tudo isso é uma besteira" quiseram mostrar suas asinhas! Mas, ressalto, só quiseram, pois o baile aconteceu, foi um sucesso, os meninos curtiram muito e quase morri de dançar, mas cumpri minha meta de dançar com todos os cento e bolinha alunos e alunas para os quais leciono.  Sabem, já me importei mais com essas pessoas, tentei ser solidário, mas nada deu muito certo. Então, não estou nem aí para nenhuma delas, o que me importa são os alunos, é para eles, e só para eles, que tudo isso é pensado e feito, e os demais que continuem em suas confabulações no intuito de destruir nosso movimento pela educação libertária através da literatura, até porque, como bem dizem o título do post e minha pretty English teacher Pri Aliança, "não existe revolução sem resistência". E bem, enquanto eles resistirem, nós revolucionaremos. Quando eles pararem... é sinal de que ganhamos mais uma batalha!

domingo, 28 de novembro de 2010

Filme da Semana: "A Onda"



Do diretor Dennis Gansel, "A Onda" é uma análise brilhante do poder de contaminação do fascismo nos dias de hoje. Rainer Wegner, professor de ensino médio, deve ensinar seus alunos sobre autocracia. Devido ao desinteresse deles, propõe um experimento que explique na prática os mecanismos do fascismo e do poder. Wegner se denomina o líder daquele grupo, escolhe o lema "força pela disciplina" e dá ao movimento o nome de A Onda. Em pouco tempo, os alunos começam a propagar o poder da unidade e ameaçar os outros. Quando o jogo fica sério, Wegner decide interrompê-lo. Mas é tarde demais, e A Onda já saiu de seu controle. O filme é baseado em uma história real ocorrida na Califórnia em 1967 e é indicado a todos (as) que desejem entender o sistema autocrata e, ainda, como este poderia sim voltar à tona em plena contemporaneidade. Ao assistir tal obra, percebemos que os ideais, preceitos e princípios (se assim podemos chamar) de Adolf Hitler e seu nazismo podem ressurgir do passado da forma mais simples possível: em uma sala de aula. Isso mesmo: alunos e professor. E só. A autocracia, em linhas gerais, é um regime político, onde "todos protegem todos" do grupo, seguem rigorosamente as regras impostas pelo grupo e são liderados por alguém, que "acreditam" exercer o mesmo poder que eles.

Obra apresentada, sintetizada e o convite lançado! Confiram, amigos (as)!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

1000 visitantes

Olá, queridos e queridas visitantes do "Na educação, a libertação!".
É um imenso prazer ter chegado, em tão pouco tempo, à marca de mais de 1000 visualizações de página. Fico muitíssimo agradecido a todos (as) que leem meus textos, comentam e sempre voltam à procura de mais ideais libertários. Ou, enfim, das indicações de músicas, filmes e livros.
Tudo isso é feito com muito carinho para poucos (as), já que proponho com este espaço uma revolução, e como diria minha mentora, Priscila Aliança, "não existe revolução sem resistência".
Meu tempo é mega hiper escasso e, por isso, minha vida pessoal está indo um pouco mal. No entanto, o tempo para escrever é sagrado e crucial! É aqui que eu me liberto e proponho tal sentimento libertário aos demais. 

Obrigado visitantes! A educação agradece a participação de vocês. :)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A importância da leitura!


As tecnologias do mundo moderno fizeram com que as pessoas deixassem a leitura de livros de lado, isso resultou em jovens cada vez mais desinteressados pelos livros, possuindo um vocabulários cada vez mais pobres. A leitura é algo crucial para a aprendizagem do ser humano, pois é através dela que podemos enriquecer nosso vocabulário, obter conhecimento, dinamizar o raciocínio e a interpretação. Muitas pessoas dizem não ter paciência para ler um livro, no entanto isso acontece por falta de hábito, pois se a leitura fosse um hábito rotineiro as pessoas saberiam apreciar uma boa obra literária, por exemplo. Muitas coisas que aprendemos na escola são esquecidas com o tempo, pois não as praticamos, através da leitura rotineira tais conhecimentos se fixariam de forma a não serem esquecidos posteriormente. Dúvidas que temos ao escrever poderiam ser sanadas pelo hábito de ler, talvez nem as tivéssemos, pois a leitura torna nosso conhecimento mais amplo e diversificado. Durante a leitura descobrimos mundos novos, cheios de coisas desconhecidas. O hábito de ler deve ser estimulado na infância, para que o indivíduo aprenda desde cedo que ler é algo importante e prazeroso, assim com certeza ele será um adulto culto, dinâmico e perspicaz. Saber ler e compreender o que os outros dizem nos difere dos animais irracionais, pois comer, beber e dormir até eles sabem. É a leitura que proporciona a capacidade de interpretação. Toda escola, pública ou privada, deve fornecer uma educação de qualidade incentivando a leitura, pois dessa forma a população se torna mais informada e crítica.




sábado, 20 de novembro de 2010

20 de Novembro - Dia da Consciência Negra


Comemorado no dia 20 de novembro aqui no Brasil, o dia da consciência negra é mais uma oportunidade de por em xeque a questão do negro, sua inserção social e representação histórico-cultural. A data foi escolhida no intuito de coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1965. Mais do que uma simples "data comemorativa", este dia tem uma carga de necessidade e responsabilidade social por si só, pois pressupõe-se aqui que todos os dias 20 de novembro deveriam ser dedicados a homenagear a figura negra, suas identidades. No entanto, ainda estamos no momento de debater sobre a real situação dos negros e afrodescendentes em nosso país e mundo. E não de simplesmente comemorar.

Todos os anos, todos os dias, todas as horas renovo minhas esperanças de que a educação é o caminho mais eficaz e seguro na busca do respeito mútuo à diversidade étnico-racial e às identidades culturais, principalmente. O primeiro passo para que a educação étnica possa realmente ser algo real em nosso país é promover a implementação da Lei 11.645/08 nas escolas brasileiras. O seu texto é bem claro quanto à OBRIGATORIEDADE do ensino da história e cultura africana, afrobrasileira e indígena nas turmas de ensino básico e tecnológico público do Brasil. 

O principal desafio a que todos devem se propor vencer é estudar/ensinar as relações de diversidade cultural e étnica sem hierarquizá-las. Não há como falar de educação libertária com imposição de condutas pessoais em sala de aula ou em qualquer outro contexto. Exemplificando... o professor curte muito o forró de Luiz Gonzaga e não gosta nada de Aviões do Forró. Em sala, ele destrói o forró  de um e só fala do outro. A ideia não é bem essa, entendem? É óbvio que há muitas letras de Luiz Gonzaga que tratam de questões sociais, denúncia, vida pessoal e tal. Enquanto que nas letrinhas de Aviões isso não é tão efetivo. Trocando em miúdos, o papel do professor neste caso é apresentar ao aluno as origens do que ele escuta e gosta e, então, propor comparações e paralelos. É bem mais útil e libertário, digamos, pois o aluno não vai se sentir oprimido pelo seu profe. Uma saída interessante é mostrar o que há do forró de Luiz Gonzaga no forró de Xandinho e Solange, por exemplo. Ritmo? Instrumentos? Temática? 

A questão é que vivemos em uma sociedade em que a cultura de massa é sempre muito bem vinda para  maioria, no caso, a massa. E temos que ter jogo de cintura em sala de aula para lidar com isso sem menosprezar os conhecimentos prévios do aluno. Ele sabe, mas não sabe que sabe (na maioria das vezes). Una o útil ao agradável e promova o respeito à diversidade cultura, étnica e identitária!